"Já não chega fazer as coisas à maneira Toyota": o presidente da marca admite crise interna e aposta tudo no próximo Corolla elétrico
Tóquio, 19 de julho de 2026. Numa entrevista à cadeia pública japonesa NHK, o presidente da Toyota, Akio Toyoda, admitiu que “há um sentimento de crise considerável” dentro da maior fabricante de automóveis do mundo. A frase, que a imprensa internacional só amplificou nos dias seguintes, resume o dilema da empresa: mesmo a vender mais e a lucrar mais do que a generalidade dos rivais, a Toyota reconhece que os métodos que a tornaram gigante já não chegam para travar a China.
É nesse contexto que surge o novo Corolla, o próximo capítulo do nome mais vendido da história automóvel, mais de 50 milhões de unidades desde 1966, agora reinventado como modelo 100% elétrico. O protótipo, mostrado em outubro de 2025 no Japan Mobility Show, assenta numa plataforma multi-motorização que a Toyota diz vir a suportar versões elétricas, híbridas plug-in, híbridas convencionais e a combustão, todas a partir da mesma base. O presidente executivo, Koji Sato, prometeu um carro “cheio de inovações” e “bonito o suficiente para toda a gente querer conduzir”; um engenheiro da casa, citado sem nome pela NHK, foi mais direto: “acho que estamos a perder para a China.”
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Abrir o comparador →A pressão tem números concretos. Fabricantes chinesas como a BYD, a Geely, a Great Wall, a Chery e a SAIC encurtaram os ciclos de desenvolvimento de um novo modelo para cerca de 24 meses, menos de metade do tempo que a indústria japonesa e europeia tradicionalmente levava. A Tesla, do lado americano, mudou as expectativas dos compradores quanto a software, atualizações remotas e rede de carregamento. E a BYD já tinha ultrapassado a Ford em vendas globais em 2025.
O paradoxo é que a Toyota não está, hoje, em dificuldades financeiras. A marca vendeu mais de 1,18 milhões de híbridos e elétricos na América do Norte em 2025, mais de metade das suas vendas na região, com o RAV4 e o Camry híbridos à frente, e fechou o ano com lucros recorde, precisamente enquanto concorrentes mais dependentes do elétrico puro atravessavam um abrandamento da procura. A crise de que Toyoda fala não é, para já, uma crise de resultados. É uma crise de relógio: a de saber se o método que garantiu décadas de lucro consegue acompanhar o ritmo a que a concorrência chinesa lança carros novos.

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Nenhuma data de lançamento foi avançada para o novo Corolla elétrico, nem para os mercados onde chegará primeiro. Para Portugal, onde a Toyota continua entre as marcas mais vendidas, mas sobretudo à boleia dos híbridos convencionais, a resposta a essa pergunta vai determinar se o nome mais vendido da história automóvel também consegue ser, desta vez, elétrico.
Nota editorial: cautela jornalística
Fontes: Electrek (20 de julho) e Forbes (26 de julho), ambas a citar a mesma entrevista de Akio Toyoda à NHK. Dados de vendas da Toyota na América do Norte segundo a Forbes. A citação do engenheiro anónimo da Toyota é reportada pela Electrek, sem confirmação adicional.
As perguntas para a caixa: um Corolla 100% elétrico, ainda sem data nem preço, é argumento suficiente para esperar, ou a corrida já vai longe demais para a Toyota? E cá, onde a marca vive sobretudo dos híbridos, sentem essa “crise”, ou o Corolla continua a ser sinónimo de carro seguro e sem sobressaltos?
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