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Podes carregar o teu elétrico até 100% sem medo: o estudo com 22.700 carros que desfaz o mito da regra dos 20-80%

Redação Eletrificados · 3 de agosto de 2026·3 min de leitura
Podes carregar o teu elétrico até 100% sem medo: o estudo com 22.700 carros que desfaz o mito da regra dos 20-80%

A regra que quase todos os donos de elétricos repetem, nunca carregar acima de 80% nem deixar a bateria descer muito perto de 0%, tem um impacto muito menor do que se pensava no dia a dia normal de condução. É a conclusão de uma atualização do maior estudo de sempre sobre degradação real de baterias, feito pela Geotab, empresa canadiana de telemetria de frotas, com dados de 22.700 veículos elétricos em 21 modelos diferentes. Para uma exposição moderada a diferentes níveis de carga, a diferença de degradação é praticamente irrelevante, entre 1,4% e 1,5% ao ano, quer o condutor siga a regra dos 20-80% à risca quer não siga de todo.

A explicação está no próprio software de gestão da bateria. Mesmo quando o ecrã mostra 100%, os sistemas de gestão térmica e eletrónica dos elétricos modernos mantêm uma margem de segurança que protege as células dos extremos reais de tensão, algo que a generalidade dos condutores desconhece. Só quando um carro passa mais de 80% do tempo estacionado com a bateria num nível extremo, muito cheia ou muito vazia, durante longos períodos, é que a degradação acelera de forma significativa, para cerca de 2,0% ao ano, um padrão mais típico de veículos de frota permanentemente ligados à tomada do que do condutor comum que carrega a 100% na véspera de uma viagem longa.

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Isto não significa que a forma como se carrega seja irrelevante, apenas que o fator decisivo é outro. O mesmo estudo confirma, e já tínhamos noticiado em detalhe no guia de compra de elétricos usados, que a frequência de carregamento rápido DC é o fator isolado que mais pesa na degradação: quem carrega sobretudo a mais de 100 kW de potência perde bateria a um ritmo próximo do dobro de quem carrega maioritariamente em corrente alternada, em casa. Para quem quiser todos os números dessa comparação, incluindo o efeito adicional do clima quente, vale a pena consultar esse artigo.

Charlotte Argue, responsável sénior da Geotab para sustentabilidade de frotas, resume assim a leitura geral dos dados mais recentes: a saúde das baterias elétricas mantém-se sólida mesmo com veículos a serem carregados mais depressa e usados de forma mais intensiva do que há alguns anos, com as baterias a durar bem além dos ciclos de substituição que a maioria das frotas planeia. A taxa média de degradação subiu de 1,8% ao ano em 2023 para 2,3% ao ano na atualização mais recente, um aumento que a própria Geotab atribui ao uso crescente de carregamento rápido de alta potência, e não a um problema generalizado de fabrico das baterias.

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Na prática, para quem conduz um elétrico em Portugal, a mensagem se resume a isto: carregar a 100% antes de uma viagem longa, ou por comodidade, não é motivo de preocupação real para a maioria dos condutores. O que vale mesmo a pena gerir é o peso do carregamento rápido no total de sessões de carga, privilegiando o carregamento lento em casa sempre que a rotina o permitir, e reservando os carregadores rápidos para quando são mesmo precisos.

Fontes: Geotab confirma os números do estudo, incluindo a citação de Charlotte Argue; a Electrive confirma de forma independente as taxas de degradação por tipo de carregamento.

Costumas limitar a carga do teu elétrico a 80%, ou já deixaste de te preocupar com isso?

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