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Um SUV elétrico chinês recriou a manobra mais duvidada da história automóvel, e depois teve de provar que não fez batota

Redação Eletrificados · 18 de agosto de 2026·3 min de leitura
Um SUV elétrico chinês recriou a manobra mais duvidada da história automóvel, e depois teve de provar que não fez batota

Em 2010, a Mercedes-Benz publicou um anúncio que ficou na memória de qualquer apaixonado por automóveis: Michael Schumacher, ao volante de um SLS AMG, a completar um loop de 360 graus dentro de um túnel, a desafiar a gravidade só com a força centrífuga. Durante anos, muita gente duvidou que aquilo fosse real, apontando para efeitos digitais ou para um piloto de acrobacias em vez do próprio Schumacher. Dezasseis anos depois, a Voyah, marca premium do grupo chinês Dongfeng, decidiu recriar a manobra, com um SUV elétrico familiar em vez de um super desportivo, e um final surpreendentemente parecido: outra onda de ceticismo online.

O Passion S teve de acelerar até cerca de 130 km/h e entrar na parede curva do túnel com um ângulo de direção preciso de 16 graus, deixando a força centrífuga colar o carro à superfície ao longo de toda a rotação. A margem de erro era mínima: segundo a Voyah, uma diferença de apenas 3 a 5 km/h abaixo desse limiar seria suficiente para o carro cair da parede a meio da manobra. O teste foi feito num túnel de testes fechado em Wuhan, com um Passion S de série, sem qualquer alteração técnica ou redução de peso, segundo a marca.

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A reação inicial ao vídeo, publicado a 13 de agosto, foi de desconfiança generalizada, alimentada pelo facto de a própria Voyah ter divulgado imagens cheias de cortes, sem mostrar a manobra do início ao fim numa única sequência. A marca respondeu dois dias depois, já no evento oficial de lançamento do modelo, com a publicação de um vídeo integral, sem cortes, da manobra completa. Reforçando essa credibilidade, circulou também um vídeo de uma tentativa falhada anterior, mostrando um protótipo camuflado do Passion S a cair do teto do túnel, prova indireta de que os testes, e os fracassos que os precederam, eram genuínos.

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O Passion S entrou oficialmente à venda na China no mesmo dia da publicação do vídeo sem cortes, com preços entre 229.900 e 279.900 yuans (entre cerca de 33.800 e 41.200 dólares), depois de a versão topo de gama ter estado em pré-venda por 309.900 yuans (cerca de 45.600 dólares). É um SUV de grandes dimensões, com 5,05 metros de comprimento, 3 metros de distância entre eixos e um coeficiente de arrasto de apenas 0,24, equipado com uma plataforma elétrica de 800 volts com semicondutores de carboneto de silício e tecnologia de condução assistida da Huawei. A manobra do túnel foi possível graças ao sistema de tração integral com dois motores, com uma potência combinada de 475 kW (637 cv) e 765 Nm de binário, capaz de levar o carro dos 0 aos 100 km/h em 4,5 segundos, apesar de o Passion S pesar bem mais do que dois toneladas, muito mais do que o SLS AMG original.

O gesto insere-se numa tendência mais ampla das marcas chinesas de elétricos: usar demonstrações de engenharia espetaculares para provar capacidades técnicas, semelhante ao que a BYD já tinha feito este ano com o Yangwang U9, que se tornou o carro elétrico de produção mais rápido do mundo, com 496,22 km/h. A ironia central desta história não escapou a ninguém: a Voyah recriou uma manobra cuja fama assenta precisamente no facto de nunca ter sido totalmente credível, e acabou, previsivelmente, também acusada de ter feito batota.

Fontes: CarNewsChina, InsideEVs, TheNextWeb, RushLane, Autonext.

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