As vendas de elétricos na China estão a cair, mas a quebrarem o mercado a combustão ainda mais depressa
Os números mais recentes divulgados pela Associação Chinesa de Automóveis de Passageiros (CPCA) desenham um retrato mais complexo do que parece à primeira vista: as vendas retalhistas de veículos de nova energia (NEV, que inclui elétricos puros e híbridos plug-in) na China caíram 12% em termos homólogos nos primeiros 23 dias de agosto, totalizando 614 mil unidades. Mas, ao mesmo tempo, a quota destes veículos no mercado total subiu para 64,3%, face aos 63,6% registados nos primeiros 16 dias do mês. A explicação para este aparente paradoxo é simples: o mercado automóvel chinês no seu conjunto está a cair ainda mais depressa, 22% em termos homólogos no mesmo período, arrastado sobretudo pelo colapso dos carros a gasolina.
Este padrão não é uma novidade pontual, é uma tendência que se tem repetido mês após mês em 2026: em julho, as vendas de carros a gasolina na China caíram 40,5% em termos homólogos, para 510 mil unidades, enquanto os NEV recuaram apenas 3,9%, para 951 mil, um ritmo de queda muito mais contido. O resultado é que, mesmo com as vendas de elétricos e híbridos plug-in a abrandar face ao pico do ano passado, a sua fatia do mercado continua a bater recordes, precisamente porque os carros a combustão estão a desaparecer das concessionárias chinesas a um ritmo ainda mais acelerado.
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Abrir o comparador →Do lado das vendas por grosso (wholesale), o retrato é mais positivo: os NEV cresceram 5% em termos homólogos nos primeiros 23 dias de agosto, uma recuperação face ao recuo de 3% registado nas primeiras duas semanas do mês, com uma penetração por grosso já nos 70,5%. No acumulado do ano, as vendas retalhistas de NEV somam 6,283 milhões de unidades, uma queda homóloga de 12%, mas ainda assim um valor que continua a superar largamente o desempenho do mercado automóvel chinês no seu todo, que caiu 20% no mesmo período, para 11,129 milhões de unidades.

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Em julho, o mês mais recente com dados completos por marca, a BYD manteve a liderança clara nas vendas retalhistas domésticas, com 223.461 unidades, seguida pela Geely, com 105.526, e pela Leapmotor, com 83.698, já ultrapassando construtores tradicionais como a Changan (59.907 unidades). As marcas emergentes chinesas, um grupo que inclui a própria Leapmotor e a Nio, representaram 26,8% de todas as vendas retalhistas em julho, um crescimento de 5,4 pontos percentuais face ao ano anterior.
Olhando para a frente, a própria CPCA já sinalizou otimismo moderado: com o Salão Automóvel de Chengdu a decorrer desde 21 de agosto, e uma vaga de novos modelos e pré-vendas a acompanhá-lo, muitos deles já noticiados aqui, a associação espera que o chamado “efeito salão”, combinado com o esforço de vendas típico de final de mês, eleve a média diária de vendas retalhistas para cerca de 77 mil unidades na última semana de agosto, acima da média de apenas 35 mil unidades registada na primeira semana do mês. Ainda assim, a própria CPCA reconhece que “a verdadeira época alta de consumo automóvel ainda não chegou”, já que a confiança do consumidor chinês continua cautelosa, com o consumo automóvel a manter-se um dos principais entraves ao crescimento do consumo interno chinês.
Fontes: CnEVPost, RetailNews Asia (via China Passenger Car Association).
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