ELETRIFICADOS
Carregamento

Achas que já carregas o carro na hora mais barata? A ERSE mudou os horários da luz — e há um erro simples que pode estar a custar-te dinheiro

Redação Eletrificados · 5 de agosto de 2026·17 min de leitura
Achas que já carregas o carro na hora mais barata? A ERSE mudou os horários da luz — e há um erro simples que pode estar a custar-te dinheiro

Se tens um carro elétrico ou um plug-in e carregas em casa, provavelmente já decoraste a hora a que a eletricidade fica mais barata e programaste o carregador para arrancar nesse instante, todas as noites, sem pensar mais nisso. Pois bem — a partir de 2027, essa hora deixa de ser a mesma. A ERSE aprovou, no final de julho de 2026, uma revisão completa dos períodos horários da eletricidade em Portugal continental, e se não ajustares o temporizador quando a mudança chegar à tua fatura, vais continuar a carregar uma fatia do teu carregamento à hora mais cara, todos os dias, sem dares por isso.

A boa notícia: feitas bem as contas, carregar na hora certa continua a ser uma das poupanças mais fáceis de conseguir em casa — potencialmente mais de 200 euros por ano, só por escolher o momento em que a eletricidade custa menos de metade do preço. Este artigo explica o que muda exatamente, quando muda, quanto isso vale em euros — e, o mais importante para quem anda a rodas com bateria, como acertar o temporizador do carregador para continuares a aproveitar ao máximo.

O que muda, em resumo

A Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE) aprovou uma revisão dos períodos horários que dividem o dia em faixas de preço diferente, aplicável a quem tem tarifário bi-horário, tri-horário ou tetra-horário. Quem tem tarifa simples (preço único o dia todo) não é afetado no preço, mas mesmo esses cerca de 6 milhões de clientes vão ter os contadores atualizados para poderem consultar o consumo por período horário, num processo que se estende até 2030.

Ao todo, a mudança atinge diretamente cerca de 500 mil consumidores domésticos — 386 mil em tarifa bi-horária e quase 112 mil em tri-horária — e cerca de 70 mil clientes empresariais e industriais em tarifa tetra-horária (42 mil em baixa tensão especial e 28 mil em média, alta e muito alta tensão), que juntos representam 58% de todo o consumo elétrico nacional. Se carregas o carro em casa, há uma boa probabilidade de estares numa destas duas primeiras categorias, porque é precisamente para quem consegue deslocar consumo para a noite — como acontece com o carregamento — que estes tarifários compensam.


A tetra-horária, a tri-horária e a bi-horária são, no fundo, a mesma lógica com mais ou menos fatias: a ponta e as cheias da tetra-horária juntam-se para formar as cheias da tri-horária, que por sua vez se juntam ao vazio normal para formar o “fora de vazio” da bi-horária. Fonte: ERSE.

Quanto podes poupar a carregar na hora certa

Vale a pena parar aqui um bocado, porque é a parte que mais interessa a quem tem um carro elétrico: quanto é que isto vale, em euros?

Olhando para uma tarifa bi-horária comercial disponível em agosto de 2026 (EDP, com os descontos habituais de débito direto e fatura eletrónica), o quilowatt-hora em vazio custava 0,0951 €, contra 0,1645 € fora de vazio — ou seja, carregar em vazio fica quase 42% mais barato do que carregar fora dessa janela. Num tarifário tri-horária, usando os preços de referência do mercado regulado para 2026, a diferença é ainda mais acentuada: 0,1087 €/kWh em vazio, 0,1690 € em cheias e 0,2495 € em ponta — a hora de ponta chega a custar quase 130% mais do que o vazio, e cerca de 48% mais do que as cheias.

Na prática, para um carro com bateria de 60 kWh (o tamanho de vários elétricos populares em Portugal), uma carga completa em vazio custa cerca de 5,71 €; a mesma carga fora de vazio custa cerca de 9,87 €. São 4,16 € de diferença por cada carga completa, só por escolher a hora certa. Se carregares assim uma vez por semana, isso são mais de 200 € poupados por ano — sem mudar de tarifário, sem mudar de comercializador, só ajustando o relógio.

Para quem carrega todos os dias úteis uma quantidade mais modesta — cerca de 10 kWh, o suficiente para um trajeto casa-trabalho típico — a diferença ronda os 0,69 € por carregamento. Não parece muito, mas ao longo de um ano de dias úteis isso passa dos 180 €. Contas semelhantes, feitas pela BYD Portugal com outro tarifário, apontam para menos de 2,15 € por cada 100 km percorridos a carregar em vazio — menos de um quinto do que custaria percorrer a mesma distância a gasolina, que ronda os 11 €.

Estes valores variam consoante o comercializador, a potência contratada e eventuais descontos — por isso são exemplos ilustrativos, não uma promessa de poupança fixa. Mas a lógica mantém-se válida seja qual for o fornecedor: a diferença entre carregar dentro ou fora da janela mais barata costuma valer, sozinha, mais do que a diferença entre trocar de comercializador.

Como (e quando) reprogramar o carregador

Aqui fica o pormenor que a maior parte da cobertura sobre esta mudança não destacou: os novos horários não entram em vigor todos ao mesmo tempo, e os que mais interessam a quem tem carro elétrico — os das famílias, em bi-horária e tri-horária — só chegam às faturas entre julho e dezembro de 2027. Até lá, não há nada para mudar. Mas quando a data chegar, há um erro fácil de cometer.

Se programas o carregamento para começar exatamente às 22h, meia-noite ou outra hora “redonda” com o vazio atual, presta atenção: com a nova bi-horária, o vazio passa a começar às 22h30, não às 22h00. Meia hora pode não parecer muito, mas nos carregadores mais lentos — sobretudo os que carregam a partir de uma tomada comum, sem wallbox — esses 30 minutos iniciais de carregamento vão passar a ser cobrados ao preço mais caro, fora de vazio, todos os dias, se o hábito não for corrigido.

O mesmo vale para quem usa tri-horária: no ciclo semanal de inverno, a ponta (a hora mais cara de todas) só termina às 22h00 — antes terminava às 21h00 — por isso ligar o carregador logo a seguir ao jantar deixa de ser tão vantajoso como era em alguns dias da semana. No verão, a janela de ponta desloca-se ainda mais para a noite, terminando às 22h30.

O esquema abaixo mostra exatamente essa janela do fim de tarde/início de noite, quando mais gente chega a casa e liga tudo ao mesmo tempo — é precisamente aí que a ERSE quer incentivar a deslocação de consumos, como o arranque da máquina de lavar roupa ou o carregamento do carro, para mais tarde.

Para teres uma ideia da escala destas mudanças: a própria ERSE estima que um casal sem filhos que desloque só 2 ciclos de lavagem de roupa ou loiça por semana para um período mais barato já move cerca de 3% do consumo total da casa para essa faixa horária; um casal com dois filhos precisa de deslocar 4 ciclos por semana para chegar ao mesmo 3%. A lógica é igual para o carregamento do carro — quanto mais vezes repetires o hábito, maior o efeito na fatura.

COMPARADOR

O comparador de elétricos mais completo em Portugal

Autonomia real por clima e trajeto, poupança com preços portugueses e comparação lado a lado até quatro carros.

Abrir o comparador →
1383versões
76marcas
Realautonomia por clima
poupança vs combustível

Se tens painéis solares em autoconsumo, a lógica muda um pouco: em vez de esperares pelo vazio da noite, o mais vantajoso costuma ser programar o carregamento (ou outros equipamentos) para as horas de maior produção solar, a meio do dia, aproveitando energia que de outra forma iria para a rede a um preço de venda mais baixo do que o preço de compra.

Na prática, quando a mudança chegar à tua fatura (entre julho e dezembro de 2027, consoante o comercializador), vale a pena fazer três coisas: confirmar a nova hora de início do vazio ou das cheias diretamente na app do teu comercializador (myEDP, Galp, Iberdrola, ou outro); reprogramar o temporizador do carregador ou da app do carro (Wallbox, Ohme, myRenault, MyPeugeot, Tesla, entre outras) para começar depois dessa hora, e não antes; e, já agora, fazer o mesmo a outros equipamentos com arranque agendado, como a máquina de lavar roupa, a máquina de lavar loiça ou o termoacumulador, que costumam ser programados com base na mesma lógica.

O que muda na tarifa bi-horária

A mudança mais simples de todas, e a que afeta mais gente: o período de vazio (o mais barato, e o que interessa para carregar o carro) começa meia hora mais tarde, tanto no ciclo diário como no ciclo semanal.

Ciclo diário (o mesmo todos os dias do ano):

  • Vazio: 22:30 às 08:30 (antes começava às 22:00 e ia até às 08:00)
  • Fora de vazio: 08:30 às 22:30

Ciclo semanal, dias úteis:

  • Vazio: 00:30 às 07:30
  • Fora de vazio: 07:30 às 00:30

Sábado, a mudança é mais visível: em vez de dois períodos de fora de vazio separados (um de manhã, outro ao final do dia), passa a haver um único bloco de sete horas, das 17:00 à meia-noite. Todo o resto do sábado — e todo o domingo — é vazio. Para quem carrega ao fim de semana, isto significa mais margem de manhã e à tarde para aproveitar o preço mais baixo.

O que muda na tarifa tri-horária

Aqui a alteração mais importante não é de meia hora — é estrutural: as horas de ponta da manhã desaparecem por completo. A ponta, a mais cara das três (e a que mais vale a pena evitar se carregas o carro), passa a concentrar-se só ao final do dia.

Ciclo diário (uniforme o ano todo — acaba a distinção entre hora legal de verão e de inverno neste ciclo):

O fórum Eletrificados está aberto

Universos por marca, Radar de Entregas, calculadoras de carregamento e a garagem dos membros. Junta-te à conversa.

46 Universos de marcaRadar de EntregasCalculadorasDonos reais
Entrar no fórum
  • Vazio: 22:30 às 08:30
  • Cheias: 08:30 às 17:30 e 21:30 às 22:30
  • Ponta: 17:30 às 21:30

Ciclo semanal, dias úteis, no inverno:

  • Vazio: 00:30 às 07:30
  • Cheias: 07:30 às 17:00
  • Ponta: 17:00 às 22:00

Ciclo semanal, dias úteis, no verão: a ponta desloca-se ainda mais para o fim do dia, e fica mais curta:

  • Vazio: 00:30 às 07:30
  • Cheias: 07:30 às 19:30
  • Ponta: 19:30 às 22:30

Sábado: vazio das 00:00 às 17:00, cheias das 17:00 à meia-noite — sem ponta nenhuma. Domingo, como na bi-horária, é vazio o dia inteiro. Ou seja: para quem tem tri-horária e carrega o carro, o fim de semana inteiro passa a ser “zona segura” para ligar o carregador sem olhar ao relógio, exceto ao sábado à noite.


O esquema oficial da ERSE resume tudo o que foi dito acima, lado a lado: bi-horária (BI) e tri-horária (TRI), para o ciclo diário e para todos os dias da semana. Fonte: ERSE, “12 Perguntas & 12 Respostas”.

Porque é que a ERSE está a mexer nisto

A justificação oficial assenta em dois lados que mudaram desde a última vez que estes períodos foram definidos. Do lado do consumo, há uma eletrificação crescente de casas e empresas — mais bombas de calor, mais veículos elétricos, mais equipamento que antes usava gás — e a instalação de contadores inteligentes está praticamente concluída (99% dos clientes em baixa tensão já tinham contador inteligente no final do primeiro semestre de 2025). Do lado da produção, a energia solar e eólica descentralizada, ligada diretamente às redes locais, mudou por completo o equilíbrio entre oferta e procura ao longo do dia.

Na prática, os períodos antigos foram desenhados para um país que já não existe: hoje há mais produção solar a meio do dia e mais eletrificação a espalhar o consumo por horas que antes eram mais calmas — os carregadores de veículos elétricos entre elas. A ERSE resume assim: “a aplicação de preços diferenciados pela hora a que ocorre o consumo incentiva a gestão eficiente do consumo de eletricidade ao longo do tempo, procurando deslocar o consumo para períodos em que as redes elétricas são menos utilizadas.”

E para empresas: a tarifa tetra-horária

Para clientes em baixa tensão especial, média, alta e muito alta tensão — na prática, empresas e indústria, incluindo alguns operadores de postos de carregamento público — a tarifa tetra-horária (ponta, cheias, vazio normal e super vazio) segue a mesma lógica: elimina-se a ponta da manhã e do início da tarde, concentrando-a ao final do dia. Não é a tarifa que interessa a quem carrega o carro em casa, mas vale a pena perceber a lógica, até porque alguns postos de carregamento público são faturados exatamente assim.

A estrutura do ciclo depende do nível de tensão. Os clientes em BTE (baixa tensão especial) continuam a poder escolher entre ciclo diário (o mesmo horário todos os dias do ano) e ciclo semanal; os clientes em MT, AT e MAT perdem a opção de ciclo diário — só têm ciclo semanal, e os dois ciclos semanais que hoje existem (o normal e o “opcional”) são unificados num único ciclo semanal a partir de 2027.

Há ainda uma alternativa opcional a este novo ciclo semanal, disponível para quem está em ciclo semanal ou semanal opcional: o ciclo semanal por épocas, que os clientes podem escolher até 60 dias depois de a mudança entrar em vigor — não é uma atribuição automática por região, é uma opção. Em vez de separar o ano só entre hora legal de verão e de inverno, este ciclo divide-o em três épocas — Alta, Média e Baixa — com horários que variam consoante a instalação esteja na área de rede A, B ou C, que correspondem genericamente ao norte, centro e sul de Portugal continental. Com as novas localizações, os mapas das áreas A e B passam a ser idênticos.

Em todas as áreas e épocas, o vazio (super vazio mais vazio normal) mantém-se sempre das 00:30 às 07:30 nos dias úteis — igual à tri-horária. O que muda é a hora de início e fim da ponta:

  • Áreas A e B (Norte e Centro), dias úteis: ponta das 17:00 às 22:00 na Época Alta, das 17:30 às 22:30 na Época Média, das 19:00 às 22:00 na Época Baixa.
  • Área C (Sul), dias úteis: ponta das 18:30 às 23:30 na Época Alta (a mais longa das três áreas), das 17:00 às 22:00 na Época Média, das 18:00 às 21:00 na Época Baixa.
  • Fins de semana, todas as áreas: o vazio mantém-se das 00:00 às 06:30 (igual ao sábado e ao domingo) e o resto do dia divide-se em cheias e ponta — ao contrário da bi-horária e da tri-horária, este ciclo mantém um período de ponta também aos fins de semana, mais curto e mais tardio do que nos dias úteis. Nas áreas A e B, a ponta de fim de semana vai das 18:30 às 21:30 na Época Alta, das 19:00 às 22:00 na Época Média e das 19:30 às 22:30 na Época Baixa. Na área C, vai das 19:30 às 23:30 na Época Alta, das 18:30 às 21:30 na Época Média e das 18:00 às 23:00 na Época Baixa. E, ao contrário da bi-horária e da tri-horária, a tetra-horária por área também não reserva o domingo inteiro como vazio — sábado e domingo seguem o mesmo padrão.


A Área C (Sul) é a única das três a ter um mapa de horários diferente — a ponta da Época Alta, por exemplo, estende-se até às 23:30, mais tarde do que em qualquer outra área ou tarifário. Fonte: ERSE, “12 Perguntas & 12 Respostas”.

Um pormenor que explica a diferença: nas Áreas A e B, a Época Alta corresponde aos meses de inverno (dezembro, janeiro e fevereiro), quando o consumo dispara com o aquecimento; na Área C, a Época Alta é precisamente o oposto — julho, agosto e setembro, os meses de mais calor e mais ar condicionado. A geografia do consumo energético português explica a diferença nos horários.

Quando é que isto entra em vigor

A mudança é faseada, e mais lenta do que a proposta inicial da ERSE previa (que falava só em “não antes de janeiro de 2027”, numa única data):

  • 1 de abril de 2027 — clientes empresariais e industriais (BTE, MT, AT, MAT), tarifa tetra-horária
  • Entre 1 de julho e 31 de dezembro de 2027 — consumidores domésticos com tarifa bi-horária ou tri-horária (é esta a data que interessa à maioria de quem carrega o carro em casa)
  • Entre 1 de novembro de 2027 e 31 de março de 2030 — atualização dos contadores dos cerca de 6 milhões de clientes em tarifário simples, para poderem consultar consumos por período horário (sem mudança de preço)

A maior parte das atualizações acontece remotamente através dos contadores inteligentes, sem necessidade de visita técnica — só em casos pontuais é que será preciso um técnico presencialmente.

Compensa ou não?

A própria ERSE reconhece que o impacto pode ser positivo ou negativo, consoante o perfil de consumo de cada cliente e a sua capacidade de ajustar hábitos às novas horas. Para quem carrega o carro em casa, a resposta tende a ser mais simples do que para o consumo geral: quem já desloca o carregamento para a noite continua a beneficiar, só precisa de corrigir o relógio; quem ainda carrega a qualquer hora do dia tem aqui um motivo extra para começar a programar o carregador.

A ERSE diz estar “a desenvolver ferramentas de fácil utilização” para que cada cliente possa simular o impacto na própria fatura, a disponibilizar “oportunamente” — à data da aprovação, ainda não existia um simulador definitivo publicado, embora estejam disponíveis calculadoras em Excel associadas ao encerramento da consulta pública que antecedeu a decisão.

Uma vantagem pouco conhecida ajuda a experimentar sem medo de errar: desde outubro de 2025, consumidores domésticos e pequenos negócios (com potência contratada até 20,7 kVA) podem mudar de opção tarifária — de simples para bi-horária, de bi-horária para tri-horária, ou vice-versa — a qualquer momento, sem esperar, desde que mantenham o mesmo tipo de ciclo (diário ou semanal). Só para mudar de ciclo é preciso esperar 12 meses. Ou seja, quem tiver dúvidas sobre se vale a pena mudar para tri-horária para aproveitar melhor o carregamento do carro pode simplesmente experimentar.

Um pormenor técnico que vale a pena confirmar com o teu comercializador: os novos períodos horários são obrigatórios na tarifa de acesso às redes, tanto no mercado liberalizado como no regulado — essa parte da fatura muda para todos, sem exceção. Já a componente de energia e comercialização, que é onde está a diferença real de preço entre vazio e fora de vazio, só é automaticamente ajustada para quem está no mercado regulado. Se tens contrato no mercado liberalizado — a situação da maioria dos consumidores em Portugal — os períodos horários que valem para a tua tarifa de energia dependem do que está definido no contrato com o comercializador; a ERSE espera que os comercializadores ajustem as cláusulas contratuais nos próximos meses, mas a mudança não é automática como na parte da rede.

O que ficou por confirmar

Nenhuma associação de consumidores portuguesa (DECO PROteste incluída) se pronunciou publicamente sobre esta decisão em concreto até à data desta publicação, nem os principais comercializadores (EDP, Galp, Iberdrola) anunciaram como vão adaptar as suas ofertas comerciais aos novos períodos — compreensível, já que a implementação só arranca em abril de 2027, mas é um sinal de que a discussão pública sobre o tema ainda está a começar.

A consulta pública que precedeu esta decisão (CP137) decorreu entre novembro de 2025 e janeiro de 2026, e recebeu 31 contributos de particulares, associações, comercializadores, grandes clientes e operadores de rede. A versão final aprovada ficou mais moderada do que a proposta inicial: essa primeira versão previa, por exemplo, o vazio da bi-horária a começar às 23:00 e a ponta da tri-horária só a terminar às 23:00 — números bem mais agressivos do que os que acabaram aprovados.

Fontes: comunicado oficial da ERSE (“ERSE aprova os novos períodos horários”), documento “12 Perguntas & 12 Respostas — Eletricidade com novos períodos horários em Portugal continental a partir de abril de 2027” (ERSExplica, 31 de julho de 2026, incluindo os esquemas gráficos originais reproduzidos neste artigo), Diário de Notícias, 4gnews, pplware, Observador, Idealista, blog Yes Energy, Contas Poupança, Selectra — tarifas EDP, Doutor Finanças — vazio, cheias e ponta, PRIO — melhor horário para carregar o carro elétrico, BYD Portugal — quanto custa carregar um carro elétrico.

Já reprogramaste o temporizador do teu carregador para as novas horas, ou vais deixar para o dia em que a mudança chegar à fatura? E achas que 200 euros por ano compensam o incómodo de mudar os hábitos, ou preferias mesmo um tarifário mais simples?

Esta notícia está em discussão no fórumDonos reais, perguntas e respostas, experiências de quem conduz. Junta a tua voz. Ir para a conversa