Fabricar sim, importar não: a nova linha de Trump para os carros chineses nos EUA
O presidente norte-americano Donald Trump admitiu, numa entrevista à Fox News, que poderia aceitar fabricantes automóveis chineses a construírem carros em solo americano, desde que essas fábricas empreguem trabalhadores norte-americanos. “Se a China quisesse vir cá abrir uma fábrica para fazer os seus carros aqui, eu ficaria bem com isso. O Japão faz isso, mas eles contratam a nossa gente. A grande questão é que contratam a nossa gente”, disse Trump ao apresentador Laura Ingraham, no programa “The Ingraham Angle”. A declaração surge cerca de dez dias antes de Xi Jinping, líder chinês, visitar a Casa Branca, a 24 de setembro.
Uma condição clara, e uma linha vermelha que se mantém
Apesar desta abertura, Trump foi taxativo quanto às importações de veículos já montados na China: “não permitimos os carros dele entrarem nos Estados Unidos, e nunca permitimos”, afirmou, referindo-se a Xi Jinping, acrescentando que, sem essa política, o mercado automóvel norte-americano ficaria “invadido”. O presidente traçou ainda outra linha vermelha específica: rejeitou a possibilidade de marcas chinesas contornarem essa barreira fabricando veículos mais baratos no México, para depois os exportarem para os Estados Unidos através da fronteira. Já tínhamos noticiado aqui como as marcas chinesas, incluindo a BYD e a Geely, têm vindo a expandir-se ativamente pelo Canadá e pelo México, precisamente a fronteira geográfica mais próxima do mercado norte-americano.
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Abrir o comparador →Uma senadora levantou suspeitas, e Trump respondeu com dureza

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Estas declarações surgem depois de a senadora democrata Elissa Slotkin ter publicado, dias antes, que corriam rumores de que Trump estaria a preparar-se para permitir a venda de carros chineses nos EUA, como parte de um acordo mais amplo com Pequim. Questionado diretamente sobre essa publicação durante a mesma entrevista, Trump respondeu sem rodeios: “é um total boato falso. Sou eu que tenho tarifas de 150% sobre qualquer carro vindo da China. Sabe quantos carros chineses temos nos Estados Unidos? Nenhum.” Quando Ingraham insistiu, perguntando se estava a comprometer-se publicamente a que nenhum carro chinês entrasse no país, Trump respondeu: “nunca sequer ouvi falar nisso. Ela inventou. É só fake news.”
Um debate que já divide o próprio setor automóvel norte-americano
Estas declarações confirmam e aprofundam exatamente o tipo de divisão que já explorámos aqui em detalhe: a Alliance for Automotive Innovation, associação que representa os principais construtores norte-americanos, incluindo os “três grandes” de Detroit, já tinha pedido formalmente ao Congresso, a 3 de setembro, uma proibição permanente da venda, importação e fabrico de veículos conectados chineses, hardware e software, antes do final da atual sessão legislativa. Um eventual acordo entre Washington e Pequim sobre este tema continua, para já, envolto em incerteza, com a própria imprensa internacional a notar que a China já terá sinalizado a possibilidade de adiar a cimeira devido a divergências sobre vendas de armamento a Taiwan.
Fontes: Bloomberg, Motor1, autoevolution, The Epoch Times, UNN.
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