Verão e carros elétricos: quanta autonomia se perde no calor (e como evitar)
Chegou o verão, os termómetros começam a bater nos 35, nos 38, às vezes nos 40 graus, e com eles chega a pergunta que assombra muito dono de elétrico: será que o calor me rouba autonomia? A resposta curta é sim, mas com nuances, e a boa notícia é que há muito que se pode fazer para minimizar o estrago.
Toda a gente já ouviu falar do efeito do frio nas baterias. O calor é o parente menos comentado, mas também conta. As baterias de iões de lítio, as que quase todos os carros usam, têm uma zona de conforto: gostam de trabalhar entre os 15 e os 35 graus, com o ponto ideal algures entre os 20 e os 25. Quando os termómetros disparam para lá disso, a resistência interna sobe e a eficiência cai.
Quanto é que se perde, afinal? Um estudo da plataforma americana Recurrent, que analisou mais de 7.500 elétricos, dá números concretos. Até aos 32 graus, a perda é pequena, entre 2 e 5 por cento, tão discreta que a maioria dos condutores nem dá por ela. A partir dos 35 graus, o corte agrava-se e pode chegar aos 15 por cento. E em calor verdadeiramente extremo, a autonomia pode encolher entre 20 e 30 por cento. Traduzindo para o mundo real: um carro que promete 400 km pode ficar-se pelos 280 num dia escaldante.
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Abrir o comparador →Há aqui um pormenor importante, e é meio contraintuitivo: grande parte deste consumo extra não vem da bateria a aquecer, mas sim do ar condicionado a trabalhar no duro para arrefecer o habitáculo. Ou seja, boa parte da “perda” está debaixo do nosso controlo.
E é por isso que vale a pena conhecer alguns truques simples, muitos deles recomendados pela própria Mobi.E, a entidade pública para a mobilidade elétrica.

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O melhor de todos é o pré-arrefecimento. Antes de arrancar, ligue o ar condicionado com o carro ainda ligado à corrente. Assim o habitáculo arrefece à conta da rede elétrica, e não da bateria, e parte já fresco. É um pequeno gesto com grande impacto.
Depois, o óbvio que muita gente esquece: estacione à sombra. Um carro ao sol torna-se um forno, e depois é a bateria que paga a fatura para o arrefecer. Se puder deixá-lo à sombra ou num sítio ventilado, ganha logo em conforto e em quilómetros.
Na condução, o modo ECO e a travagem regenerativa são seus amigos, ajudam a esticar cada carga. E se o seu MG tem bomba de calor, e a maioria dos modelos recentes tem, o sistema climatiza a bordo com muito menos gasto energético.
Por fim, dois cuidados para a saúde da bateria a longo prazo. No verão, evite carregar sempre até aos 100 por cento, porque o calor mais a carga máxima aceleram o desgaste; o ideal é ficar entre os 20 e os 80 por cento. E nunca deixe o carro estacionado ao sol com a carga muito baixa, porque ele precisa de energia da própria bateria para se manter refrigerado.
Agora a conversa passa para vocês, que são quem anda na estrada. Quanto é que o vosso MG perde nestes dias de calor? Já repararam na diferença de consumo com o ar condicionado ligado? Partilhem os vossos números aqui em baixo, ou no tópico do vosso modelo, para irmos construindo um retrato real.
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