Cortam os cabos dos carregadores para roubar o cobre, e a GNR já registou mais de 100 casos em ano e meio
Os ladrões não estão interessados no carregador, nem no carro. O alvo está dentro do próprio cabo: o cobre. A GNR registou 101 ocorrências de furto de cabos de carregamento de veículos elétricos desde janeiro de 2025, segundo dados avançados à CNN Portugal: 75 aconteceram ao longo de 2025, e outras 26 entre 1 de janeiro e 31 de maio deste ano.
Concentrado sobretudo em dois distritos
Setúbal e Lisboa concentram a maior parte das ocorrências, com 43 e 29 registos respetivamente. Seguem-se Santarém (12), Évora (8), Leiria (5), Porto (3) e Aveiro (1). Na Margem Sul do Tejo, há relatos frequentes nas redes sociais em locais como Coina, Sobreda, Corroios, Quinta do Conde, Alcochete, Moita e Alhos Vedros, com utilizadores a descreverem postos onde “dos quatro cabos de carregamento já só sobram dois”, ou onde “já cortaram todos duas vezes”.
O fenómeno atinge sobretudo os postos rápidos e ultrarrápidos
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Abrir o comparador →A Associação Portuguesa do Veículo Elétrico (APVE) confirma que o problema incide sobretudo sobre os equipamentos de carregamento rápido e ultrarrápido, precisamente os que já explicámos aqui em detalhe a propósito da rede pública de carregamento em Portugal. A associação estima que, “especialmente entre abril e outubro” do ano passado, tenham ocorrido “algumas centenas de roubos de cabos” a nível nacional, um número bem acima dos 101 casos formalmente registados pela GNR, o que sugere uma subnotificação significativa do fenómeno junto das autoridades.
Um caso concreto que já teve desfecho em tribunal

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Em outubro de 2025, a GNR de Santarém deteve dois homens, de 28 e 38 anos, residentes em Almada, suspeitos de estarem por trás de mais de uma centena destes furtos, cometidos nos distritos de Santarém, Setúbal, Lisboa, Leiria e Évora, com prejuízos então estimados em cerca de 6 milhões de euros, resultantes do furto de 720 cabos em 300 postos de carregamento apenas nos seis meses anteriores. A investigação confirmou 94 cabos cortados, afetando pelo menos nove operadores diferentes. Já este ano, em julho, um dos condenados recebeu uma pena de nove anos de prisão efetiva por 15 crimes de furto qualificado; o segundo foi condenado a três anos e seis meses de prisão, suspensa por quatro anos, por oito crimes de furto.
Os prejuízos vão além do simples custo do material
A APVE sublinha que os danos causados por este tipo de crime ultrapassam largamente a simples substituição do cabo furtado, incluindo intervenções técnicas, períodos de indisponibilidade dos postos afetados e recursos que deixam de poder ser canalizados para a expansão e melhoria da rede. A associação defende que a proteção destes equipamentos deveria ser encarada “numa lógica semelhante à de outras infraestruturas energéticas e de serviço público relevantes para a transição energética”.
Uma nota tranquilizadora, apesar de tudo: tanto a APVE como a Associação Portuguesa de Operadores e Comercializadores de Mobilidade Elétrica (APOCME) confirmam não existir, até ao momento, qualquer indício de que os criminosos estejam a alargar este tipo de furto diretamente aos próprios veículos elétricos, para lhes retirar os cabos.
Fontes: CNN Portugal, Correio da Manhã, Executive Digest, Jornal de Notícias.
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