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Portugal está a crescer nos elétricos acima da média europeia há um ano inteiro, e os números já não deixam margem para dúvidas

Redação Eletrificados · 5 de setembro de 2026·3 min de leitura
Portugal está a crescer nos elétricos acima da média europeia há um ano inteiro, e os números já não deixam margem para dúvidas

Não é um mês isolado, nem um pico pontual: ao longo de praticamente todo o ano de 2026, Portugal tem registado, mês após mês, um crescimento nas matrículas de veículos 100% elétricos consistentemente acima da média da União Europeia. Os dados oficiais da ACAP e da ACEA, cruzados ao longo do ano, desenham um padrão notavelmente estável.

Um ano inteiro de dados a apontar na mesma direção

Em abril, os elétricos representaram 23,2% das novas matrículas em Portugal, e 24,3% no acumulado do ano até essa altura, já acima da média europeia registada no mesmo período. Em maio, segundo dados da ACEA, as vendas de elétricos em Portugal cresceram cerca de 34% face ao ano anterior, contra apenas 20% na média da União Europeia, um crescimento total de vendas de 9,8% em Portugal desde o início do ano, mais do dobro do crescimento médio de 4% registado no conjunto da UE. Em junho, a aceleração tornou-se ainda mais evidente: 7.572 veículos 100% elétricos matriculados, mais 63,1% do que no mesmo mês de 2025, com os elétricos, híbridos plug-in e híbridos convencionais juntos a representarem já 68% de todas as matrículas de ligeiros novos no país. No acumulado do primeiro semestre, a ACEA colocou Portugal na nona posição entre os 27 países da União Europeia em quota de elétricos, cerca de cinco pontos percentuais acima da média europeia, com 37.893 veículos elétricos matriculados, mais 42,7% face ao ano anterior. Já tínhamos noticiado aqui como agosto confirmou essa mesma tendência, com uma quota de 36,1% e um crescimento homólogo de quase dois terços.

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As três razões que explicam este avanço

Os especialistas do setor apontam para uma combinação de três fatores estruturais para explicar por que razão Portugal se destaca dentro da União Europeia. O primeiro é fiscal: já explicámos aqui em detalhe como a isenção total de Imposto sobre Veículos e de Imposto Único de Circulação para elétricos torna a equação de compra particularmente favorável em Portugal, mesmo sem grandes incentivos diretos comparáveis aos de outros mercados europeus. O segundo é a rede de carregamento público, organizada em torno da rede Mobi.e, considerada relativamente madura e bem distribuída para a dimensão do país. O terceiro é o crescimento acelerado da oferta de modelos, com marcas chinesas e europeias a lançarem, mês após mês, novos elétricos em praticamente todos os segmentos de preço, muitos dos quais já noticiámos aqui em detalhe.

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Um sinal cultural que confirma a mudança

Talvez o dado mais revelador não venha das matrículas, mas de um inquérito do Observatório ACP: em 2026, 9% dos condutores portugueses já possuem um automóvel 100% elétrico, quase o triplo dos 3,5% registados apenas um ano antes. É uma progressão rápida, que confirma que a mudança já não se limita a compradores early-adopter ou a frotas empresariais, está a chegar de forma mais ampla ao consumidor final português.

Uma nota de rigor sobre a leitura destes números

Vale a pena um esclarecimento: a própria ACEA sublinha que os dados do ano em curso são provisórios e podem ser sujeitos a revisão, e o crescimento percentual elevado em Portugal beneficia, em parte, de uma base de comparação ainda relativamente pequena face a mercados maiores como a Alemanha ou a França. Ainda assim, a consistência deste padrão ao longo de praticamente todo o ano, confirmada mês após mês por fontes independentes, torna difícil interpretar isto como um simples acaso estatístico.

Fontes: ACAP, ACEA, Diário de Notícias, EVMag, e-Konomista, Byrd.

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