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O fundador da Geely deixa a presidência, e a marca aposta quase tudo nas exportações depois de as vendas na China caírem 22,6%

Redação Eletrificados · 18 de agosto de 2026·3 min de leitura
O fundador da Geely deixa a presidência, e a marca aposta quase tudo nas exportações depois de as vendas na China caírem 22,6%

A Geely está a passar pela reestruturação de liderança mais significativa desde a sua fundação. Eric Li, o fundador da marca, deixa hoje, 18 de agosto, o cargo de presidente do conselho de administração, entregando o lugar a Andy An. Li não desaparece da estrutura da empresa: passa a presidente honorário vitalício, mantém-se como acionista maioritário e continua à frente do grupo-mãe, a Zhejiang Geely Holding. Ainda assim, é a primeira vez que alguém fora do próprio Li ocupa a presidência do conselho da Geely Auto desde que a marca foi fundada, um sinal de transição geracional na liderança de uma das maiores construtoras automóveis chinesas.

A mudança acontece no mesmo dia em que a Geely revelou, na apresentação de resultados intercalares, uma revisão em forte alta da meta de exportações para 2026: de 640 mil para 920 mil veículos, um crescimento de quase 120% face às exportações de 2025. A empresa também definiu o objetivo mais amplo de atingir a escala de 1 milhão de vendas fora da China. Os números explicam a urgência desta aposta: as exportações da Geely dispararam 158% no primeiro semestre do ano, enquanto as vendas domésticas na China caíram 22,6% no mesmo período. Na prática, os mercados internacionais tornaram-se o único motor de crescimento da marca, num momento em que a concorrência doméstica se intensifica e a procura interna arrefece.

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Este reposicionamento estratégico já vinha a ser preparado por Andy An, o novo presidente do conselho, que em janeiro tinha traçado a ambição de longo prazo do grupo: 6,5 milhões de vendas globais até 2030, com mercados fora da China a representar mais de um terço desse total. Será An quem vai liderar a implementação da chamada estratégia “One Geely”, que junta sob uma coordenação mais centralizada as várias marcas do grupo, incluindo a própria Geely, a Volvo, a Zeekr, a Lynk & Co e a Polestar.

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A expansão internacional já se nota no terreno. A Geely Farizon, divisão de veículos comerciais do grupo, arrancou este mês com a primeira fábrica fora da China, na Indonésia, a cerca de 80 quilómetros a sudeste de Jacarta, onde já saiu da linha de montagem o primeiro veículo logístico 100% elétrico V8E montado localmente, a 13 de agosto. É um exemplo concreto da lógica que agora domina a estratégia da marca: produzir cada vez mais perto dos mercados de destino, em vez de depender exclusivamente de exportações a partir da China.

A Geely não está sozinha nesta corrida às exportações. A BYD já tinha revisto em alta, em março, a sua própria meta de exportações para 2026, de 1,3 para 1,5 milhões de veículos, um valor que continua a superar largamente o objetivo agora fixado pela Geely, mas que mostra como toda a indústria chinesa de elétricos está a apostar cada vez mais fora de portas para sustentar o crescimento, num mercado interno que já dá sinais de saturação e de concorrência feroz entre marcas.

Fontes: CnEVPost.

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