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Chama-se, para já, EBRO BEV: o primeiro elétrico da marca espanhola ressuscitada com dinheiro chinês chega a Portugal já este inverno, com 400 km de autonomia

Redação Eletrificados · 7 de agosto de 2026·4 min de leitura
Chama-se, para já, EBRO BEV: o primeiro elétrico da marca espanhola ressuscitada com dinheiro chinês chega a Portugal já este inverno, com 400 km de autonomia

Ainda não tem nome comercial definitivo, só a designação provisória “EBRO BEV” com que a imprensa espanhola e portuguesa já o trata, mas o primeiro elétrico da EBRO já tem motor, baterias, dimensões e data de chegada a Portugal marcadas: este inverno, com produção a arrancar ainda este ano na fábrica da marca em Barcelona.

Uma marca que desapareceu em 1987 e ressuscitou com dinheiro chinês

Há pouco mais de um ano, a EBRO não passava de um nome esquecido na história automóvel espanhola. A marca nasceu em 1954, quando a Motor Ibérica a adotou para produzir tratores e veículos comerciais, e mudou-se em 1967 para a Zona Franca de Barcelona, um dos principais polos da indústria automóvel espanhola. A entrada da Nissan no capital, já na década de 1980, ditou o seu desaparecimento: em 1985 a empresa passou a chamar-se Nissan Motor Ibérica, e dois anos depois o nome EBRO deixou de ser utilizado.

O renascimento começou em abril de 2024, quando a espanhola EV Motors, dona dos direitos da marca desde 2021, se associou à chinesa Chery para recuperar a antiga fábrica da Nissan na Zona Franca, encerrada desde o final de 2021. A Chery entrou como parceira tecnológica e acionista, com 40% do capital, a fornecer plataformas, motorizações e conhecimento industrial. Hoje a EBRO já vende quatro SUV multienergia, o S400, o S700, o S800 de sete lugares e o topo de gama S900, e vendeu cerca de 14 mil unidades em Espanha em 2025, com a meta de ultrapassar as 25 mil este ano.

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Chegada a Portugal já este inverno, com Ricardo Ramos a prometer “eletrificação sem complexidades”

A marca chegou a Portugal em 2026, em parceria com o Grupo MCoutinho, estreou-se publicamente no ECAR Show, em Lisboa, em maio, e já tem rede a abranger Porto, Aveiro, Viseu, Coimbra e Leiria, com o objetivo de chegar a dez concessionários até ao final do ano. É a este mercado em expansão que o EBRO BEV se junta, com comercialização prevista para o próximo inverno.

Segundo Ricardo Ramos, diretor-geral da EBRO em Portugal, o carro foi pensado para as “necessidades reais” de quem procura uma “eletrificação sem complexidades” no dia a dia, um utilitário compacto de cinco portas “concebido para oferecer cinco lugares reais”. É um posicionamento deliberadamente diferente do resto da gama EBRO: em vez de mais um SUV, a marca quer entrar no segmento dos citadinos elétricos acessíveis, o mesmo onde competem o Dacia Spring, o Renault Twingo E-Tech ou a Leapmotor T03.

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Motor de 122 cv, 400 km de autonomia e ecrãs com chip Qualcomm

O EBRO BEV mede cerca de 4,2 metros de comprimento, com uma distância entre eixos de 2.700 mm, para caber cinco passageiros. Tem um motor elétrico de 90 kW (122 cv) e 111 Nm de binário máximo montado no eixo traseiro, com uma aceleração dos 0 aos 100 km/h estimada em menos de 11 segundos. A EBRO prevê duas versões de bateria, ambas com autonomias próximas dos 400 quilómetros, com carregamento em corrente alternada até 11 kW e uma recuperação de 30% a 80% em corrente contínua entre 20 e 30 minutos.

Apesar do posicionamento de entrada, o habitáculo aposta em tecnologia: dois ecrãs, um painel de instrumentos de 8,88 polegadas e um ecrã central de 15,6 polegadas, ambos com arquitetura Qualcomm Snapdragon, além de ar condicionado bizona, carregador de smartphone sem fios e comandos físicos mantidos no painel, ao contrário da tendência de tudo por ecrã tátil de vários rivais chineses. Ao nível da segurança, a marca já confirmou seis airbags e 16 sistemas de assistência à condução na versão de produção. Todos os números permanecem provisórios até à apresentação oficial.

A fábrica de Barcelona a triplicar de capacidade

O EBRO BEV vai nascer na mesma fábrica de Barcelona onde já se montam o S400 e o S700, na nova linha M1, com mais de 150 milhões de euros investidos na reindustrialização das antigas instalações da Nissan. A linha deverá multiplicar por três a capacidade produtiva da fábrica, até aos 250 veículos por dia; as instalações produziram 17.308 automóveis em 2025 e devem atingir uma capacidade aproximada de 50 mil unidades até final deste ano, com um potencial máximo atual de cerca de 130 mil unidades anuais. Está também prevista, no mesmo local, a produção de um primeiro elétrico das marcas irmãs da Chery, a Omoda e a Jaecoo, ainda sem escolha fechada entre as duas.

Fontes: Guia do Automóvel (especificações técnicas e citação de Ricardo Ramos), Razão Automóvel, Welectric, Check Up Media, Somos Eléctricos, Investing.com (EFE).

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