O Xiaomi SU7 chegou às 500 mil entregas em tempo recorde, e agora enfrenta o desafio mais difícil desde que nasceu
O Xiaomi SU7 ultrapassou, na segunda-feira, a marca das 500 mil entregas acumuladas, apenas 28,5 meses depois de a marca ter começado a vender o seu primeiro automóvel, a 3 de abril de 2024. É um resultado notável para uma empresa que, há pouco mais de dois anos, era conhecida sobretudo por telemóveis e eletrodomésticos, e que hoje se tornou, segundo a própria Xiaomi, o primeiro construtor emergente chinês a ultrapassar as 500 mil entregas com um único modelo acima dos 200 mil yuans (cerca de 28.600 dólares), um patamar de preço claramente premium para o mercado chinês. Lei Jun, fundador, presidente e diretor executivo da Xiaomi, assinalou o momento nas redes sociais, agradecendo diretamente aos proprietários do SU7 pelo apoio.
O percurso até aqui foi rápido em qualquer critério: o SU7 original chegou ao mercado em março de 2024, seguido pela versão de alta performance SU7 Ultra em fevereiro de 2025, e por uma nova geração do modelo original em março deste ano. A gama inclui hoje quatro variantes, Standard, Pro, Max e Ultra, com preços de tabela entre os 219.900 e os 529.900 yuans (entre cerca de 30.600 e 73.700 dólares), o que permite à Xiaomi competir tanto no segmento premium mainstream como no segmento de alto desempenho. Segundo a marca, o SU7 lidera há quatro meses consecutivos as vendas de sedans acima dos 200 mil yuans na China.
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Abrir o comparador →Mas os números de julho, o mês mais recente com dados fechados, revelam uma imagem mais complexa do que a celebração sugere à primeira vista. O SU7 entregou 21.044 unidades em julho, uma subida de 3,09% face a junho, mas uma queda de 13,79% face ao mesmo mês do ano passado. No acumulado dos primeiros sete meses de 2026, as entregas do SU7 somam 101.540 unidades, uma quebra homóloga de 43,62%, justificada em boa parte pela transição para a nova geração do modelo, lançada em março. Somando o SU7 com o SUV YU7, lançado mais recentemente e que já entregou 114.782 unidades neste período, a Xiaomi EV ultrapassa as 760 mil entregas acumuladas desde que entrou no setor automóvel.

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É aqui que entra o problema que a própria marca não pode ignorar: para cumprir o objetivo de 550 mil entregas totais definido para 2026, a Xiaomi precisa agora de uma média de quase 67 mil veículos por mês nos cinco meses que restam do ano, um ritmo cerca de um terço acima do seu recorde mensal absoluto, os 50.212 veículos entregues em dezembro de 2025. Até julho, a empresa só tinha entregado 216.322 veículos no ano, o equivalente a 39% da meta anual. É uma distância considerável para recuperar num intervalo de tempo curto, mesmo para uma marca com o ímpeto de vendas que a Xiaomi tem demonstrado.
Parte da resposta a este desafio pode vir de um novo segmento: a Xiaomi apresentou, a 30 de julho, a sua primeira gama de veículos elétricos de autonomia estendida (EREV), a série Sky Nomad, com dois modelos SUV, o N90 Max de sete lugares, com pré-venda a partir de 299.900 yuans (cerca de 44.190 dólares), e o N70 Max de cinco lugares, a partir de 259.900 yuans. Ambos entram diretamente em concorrência com a Li Auto e com a Aito, apoiada pela Huawei, e ficam a um preço inferior ao do Tesla Model Y L, que arranca nos 339.000 yuans na China. A comercialização destes novos modelos arranca em setembro, e a Xiaomi já confirmou que os vai mostrar no Salão Automóvel de Chengdu, que decorre esta semana.
Fontes: CnEVPost, InsideEVs, TechNode, Gasgoo, Notebookcheck.
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