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O que são os eREVs, e faziam sentido em Portugal?

Redação Eletrificados · 6 de julho de 2026·3 min de leitura
O que são os eREVs, e faziam sentido em Portugal?

Enquanto a Europa anda entretida a discutir se o futuro é elétrico puro ou híbrido, a China resolveu seguir um terceiro caminho, e está a ter um sucesso estrondoso com ele. Chamam-se eREVs, e talvez seja a tecnologia de que ainda não ouviste falar mas que pode dar que falar por cá em breve.

O nome completo é veículos elétricos com extensor de autonomia. Apesar de soar complicado, a ideia é simples e, admita-se, bastante engenhosa. Um eREV é, para todos os efeitos, um carro elétrico: quem manda nas rodas é sempre e só o motor elétrico. A diferença é que traz lá dentro um pequeno motor a gasolina que nunca toca nas rodas. A única função dele é servir de gerador, ou seja, ir carregando a bateria enquanto andas, como uma espécie de power bank de emergência a bordo.

É aqui que está a distinção face aos híbridos tradicionais que já conhecemos. Num híbrido normal, o motor a combustão liga-se às rodas e ajuda a puxar o carro. Num eREV, isso nunca acontece. Conduzes sempre um elétrico, com o silêncio, a suavidade e o arranque imediato de um elétrico. Só que, quando a bateria começa a ficar em baixo, o gerador entra em ação e dá-te mais quilómetros, sem teres de parar para carregar.

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E é fácil perceber por que razão isto seduz tanta gente, sobretudo num país como o nosso. Imagina fazer Lisboa-Bragança ou Porto-Algarve sem teres de andar a planear paragens em função de que carregador estará ou não a funcionar na autoestrada. Com autonomias combinadas que passam facilmente os mil quilómetros, um eREV dá-te a experiência elétrica na cidade e a tranquilidade de meteres gasolina num posto qualquer se a bateria acabar. Para quem faz muitos quilómetros ou vive com a ansiedade da autonomia, é um argumento e tanto.

Há ainda uma vantagem no preço. Como o carro traz o seu próprio gerador, não precisa de uma bateria gigante de 80 ou 100 kWh. Bateria mais pequena significa custo de produção mais baixo, e isso pode traduzir-se em carros mais baratos, a atacar exatamente aquela barreira dos vinte e tal mil euros que trava tantos portugueses.

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Nem tudo são rosas, claro. Há quem torça o nariz, lembrando que continuamos a queimar gasolina e que os eREVs do passado, como o velho Opel Ampera, foram fracassos comerciais na Europa. Além disso, quando o gerador entra em funcionamento numa viagem longa, o refinamento pode sofrer, com mais ruído e vibração, e é por isso que a própria China está já a apertar as regras de qualidade destes sistemas. E há a questão de fundo: será que a Europa, tão empenhada no elétrico puro, vai abrir a porta a uma solução que ainda usa combustível?

Curiosamente, a MG, através do universo SAIC e das ligações a marcas como a Leapmotor, está bem posicionada neste mundo dos extensores de autonomia. Não é impossível que, mais cedo ou mais tarde, esta tecnologia chegue à gama que conhecemos.

Deixamos-vos a pergunta que interessa: veriam com bons olhos a chegada destes elétricos com gerador a gasolina a Portugal, para esquecer de vez os problemas dos carregadores públicos? Ou acham que o futuro tem de ser mesmo elétrico puro, sem uma gota de combustível? Digam de vossa justiça nos comentários.


Fontes: Leak, Razão Automóvel, Notícias Automotivas

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