A Inteligência Artificial está a tornar os carros elétricos mais caros: a memória RAM subiu 450% em quatro meses e já custa à GM até 2 mil milhões de dólares
A corrida à inteligência artificial está a ter um efeito colateral inesperado: está a tornar os carros mais caros, elétricos incluídos. A razão é simples — os automóveis modernos precisam cada vez de mais memória DRAM, o mesmo tipo de chip que os centros de dados de IA como o Stargate da OpenAI andam a comprar em quantidades gigantescas, e a procura disparou tanto que os preços saíram de controlo.
Os números falam por si: o preço de mercado do DRAM subiu cerca de 450% entre setembro de 2025 e janeiro de 2026. A produção mundial está concentrada em apenas três empresas — Samsung, SK Hynix e Micron —, responsáveis por cerca de 90% do fornecimento global, e todas elas estão a dar prioridade aos clientes de centros de dados de IA em detrimento da indústria automóvel.
A General Motors já sentiu o golpe. Na teleconferência de resultados do segundo trimestre de 2026, a marca admitiu um impacto de custos entre 1,5 e 2 mil milhões de dólares este ano por causa da subida do preço da memória, com um efeito estimado de 0,3% no preço médio dos veículos. A Ford está na mesma situação, e ambas já assinaram acordos de fornecimento de longo prazo diretamente com a Micron para tentar garantir stock.
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Abrir o comparador →A BYD foi mais longe e subiu mesmo o preço ao consumidor: o seu sistema de condução assistida “God’s Eye B” passou de 9.900 para 12.000 yuans (de cerca de 1.400 para 1.660 dólares), uma subida de 21%, justificada pela marca com o “aumento significativo dos custos globais de armazenamento”. Segundo a consultora Huayuan Securities, os custos de memória nos carros fabricados na China são atualmente o dobro dos praticados nos carros japoneses.
O apetite por memória só tende a crescer. Um sistema de infoentretenimento comum já usa entre 4 e 16 GB, os sistemas de condução assistida entre 8 e 32 GB, e os computadores centralizados dos carros mais recentes podem exigir 64 GB ou mais. A Micron estima que a memória média por veículo suba dos 90 GB de 2023 para 278 GB já em 2026 — e que os sistemas de condução totalmente autónoma (nível 4) venham a precisar de mais de 300 GB só de DRAM.

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Para tentar garantir fornecimento, a Micron fechou, a 16 de julho, acordos plurianuais (entre três a cinco anos) com sete fornecedores de primeira linha: Qualcomm, Visteon, Harman, Joynext, Denso, Astemo e Hyundai Mobis. Do lado coreano, a Hyundai Mobis foi mais longe e convocou 23 empresas e instituições coreanas, incluindo a Samsung, para reforçar a cadeia de abastecimento de chips automóveis.
Nem todos os analistas acreditam que acordos bastem para resolver o problema. Edward Wilford, da consultora Omdia, e Masatsune Yamaji, da Gartner, avisam que os fabricantes podem ter mesmo de abrandar a transição para sistemas de condução autónoma mais avançados, simplesmente porque não há chips suficientes para todos — não é só uma questão de preço, é uma questão de disponibilidade.
Fontes: Nikkei Asia, Tom’s Hardware, Carscoops, Gizmodo, CarNewsChina, Korea Herald e EE Times confirmam de forma consistente os valores da GM, da BYD e da Micron, ainda que com pequenas variações de arredondamento entre si.
Achas que isto vai mesmo atrasar a chegada dos carros totalmente autónomos, ou os fabricantes vão só empurrar o custo para o preço final que pagamos?
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