MG Tech Day II: tudo o que a MG revelou sobre baterias, híbridos e condução assistida
Houve hoje um evento que vale a pena contar com calma, porque diz muito sobre o caminho que a marca que conduzimos vai seguir nos próximos anos. Chamou-se MG Tech Day II, foi transmitido em direto de Londres, e teve uma particularidade: a MG não apresentou carros novos para vender já, apresentou a tecnologia que vai equipar os carros de amanhã. Baterias, motores, transmissões e sistemas de condução. É o género de evento que separa quem quer mesmo perceber a marca de quem só olha para a folha de preços.
Passámos as três horas a acompanhar em direto e a tirar apontamentos, e há muito que interessa a quem tem, ou pensa ter, um MG. Vamos por partes, porque a coisa organizou-se à volta de três grandes temas.
Primeiro tema: o novo Plug-in Hybrid+
O primeiro bloco foi dedicado aos híbridos plug-in, aqueles que se ligam à tomada mas também têm motor a combustão. E a MG começou por admitir o problema que todos estes carros têm, com honestidade rara: quando a bateria se esgota, muitos PHEV passam a gastar imenso e a ficar sem força. A marca chamou-lhe “ansiedade de bateria descarregada”, e ilustrou-o com um consumo de 9,5 litros aos 100, o pesadelo de quem julgava ter um carro económico.
A resposta chama-se Plug-in Hybrid+, e assenta em três peças novas. Primeiro, dois motores de combustão totalmente novos, um 1.1 turbo e um 1.5 turbo, com eficiências térmicas de 42 e 43 por cento. Para se ter uma ideia, a maioria dos motores anda pelos 35 a 38 por cento, portanto estes valores são dos melhores do mundo. O 1.1T dá 73,2 kW e 175 Nm; o 1.5T sobe para 120 kW e 255 Nm.
A segunda peça é uma transmissão híbrida nova, que trabalha de forma inteligente conforme a velocidade: em cidade anda em modo elétrico, a velocidade média reparte a força entre motor e eletricidade, e em autoestrada o motor liga-se diretamente às rodas, que é o mais eficiente a essa cadência. O resultado, segundo a marca, é que o motor passa 90 por cento do tempo a trabalhar acima dos 40 por cento de eficiência.
E o que é que isto dá, em números que interessam? A MG resumiu os destaques do Hybrid+ assim: mais eficiente (menos 6 por cento de consumo face ao atual sistema do HS que já se vende cá), mais potente (0 a 100 em menos de 6 segundos, e a retoma dos 80 aos 120 em até 3,5 segundos) e mais silencioso (menos 5 decibéis no habitáculo, graças ao desacoplamento do motor).
A parte que mais nos toca: este sistema estreia no novo MG ZS em 2027, e a marca mostrou silhuetas de mais modelos a caminho, cobrindo os SUV dos segmentos B, C e D. Ou seja, do ZS ao HS e acima, toda a gama de SUV híbridos vai receber esta tecnologia. Para quem tem ou quer um ZS ou um HS, é uma evolução e tanto.
Segundo tema: a bateria SolidCore
Se o Hybrid+ foi interessante, a parte das baterias foi verdadeiramente a joia da coroa. A MG confirmou a sua bateria SolidCore, uma bateria semi-sólida (semi-solid-state), que substitui a maior parte do eletrólito líquido das baterias normais por um material semi-sólido. É considerada o passo intermédio a caminho das baterias totalmente sólidas, o tão falado “santo graal” dos elétricos, e a MG diz ser a primeira do mundo a produzi-la em série.
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Abrir o comparador →Aqui a marca foi buscar a ciência a sério para explicar porque é melhor. A chave está na estrutura interna. Na SolidCore, os iões de lítio movem-se em três dimensões (uma estrutura chamada spinel), ao passo que numa bateria LFP, como a do nosso MG4 Urban, só se movem numa direção, e numa NCM, em duas. Mais direções para circular significa mais fluidez, mais potência e resposta mais rápida. É como comparar um cruzamento livre com uma estrada de sentido único.
A MG chegou a mostrar as fórmulas de física (a Lei de Fick, a Equação de Nernst) e um gráfico revelador: a potência da SolidCore mantém-se sempre acima da concorrência, e a diferença é ainda maior no frio extremo e com a bateria quase vazia. Precisamente as duas situações em que as baterias normais mais sofrem.
E os números finais, que a marca aplicou ao caso dos híbridos plug-in, são impressionantes: mais 20 por cento de potência com a bateria fraca, e a 20 graus negativos, mais 15 por cento de capacidade e mais 25 por cento de potência. A resistência interna baixa 20 por cento. Traduzindo para o mundo real: a SolidCore ataca de frente aquele velho problema dos elétricos e híbridos no inverno, que aliás foi tema de uma notícia recente aqui no fórum sobre o teste na Noruega. Se a marca cumprir, é um avanço enorme para quem vive onde as manhãs de janeiro não perdoam.
Um pormenor que liga tudo: esta bateria SolidCore vai equipar tanto os elétricos puros (a começar pelo MG4 Urban ainda este ano) como os novos híbridos plug-in. É a mesma tecnologia de ponta a servir as duas famílias.

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Terceiro tema: a condução assistida pensada para a Europa
A última parte, apresentada por David Allison, responsável de produto da MG no Reino Unido, foi sobre os sistemas de apoio à condução (ADAS). E aqui a mensagem foi inteligente: em vez de prometer carros que se conduzem sozinhos amanhã, a MG assumiu uma filosofia mais pragmática, tornar os sistemas de apoio maduros e fiáveis uma realidade do dia a dia.
O ponto que mais nos deve agradar é este: a MG afirma que afina estes sistemas especificamente para as estradas europeias. Recolheu dados reais de condução em 24 países e 1,2 milhões de quilómetros (Portugal incluído, apareceu no mapa), atualiza os algoritmos diariamente com base nas condições locais, e garante conformidade total com o RGPD. Isto responde a duas críticas frequentes aos carros chineses: a de que os sistemas são afinados para a China e se portam mal cá, e a preocupação com a privacidade dos dados.
Mostraram exemplos concretos de adaptação às nossas estradas: rotundas irregulares, ruas com carris de elétrico partilhados, cruzamentos de prioridade. Quem conduz no Porto ou em Lisboa sabe bem do que se trata.
Depois veio a parte prática, o sistema One Touch iAD, que resolve as chatices do estacionamento a um toque. Estacionar em lugares apertados, encostar ao passeio sem riscar as jantes, sair de lugares onde mal cabe o carro, e uma função de marcha-atrás que memoriza e refaz até 100 metros do percurso, ideal para aqueles acessos estreitos e sinuosos.
E há ainda o estacionamento remoto pelo telemóvel: sais do carro primeiro e ele estaciona-se sozinho, útil quando o espaço é tão apertado que nem se abre a porta. Uma nota honesta: estas funções mais avançadas foram demonstradas no MG IM5, o modelo mais tecnológico e premium do grupo, por isso é provável que cheguem primeiro aos modelos de topo, e não logo a toda a gama.
Para a estrada, a MG mostrou a evolução do apoio à condução em autoestrada e anunciou datas para a Europa: o Navigate on Autopilot (a condução assistida que segue uma rota, muda de faixa e sai da autoestrada sozinha) chega em produção no final de 2027 para autoestrada, e em 2028 para ambiente urbano. Chegaram a mostrar o sistema a ser testado na Alemanha e a dar a volta ao Arco do Triunfo, em Paris, uma das rotundas mais caóticas do mundo.
Como visão de longo prazo, a marca revelou até que já tem ensaios em estrada de um robotáxi totalmente autónomo (nível 4) na Alemanha, no Médio Oriente e na China. Isto, convém sublinhar, é o horizonte distante, não algo que apareça nos carros à venda tão cedo.
O que fica de tudo isto
O MG Tech Day II não foi sobre um carro, foi sobre a direção da marca. E a mensagem é clara: a MG quer deixar de ser vista apenas como a opção barata e passar a ser reconhecida pela tecnologia, mas sem abandonar o que a tornou popular, tornar essa tecnologia acessível.
Para nós, donos e curiosos em Portugal, ficam três boas notícias concretas. Os híbridos vão ficar mais eficientes e potentes, com o ZS a abrir caminho em 2027. As baterias vão aguentar muito melhor o frio e a baixa carga, com a SolidCore a chegar já este ano ao MG4 Urban. E os sistemas de condução estão a ser afinados para as nossas estradas, com respeito pela privacidade.
Claro que promessas são promessas, e o que interessa é ver isto chegar à estrada e cumprir. Mas, pela substância técnica que a marca mostrou hoje, há motivos para otimismo.
E vocês, o que acharam? Qual destes anúncios vos entusiasma mais: os híbridos mais potentes, a bateria que aguenta o frio, ou a condução assistida? E confiam que a MG vai cumprir estas promessas nos prazos anunciados? Digam de vossa justiça aqui em baixo.
Cobertura feita a partir da transmissão em direto do MG Tech Day II. Imagens: MG / MG Tech Day (capturas da transmissão).
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