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Os elétricos mais baratos não são os mais vendidos em Portugal, e há uma explicação que quase ninguém refere

Redação Eletrificados · 15 de agosto de 2026·2 min de leitura
Os elétricos mais baratos não são os mais vendidos em Portugal, e há uma explicação que quase ninguém refere

Entre janeiro e julho, foram matriculados em Portugal 40.309 automóveis 100% elétricos, mais 40,7% do que no mesmo período de 2025, o equivalente a 26% de todas as matrículas de ligeiros de passageiros do país. Segundo dados pedidos à ACAP pela Razão Automóvel, eis o top 10 de elétricos mais vendidos neste período: Tesla Model 3 (3.718 unidades), Tesla Model Y (2.630), Volvo EX30 (1.412), Citroën ë-C3 (1.242), Mercedes-Benz CLA (1.072), BMW iX1 (1.023), Renault 5 E-Tech (855), Peugeot E-2008 (817), Xpeng G6 (793) e BMW iX2 (791).

A Tesla domina isoladamente: Model 3 e Model Y juntos somam 6.348 matrículas, 15,7% de todos os elétricos vendidos no país, com o Model 3 a crescer 36,1% e o Model Y a disparar 61,6% face ao mesmo período do ano passado. A distância para o terceiro classificado, o Volvo EX30, é considerável, apesar de este também ter crescido 32,7%. Só na quarta posição aparece uma proposta verdadeiramente acessível, o Citroën ë-C3, e o Xpeng G6 é o único representante de uma marca chinesa neste top 10, com 793 unidades.

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À primeira vista, este ranking parece contradizer a ideia de que a corrida aos elétricos mais baratos está a moldar o mercado português. Mas há um fator que explica boa parte deste resultado, e que raramente aparece nas conversas sobre o tema: entre 70% e 75% de todos os automóveis novos vendidos em Portugal não são comprados por particulares, mas sim por empresas, frotas e empresários em nome individual. Entre os elétricos, essa proporção sobe ainda mais, para algures entre 80% e 85%. Isto significa que quem realmente decide grande parte destas compras não é o condutor final, mas departamentos de gestão de frota, para quem critérios como o valor residual, os custos de manutenção previstos e os acordos comerciais com as marcas pesam tanto ou mais do que o preço de tabela.

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Este padrão ajuda a explicar porque é que modelos premium como o Mercedes-Benz CLA ou os dois BMW surgem tão bem posicionados: são escolhas recorrentes em frotas empresariais e em programas de renting, onde o preço de aquisição é só uma parte da equação. Também explica porque é que, apesar da chegada ao mercado português de elétricos bastante mais acessíveis nos últimos meses, esses modelos ainda não conseguiram furar este top 10, dominado por propostas de gama média a alta.

No conjunto, estes 10 modelos representam 14.353 unidades, mais de um terço, 35,6%, de tudo o que se vendeu em elétricos em Portugal nos primeiros sete meses do ano, uma concentração que mostra como, apesar da oferta cada vez mais alargada de marcas e modelos disponíveis no mercado nacional, a procura continua bastante polarizada num punhado de propostas bem estabelecidas.

Fontes: Razão Automóvel, PPLWare.

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