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A Europa precisa de 24,7 mil milhões de euros para preparar as redes elétricas, e Lisboa está entre as cidades mais exigentes do sul da Europa

Redação Eletrificados · 10 de setembro de 2026·3 min de leitura
A Europa precisa de 24,7 mil milhões de euros para preparar as redes elétricas, e Lisboa está entre as cidades mais exigentes do sul da Europa

Um novo estudo, encomendado conjuntamente pela EIT Urban Mobility, pela ChargeUp Europe e pela Associação Europeia dos Fabricantes de Automóveis (ACEA), estima que a Europa vai precisar de 24,7 mil milhões de euros de investimento nas redes de distribuição elétrica até 2030, para conseguir acompanhar o crescimento já previsto dos veículos 100% elétricos. A análise, intitulada “Electricity Grids in Europe”, avaliou o impacto deste crescimento nas redes de distribuição dos 27 Estados-membros da União Europeia, mais três países do Espaço Económico Europeu.

Já tínhamos explicado aqui, com base em dados da própria Agência Internacional de Energia, que o aumento global de eletricidade necessário para uma frota totalmente elétrica é perfeitamente compatível com o crescimento normal da procura energética. Este novo estudo acrescenta agora uma camada de detalhe mais fina e mais local a essa mesma conclusão: o verdadeiro desafio não está tanto na quantidade total de eletricidade disponível, mas na capacidade concreta das redes locais de baixa tensão, sobretudo nas cidades, de absorver esse crescimento sem reforços significativos.

Lisboa entre as cidades com maior necessidade de investimento

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O estudo estima que, em 2030, entre 55% e 62% dos proprietários de elétricos nas cidades analisadas vão ter acesso a carregamento residencial, um fator que aumenta diretamente a pressão sobre as redes locais. As necessidades de investimento variam muito de cidade para cidade: na Península Ibérica, por exemplo, a estimativa aponta para cerca de 200 milhões de euros em Barcelona, e cerca de 100 milhões em Madrid, Sevilha, Valência e Saragoça, sem recorrer a sistemas de gestão inteligente da carga. Para Lisboa, especificamente, a estimativa sobe para cerca de 500 milhões de euros, um valor que coloca a capital portuguesa entre as cidades do sul da Europa com maior necessidade de investimento em reforço da rede de distribuição, um dado relevante numa altura em que já mostrámos aqui como Portugal continua a crescer nos elétricos acima da média europeia.

A boa notícia: metade desse investimento pode ser evitado

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O estudo traz também uma conclusão mais animadora: o montante total de 24,7 mil milhões de euros pode descer para cerca de 14,1 mil milhões, uma poupança de 10,6 mil milhões de euros, através da adoção generalizada de sistemas inteligentes de gestão do carregamento. É exatamente a mesma lógica que já explicámos aqui a propósito do carregamento inteligente e da tecnologia V2G: ao espalhar o carregamento pelas horas de menor procura, em vez de concentrá-lo todo ao mesmo tempo ao final do dia, é possível reduzir drasticamente a necessidade de reforçar fisicamente cabos e transformadores em cada bairro, adiando ou mesmo evitando parte significativa deste investimento.

O que isto significa, na prática

Este estudo confirma, com números concretos e localizados, algo que já vínhamos assinalando aqui de forma mais genérica: a eletrificação do parque automóvel não é, por si só, um problema para a rede elétrica europeia, mas exige planeamento antecipado e investimento direcionado, sobretudo ao nível das redes locais de distribuição em cidades densas, precisamente onde a maior parte dos condutores vive e carrega os seus carros em casa.

Fontes: Jornal Económico, EIT Urban Mobility, ChargeUp Europe, ACEA.

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