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A Porsche prepara-se para acabar com o Taycan em 2030, sem qualquer sucessor direto à vista

Redação Eletrificados · 16 de agosto de 2026·3 min de leitura
A Porsche prepara-se para acabar com o Taycan em 2030, sem qualquer sucessor direto à vista

O Taycan, o primeiro elétrico de produção em série da Porsche e o carro que em 2019 anunciou a entrada da marca alemã na era das baterias, pode não chegar a ter uma segunda geração. Segundo a revista económica alemã WirtschaftsWoche, cujo relatório foi confirmado de forma independente pela Electrek a 13 de agosto, a Porsche e o conselho de trabalhadores da empresa já chegaram a um acordo de princípio para acabar com a produção do modelo até 2030, embora esse acordo ainda não tenha sido posto por escrito. Contactada pela Electrek, a Porsche recusou comentar o relatório.

A decisão marca uma mudança de rumo. Em julho, questionado pelo Frankfurter Allgemeine Zeitung sobre o futuro do modelo, o presidente executivo da Porsche, Michael Leiters, tinha garantido que a marca não planeava descontinuar o Taycan “a curto prazo”, justificando que “investimos muito neste modelo e queremos esperar para ver como a procura se desenvolve”. Segundo a WirtschaftsWoche, chegou a ser ponderada a hipótese de transferir a produção do Taycan para a fábrica da Porsche em Leipzig, já que a produção na fábrica principal, em Estugarda, está subaproveitada. Essa opção acabou por ser posta de lado a favor do desaparecimento gradual do modelo ao longo dos próximos quatro anos, e não de um cancelamento imediato.

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A quebra nas vendas explica boa parte da decisão. O Taycan teve o seu melhor ano em 2023, com 40.960 unidades entregues globalmente, tornando-se na altura o terceiro modelo mais vendido da Porsche, atrás apenas do Cayenne e do Macan. Em 2025, esse número já tinha caído para 16.339 unidades, uma quebra de 6,4% face ao ano anterior. A tendência agravou-se ainda mais no arranque de 2026: no primeiro trimestre, a Porsche entregou apenas 3.420 unidades do Taycan, menos 19% do que no mesmo período de 2025. A desaceleração do mercado de elétricos premium, a perda de terreno da marca na China e a forte desvalorização do Taycan no mercado de usados, que já ultrapassa os 60% de perda de valor em cinco anos segundo relatos de proprietários, estão entre os fatores apontados para esta travagem. A própria Porsche já tinha chegado a interromper temporariamente parte da produção em Zuffenhausen para ajustar a atividade da fábrica à procura mais fraca.

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Esta possível saída do Taycan insere-se numa revisão mais ampla da estratégia elétrica da Porsche, depois de a marca ter recuado no objetivo que tinha fixado de vender 80% de elétricos a nível global até 2030. A Porsche já tinha anunciado, em 2025, que vai continuar a vender versões a combustão e híbridas plug-in do Cayenne e do Panamera ao longo da próxima década, com novas gerações destes modelos já em preparação. A aposta elétrica da marca não desaparece por completo: a gama vai continuar a contar com o Macan elétrico, um futuro Cayenne elétrico e um desportivo de dois lugares na família 718.

Mas, ao contrário do 911, do Cayenne ou do Panamera, o Taycan pode acabar por ser uma experiência de uma única geração, sem deixar descendência direta. Uma das hipóteses em cima da mesa é que uma futura versão elétrica do Panamera, eventualmente construída sobre a nova plataforma SSP Sport do Grupo Volkswagen, venha a ocupar o espaço que o Taycan deixar como berlina elétrica de alto desempenho da marca. Nenhuma destas opções está, para já, oficialmente confirmada. A Porsche continua, entretanto, a aceitar encomendas para o Taycan do ano-modelo 2027, recentemente atualizado com novas funcionalidades.

Fontes: WirtschaftsWoche (via Pplware e ZAP), Electrek.

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