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O Sandero elétrico está a caminho, e a Dacia promete ser mais lenta e mais barata de propósito

Redação Eletrificados · 1 de setembro de 2026·3 min de leitura
O Sandero elétrico está a caminho, e a Dacia promete ser mais lenta e mais barata de propósito

Há mais de um ano que a Dacia fala sobre um Sandero elétrico, e a mensagem mantém-se notavelmente consistente desde então: chega no final de 2027, ou já em 2028, e vai ser propositadamente menos ambicioso do que os rivais, precisamente para conseguir um preço mais baixo. É uma aposta pouco habitual no setor, numa altura em que a maioria das marcas compete por mais autonomia e mais potência de carregamento.

O Sandero é hoje o carro mais vendido da Europa, com quase 310 mil unidades entregues em 2025, e continua a ser a base do negócio da Dacia, a marca de baixo custo do grupo Renault. Denis Le Vot, presidente executivo da Dacia, já explicou por várias vezes a filosofia que vai orientar a versão elétrica: em vez de perseguir “500 a 600 km de autonomia e carregamento em 20 minutos”, como fazem muitos rivais, a marca prefere “uma autonomia mais curta e tempos de carga mais longos”, precisamente para manter o preço mais baixo possível. Le Vot já tinha admitido, inclusivamente, estar a estudar química de sódio-ião para a bateria, uma tecnologia que já explorámos aqui em detalhe, e que promete custos de matéria-prima significativamente mais baixos do que o lítio tradicional.

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Tecnicamente, o novo Sandero deverá assentar na plataforma AmpR Small, também conhecida como CMF-BEV, a mesma que já sustenta o Renault Twingo E-Tech e o Renault 5 E-Tech, que já noticiámos aqui em várias ocasiões. As especulações apontam para baterias de 40 e 52 kWh, com motores entre os 70 e os 115 kW, herdando assim boa parte da engenharia já validada nesses dois modelos, uma estratégia que reduz custos de desenvolvimento e acelera o tempo até ao mercado. Dentro do próprio grupo Renault, o Sandero elétrico vai competir diretamente com o Twingo E-Tech, que já ronda os 17 mil libras no Reino Unido, além de rivais externos como o Leapmotor T03, o Citroën ë-C3, o Hyundai Inster e o futuro Volkswagen ID.2.

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Esta estratégia de “menos é mais barato” já está a mostrar resultados concretos no balanço da Renault: o grupo regressou a lucros líquidos no primeiro semestre de 2026, com a receita a subir cerca de 9,5%, e os modelos eletrificados já representam cerca de 52% das vendas europeias da marca, dos quais 18,8% são elétricos puros. A imprensa internacional já descreveu este percurso como um caso de escola de como um construtor tradicional consegue recuperar terreno face à concorrência chinesa mais barata, ao contrário do que se receava há poucos anos, quando a Renault era frequentemente citada como exemplo do oposto. A Dacia Spring, a única versão 100% elétrica atualmente à venda pela marca, e produzida na China, viu as suas vendas europeias caírem de forma acentuada nos últimos anos, uma queda que a própria marca associa ao fim de vários incentivos à compra em mercados como a Alemanha, e que reforça a lógica por trás de um Sandero elétrico produzido dentro do próprio grupo, não importado.

Fontes: Motor1, InsideEVs, Autocar, Reuters, HighMotor, AutoHit.

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