Espanha deu luz verde à fábrica da MG em Ferrol, apesar dos alertas de espionagem do CNI e da Navantia
O governo espanhol confirmou, esta semana, que não vai colocar entraves à construção da primeira fábrica europeia da MG, da chinesa SAIC Motor, em Ferrol, na Galiza. A confirmação chegou depois de dias de incerteza, motivados por alertas dos serviços secretos e do Ministério da Defesa sobre o risco de espionagem junto a instalações militares sensíveis, segundo avançou o Moncloa.com a 13 de agosto. Um porta-voz da SAIC confirmou à ForoCochesElectricos que a aprovação necessária para avançar com o projeto foi finalmente concedida.
O problema não está na fábrica em si, mas na localização escolhida. A unidade de montagem, projetada para produzir 120 mil veículos por ano com um investimento inicial de 200 milhões de euros e cerca de mil postos de trabalho diretos, ficará no porto exterior de Ferrol, a apenas cerca de cinco quilómetros em linha reta do Arsenal Militar e do estaleiro da Navantia, empresa pública responsável pela construção de navios para as Forças Armadas espanholas, incluindo as fragatas F-100 e F-110. É também nesse estaleiro que a Navantia mantém um contrato de manutenção avaliado em 822,4 milhões de euros, até 2028, para os destroyers da Marinha dos Estados Unidos equipados com o sistema Aegis, sediados na base naval de Rota.
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Abrir o comparador →O Centro Nacional de Inteligência (CNI) e o Ministério da Defesa espanhóis alertaram para a possibilidade de a fábrica, sendo a SAIC Motor uma empresa detida pelo Estado chinês, poder funcionar como plataforma de vigilância sobre o tráfego marítimo militar na ria de Ferrol. Segundo relatos do El País e do El Mundo citados por vários meios espanhóis, os serviços de informação identificaram esta proximidade como uma potencial ameaça à segurança nacional, ao ponto de a União Europeia e a NATO poderem deixar de considerar o Arsenal de Ferrol um porto seguro. A preocupação central, porém, não é tanto a fábrica em si, mas sim a rede de pequenas e médias empresas locais que prestam serviços tanto à Armada e à Navantia como, no futuro, à própria SAIC: o receio dos serviços secretos é que algum trabalhador dessas empresas possa ser aliciado por serviços de informação chineses, além do risco mais convencional de ciberataques e guerra eletrónica.

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A tensão política em torno do projeto opôs abertamente Madrid e a Xunta da Galiza. Alfonso Rueda, presidente da Xunta, que já tinha classificado o projeto como “Iniciativa Industrial Estratégica” para acelerar os procedimentos administrativos, considerou “chocante” que o Ministério da Defesa questionasse a fábrica, argumentando que isso não prestava qualquer favor à região. Do lado do governo central, o ministro Óscar López defendeu o projeto, garantindo que seriam impostas condições de segurança rigorosas antes de qualquer avanço, uma posição que a decisão final acabou por confirmar: Defesa não vai formular objeções, mas o desfecho aponta para um protocolo de supervisão exigente, com controlo do CNI, limitação de acessos às instalações e um enquadramento contratual que deverá reduzir a SAIC a um operador puramente industrial, sem qualquer margem de influência sobre o ambiente militar envolvente.
Este episódio surge num momento de forte expansão da MG na Europa. A marca fechou 2025 com mais de 300 mil matrículas no continente, das quais mais de 45 mil só em Espanha, um crescimento de 46% face a 2024. Construir dentro da União Europeia permite à SAIC fabricar diretamente em território europeu e escapar às tarifas elevadas que a UE aplica a veículos elétricos importados da China, uma lógica que já levou outros construtores chineses a procurar instalações fabris no continente. As obras em Ferrol deverão arrancar em 2027, com a fábrica a entrar em funcionamento em 2028, e o projeto conta ainda com um centro logístico complementar em As Pontes, que deverá criar mais 300 postos de trabalho.
Fontes: Moncloa.com, ForoCochesElectricos.com, El Mundo (via TheObjective, ElEspañol e Motor16), El País.
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