Carregar um elétrico com energia solar: quanto se pode poupar?
Já explicámos aqui, em vários artigos, como carregar um elétrico em casa já é significativamente mais barato do que abastecer um carro a combustão. A pergunta natural a seguir é: e se essa eletricidade vier diretamente do telhado, através de painéis solares? A resposta tem números concretos, e um detalhe técnico que faz toda a diferença.
O essencial: quanto solar é preciso para um elétrico
Um elétrico médio consome entre 3.000 e 4.000 kWh de eletricidade por ano, consoante a quilometragem percorrida. Em Portugal, cada quilowatt de potência solar instalada produz tipicamente entre 1.200 e 1.600 kWh anuais, o que significa que basta adicionar entre 2 e 3 kW de painéis solares extra, para além do que já é necessário para o consumo normal da casa, para cobrir praticamente toda a eletricidade que um elétrico vai gastar ao longo de um ano.
A parte boa: o custo por quilómetro aproxima-se de zero
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Abrir o comparador →Segundo a ChargeGuru, quando um carro elétrico carrega diretamente da energia produzida pelos próprios painéis solares, durante o dia, o custo dessa carga pode aproximar-se dos zero euros, já que a eletricidade não passa sequer pela rede elétrica pública, nem gera qualquer custo de fornecimento. É uma diferença substancial face às tarifas bi-horárias em vazio, tipicamente entre 0,10 e 0,15 euros por kWh, e ainda mais significativa face ao carregamento em postos públicos rápidos.
O detalhe técnico que decide se vale mesmo a pena: a hora do dia

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Aqui está o ponto que a maioria dos guias mais entusiastas costuma deixar de fora: os painéis solares produzem energia sobretudo durante o dia, mas muitos condutores só têm oportunidade de carregar o carro à noite, depois do trabalho. Sem uma bateria doméstica para armazenar o excedente de produção do meio-dia, a taxa de autoconsumo típica em Portugal fica-se pelos 35%, segundo várias fontes especializadas nacionais, com o resto da energia produzida a ser injetada na rede, compensada a um valor muito baixo, entre 0,05 e 0,07 euros por kWh. Uma bateria doméstica de 5 kWh, com um custo instalado entre 3.500 e 4.200 euros, pode elevar essa taxa de autoconsumo para 75% a 85%, mas alonga o período de retorno do investimento total de 4-7 anos para 8-12 anos.
As contas completas, para quem já tem, ou está a pensar em instalar painéis
Para uma casa típica em Portugal, um sistema solar de 5 kWp, sem bateria, tem um retorno do investimento em cerca de nove anos, gerando entre 15 mil e 20 mil euros de poupança ao longo da sua vida útil, segundo dados nacionais recentes. Quem já tem painéis instalados e apenas quer garantir que cobrem também o consumo de um novo elétrico normalmente só precisa de acrescentar um número relativamente pequeno de painéis adicionais, um investimento com retorno geralmente mais rápido do que instalar um sistema completo de raiz, já que aproveita a estrutura, o inversor e a ligação elétrica já existentes.
O que isto significa, na prática
A conclusão prática depende do perfil de cada condutor: quem trabalha a partir de casa, ou consegue programar o carregamento para as horas de maior produção solar, tira o máximo partido possível desta combinação, com custos de carregamento praticamente nulos durante boa parte do ano. Quem carrega sempre à noite, sem bateria doméstica, continua a beneficiar de uma fatura de eletricidade global mais baixa, graças à produção solar diurna que compensa outros consumos da casa, mas não vai sentir o mesmo efeito direto e imediato no custo específico de carregar o carro. Em qualquer dos casos, a combinação de painéis solares com um elétrico continua a ser, segundo praticamente todas as fontes consultadas, um dos investimentos energéticos com melhor retorno disponível atualmente para uma casa em Portugal.
Fontes: ChargeGuru, Superchargers, Brook Energy, Reparar.com, EnergySage.
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