Os elétricos usados nunca venderam tanto em Portugal, e a rotação de stock já é a mais rápida de todas as motorizações
Já tínhamos noticiado aqui como a quota de elétricos nas vendas de usados em Portugal mais do que duplicou em dois anos. Dados mais recentes, discutidos no podcast Auto Rádio da Razão Automóvel, mostram que essa tendência não só se mantém, como está a acelerar ainda mais depressa do que os próprios números anteriores sugeriam.
Há dois anos, por cada 100 automóveis usados vendidos em Portugal, menos de sete eram elétricos. Hoje, esse número já ultrapassa os 16. O gasóleo continua a liderar o mercado de usados, com cerca de um terço das vendas, mas já perdeu mais de 14 pontos percentuais de quota em apenas dois anos, precisamente o espaço que os elétricos vieram ocupar.
O dado mais revelador: a procura já ultrapassa a oferta
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Abrir o comparador →O indicador mais concreto desta mudança está na velocidade a que os elétricos usados saem do mercado. No verão de 2024, um elétrico usado demorava em média mais de 115 dias a ser vendido. No outono de 2025, esse número já tinha descido para cerca de 100. Em abril deste ano, caiu para 69 dias; em maio, para 57; e em julho, para apenas 55 dias, atualmente a rotação de stock mais rápida entre todas as motorizações analisadas em Portugal, mais rápida até do que a gasolina, o gasóleo ou os híbridos.

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Os preços caíram, mas não é a única explicação
Roberto Gaspar, citado pela Razão Automóvel, deixou um alerta importante: “seria um erro concluir que esta tendência é irreversível”. A explicação mais óbvia para este boom são os preços mais baixos, uma consequência direta da queda acentuada no preço dos elétricos novos, que por sua vez pressiona os valores dos usados equivalentes. Nunca houve tantos elétricos novos abaixo dos 20 mil euros em Portugal como agora, o que obriga os usados a ajustar-se ainda mais para continuar a fazer sentido economicamente. O Tesla Model 3, o elétrico mais vendido em Portugal, é também o mais procurado em segunda mão, com unidades já disponíveis abaixo dos 20 mil euros.
Mas há um risco estrutural nesta equação, identificado pela própria análise: se a procura continuar a crescer mais depressa do que a oferta disponível, a pressão sobre os preços pode inverter-se, e os elétricos usados podem começar a ficar mais caros, não mais baratos, à medida que o mercado procura um novo ponto de equilíbrio. É um padrão típico de mercados em rápida transformação, onde o desequilíbrio inicial entre oferta e procura tende a corrigir-se com o tempo, nem sempre na direção que os compradores mais recentes gostariam.
Fontes: Razão Automóvel.
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