A China já não quer só vender carros baratos, quer roubar clientes à BMW e à Mercedes-Benz
Durante anos, a narrativa em torno dos elétricos chineses foi quase sempre a mesma: preços agressivos, segmentos de entrada, carros pensados para o consumidor mais sensível ao custo. Essa fase não terminou, mas já não é a única. Uma nova geração de modelos topo de gama, com o AVATR 12 como exemplo mais bem documentado, está a mirar diretamente o território que, até há pouco, pertencia quase em exclusivo às marcas premium ocidentais.
Uma parceria pensada para competir de igual para igual
O AVATR 12 nasce de uma colaboração pouco comum: a Changan Automobile trata da engenharia e do fabrico, a Huawei fornece os motores elétricos e o sistema de condução assistida ADS, e a CATL entra com a tecnologia de bateria. É um sedan de porte médio a grande, com 5.020 mm de comprimento e 3.020 mm entre eixos, dimensões próximas das de um BMW i5 ou de um Mercedes-Benz EQE. A versão de motor único entrega 230 kW (308 cv), e a versão de dois motores com tração integral chega aos 425 kW (569 cv), com o 0 aos 100 km/h em 3,9 segundos. O sistema de condução assistida Huawei ADS 3.0 inclui três sensores LiDAR de série, com cobertura de 300 graus, permitindo navegação avançada tanto em cidade como em autoestrada.
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Na China, o AVATR 12 arranca nos 300.000 a 320.000 yuans (entre cerca de 42.900 e 45.700 dólares), um valor que a imprensa especializada já descreveu como “agressivo” para o nível de equipamento oferecido. Um exercício de comparação feito pela imprensa australiana ilustra bem o argumento: o BMW iX3, um SUV elétrico de dimensão média fabricado na China, custa 409.900 yuans no seu mercado de origem; um AVATR 12 bem equipado, de longo alcance, ficaria estimado entre os 75.000 e os 130.000 dólares australianos, o que o colocaria claramente abaixo de rivais diretos como o BMW i5 eDrive 40 e o Mercedes-Benz EQE300, apesar de se situar acima do segmento do Tesla Model 3 ou do BMW i4.

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A expansão internacional já está em marcha
A marca já confirmou planos de expansão para a Europa, com uma rede de 120 centros de assistência técnica previstos até ao final de 2026, distribuídos pela Alemanha, França, Itália e Espanha, e estimativas de preço europeu entre os 48.000 e os 58.000 euros. A chegada à Austrália já é uma realidade concreta, posicionando o AVATR 12 como um dos primeiros exemplos claros desta nova vaga de elétricos chineses de luxo a testar mercados ocidentais mais exigentes e mais habituados a marcas premium tradicionais. A marca introduziu ainda, este ano, uma variante de autonomia estendida (EREV), que usa um motor a gasolina de 1,5 litros turbo exclusivamente como gerador, rendendo até 1.155 km de autonomia combinada com o depósito e a bateria cheios, uma resposta direta à ansiedade de autonomia que ainda trava alguns compradores mais conservadores.
Uma ressalva que vale a pena manter em mente
É importante não exagerar o alcance imediato deste fenómeno: as vendas do AVATR na China têm sido modestas, apenas 1.753 unidades vendidas num mês recente, segundo dados da Associação Chinesa de Automóveis de Passageiros, um volume ainda longe de ameaçar verdadeiramente o domínio das marcas alemãs em termos de escala global. Mas o AVATR 12 confirma uma tendência mais ampla, e distinta da simples guerra de preços que já explorámos aqui a propósito da expansão europeia das marcas chinesas: a competição já não se limita a citadinos acessíveis, chegou também ao segmento onde as margens, e o prestígio, das marcas ocidentais sempre foram mais protegidos.
Fontes: Drive.com.au, AutoEvolution, ArenaEV, ZHYT Auto, Accio.
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