A Tesla diz às autoridades portuguesas que podia ter evitado 167 acidentes em quatro meses, mas há reservas sérias aos números
A Tesla partilhou com várias autoridades portuguesas dados que, segundo a própria marca, mostram que o seu sistema de condução assistida FSD Supervisionado poderia ter evitado 167 colisões em Portugal entre 10 de abril e 18 de agosto deste ano, cerca de 38 acidentes por mês. Ivan Komušanac, responsável pelo desenvolvimento de negócio e políticas da Tesla na Europa, revelou o essencial da informação através do LinkedIn, num momento em que o sistema continua por aprovar em território nacional.
Os números apresentados pela Tesla assentam na frota real de veículos com plataforma de hardware HW4 a circular no país, que percorreu 192 milhões de quilómetros em modo de condução totalmente manual durante o período analisado. O detalhe mais significativo, segundo a marca, está no tipo de vias onde a maioria destes acidentes evitáveis teria ocorrido: 135 das 167 colisões, mais de 80%, teriam acontecido fora das autoestradas, em ambiente urbano e em estradas secundárias, precisamente o cenário onde regulamentos europeus como o UN ECE R171.01 mais limitam a atuação destes sistemas de assistência avançada. A Tesla enquadra esta proposta num contexto de sinistralidade rodoviária particularmente preocupante em Portugal, atualmente o quinto pior país da União Europeia em mortes na estrada.
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Abrir o comparador →Mas a leitura destes números exige cautela, e especialistas ouvidos pela Reuters, a propósito de dados semelhantes usados noutros países europeus, já identificaram problemas metodológicos concretos. Um deles: a Tesla compara acidentes com FSD suficientemente graves para ativar os airbags, com estatísticas gerais dos Estados Unidos que incluem colisões de gravidade muito menor, uma comparação que tende a inflacionar artificialmente a vantagem de segurança do sistema. Outro: os veículos Tesla analisados são, tipicamente, mais recentes e mais bem equipados em segurança ativa e passiva do que a média do parque automóvel em circulação, tanto nos EUA como em Portugal, o que também distorce a comparação a favor da marca.

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O sistema em causa, apesar do nome “Full Self-Driving” (condução totalmente autónoma), não transforma o carro num veículo autónomo: o condutor continua legalmente responsável pelo veículo, deve permanecer atento em permanência, e tem de estar sempre pronto a retomar o controlo. Quando ativo, o FSD Supervisionado controla direção, aceleração e travagem, segue uma rota definida, muda de via, gere cruzamentos e interpreta semáforos, passadeiras, peões e ciclistas. Os Países Baixos foram, a 10 de abril de 2026, o primeiro país da União Europeia a aprovar o sistema, depois de mais de 18 meses de avaliação, com a entidade reguladora neerlandesa (RDW) a garantir ter realizado os seus próprios testes independentes e revisto de forma independente a análise estatística da própria Tesla, em vez de aceitar apenas os números apresentados pela marca.
Portugal continua, para já, fora da lista de países onde o FSD Supervisionado pode ser legalmente utilizado, e a decisão sobre uma eventual aprovação nacional cabe às autoridades competentes, que a própria imprensa especializada descreve como estando a avaliar o pedido “de forma ponderada”, equilibrando a inovação tecnológica com a salvaguarda dos utentes das vias públicas.
Fontes: Razão Automóvel, 4gnews, PPLware.
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