Híbridos plug-in em 2026: as 80 gramas de CO2 que decidem se pagas 25% do ISV, ou quase o imposto todo
Comprar um híbrido plug-in em 2026 tem uma armadilha que poucos compradores conhecem: um único número na ficha técnica, as emissões oficiais de CO2, decide se vais pagar 25% do ISV normal ou o imposto quase todo. E esse número mudou de critério há poucos meses, sem que a maioria dos compradores tenha dado por isso.
A explicação está numa mudança técnica europeia. Desde janeiro de 2026 que os carros novos são homologados segundo a norma Euro 6e-bis, que alargou o ciclo de teste usado para medir emissões de 800 para 2200 quilómetros. Para um híbrido plug-in, isto empurra o valor oficial de CO2 para cima, mesmo sem qualquer alteração técnica ao carro, porque o teste passa a refletir melhor os quilómetros percorridos com o motor a combustão ligado. Até 2025, o limite para o desconto de 75% no ISV era 50 gramas de CO2 por quilómetro; com o novo teste a empurrar muitos modelos para cima desse valor, o Orçamento do Estado para 2026 (Lei n.º 73-A/2025, em vigor desde 1 de janeiro) subiu o limite aceite para 80 gramas, mantendo a exigência de 50 quilómetros de autonomia elétrica. Mas a subida do limite não cobre tudo: um PHEV com, por exemplo, 85 gramas de CO2 continua de fora do desconto.
Os elétricos a bateria continuam isentos de ISV, sem qualquer alteração. No IUC, o imposto de circulação anual, a isenção dos elétricos também se mantém, mas os híbridos plug-in não têm desconto próprio: pagam a tabela normal, calculada por cilindrada, emissões de CO2 e coeficiente de idade do veículo, exatamente como um carro a combustão. O Orçamento do Estado para 2026 não mexeu nestas tabelas.
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Abrir o comparador →Para empresas e frotas, o efeito repete-se na tributação autónoma em sede de IRC. As taxas normais mantêm-se em 8%, 25% e 32% consoante o valor de aquisição do veículo, mas um PHEV que cumpra o critério de emissões, agora até 80 g/km sob Euro 6e-bis, ou até 50 g/km sob a norma antiga, mais os 50 quilómetros de autonomia elétrica, paga apenas 2,5%, 7,5% ou 15%, dependendo do escalão. À semelhança do ISV, o Orçamento do Estado não alterou estas percentagens, apenas alargou o critério que dá acesso a elas.

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A ACAP fez, em fevereiro de 2026, um balanço público desta reforma fiscal: considera que o ajuste ao limite de emissões foi uma das medidas que avançaram, ao contrário do pedido de reduzir em 10% as taxas de tributação autónoma, que o Governo não aceitou. Segundo estimativas citadas na imprensa do setor, sem este ajuste o Estado arrecadaria mais de 100 milhões de euros por ano em ISV adicional, um custo que teria caído diretamente sobre quem já tinha decidido comprar um híbrido plug-in a pensar no benefício fiscal antigo.
Na prática, para quem está a comprar um PHEV em 2026, a recomendação é simples: confirmar sempre, na ficha técnica do modelo, se a homologação é já feita segundo a Euro 6e-bis e qual o valor exato de emissões declarado, porque nem todos os plug-in ficam automaticamente cobertos por este alívio.
Fontes: Razão Automóvel, Auto.PT, Auto SAPO, APDCA, PwC Portugal e CRN Contabilidade confirmam de forma convergente os novos limiares de ISV e tributação autónoma; a ACAP confirmou publicamente, em fevereiro de 2026, ter alertado para o risco e considera a medida como uma das que avançaram na reforma fiscal do setor.
Tens um híbrido plug-in ou estás a pensar comprar um? Já confirmaste se o teu modelo está homologado segundo a Euro 6e-bis?
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