Há mais 10 milhões de euros em cheques para elétricos à espera de luz verde, mas o Governo não promete nada para este ano
O Governo tinha autorização para mobilizar 20 milhões de euros em incentivos à compra de elétricos em 2026, mas decidiu dividir essa verba em duas fatias de 10 milhões, em vez de a libertar de uma só vez. A primeira já teve destino conhecido: abriu a 11 de junho e esgotou-se em poucas horas, como já noticiámos aqui. A segunda fatia, essa, continua parada, sem data de abertura confirmada, e as declarações mais recentes da tutela não deixam grande margem para otimismo a curto prazo.
Maria da Graça Carvalho, ministra do Ambiente e Energia, já tinha explicado, ainda antes da abertura da primeira fase, a lógica desta divisão: o Governo optou por avançar com prudência devido à “instabilidade internacional e à pressão sobre os preços dos combustíveis”, citando concretamente a situação no Irão como um dos fatores a pesar na decisão de reservar metade do valor total. Na prática, os 10 milhões em falta ficaram guardados como almofada, para um eventual agravamento dessa mesma crise energética internacional.
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Abrir o comparador →À data mais recente disponível, a posição do Ministério do Ambiente é clara: não está prevista a abertura de um novo concurso ainda em 2026. A justificação oficial passa pela necessidade de reafetar verbas do próprio Fundo Ambiental a outras prioridades, nomeadamente apoios ao preço dos combustíveis e à reparação de danos causados por tempestades recentes. A eventual reabertura desta segunda fatia vai depender, segundo a tutela, da evolução do contexto e da libertação de verba disponível, sem qualquer compromisso de calendário.

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Este impasse chega numa altura em que a procura por este tipo de apoio continua claramente a ultrapassar a oferta. A história recente do programa é sempre a mesma: a fase de dezembro de 2025, com 17,6 milhões de euros, esgotou em poucas horas; a fase de junho de 2026, com os primeiros 10 milhões, esgotou ainda mais depressa, em menos de duas horas para a categoria de particulares. Com o mercado português de elétricos a crescer a um ritmo que já ultrapassa os 30% de quota de mercado, como noticiámos recentemente, a distância entre o número de compradores dispostos a beneficiar deste incentivo e a verba efetivamente disponível continua a alargar-se, não a fechar-se.
Para quem está a ponderar comprar um elétrico a contar com este apoio, a recomendação que se repete entre os especialistas é a mesma: nunca assumir um compromisso financeiro com base num concurso ainda por abrir, e acompanhar de perto o site do Fundo Ambiental para confirmar, sempre que um novo aviso for publicado, as condições exatas, os prazos de candidatura e o limite de preço dos veículos elegíveis, já que essas regras têm variado ligeiramente entre fases anteriores.
Fontes: Observador, ECO, Executive Digest, Jornal de Negócios, DECO PROteste, Santander.
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