O Reino Unido pode vir a baixar para metade a meta de vendas de elétricos para 2030, mesmo com as vendas a crescer 29% este ano
O governo britânico lançou ontem, dia 14 de agosto, uma consulta formal para rever as metas do seu mandato de Veículos Zero Emissões (ZEV), avaliando reduzir de forma significativa o objetivo fixado para 2030. Atualmente, a lei exige que 80% de todos os automóveis novos vendidos no Reino Unido sejam totalmente elétricos até essa data; a consulta vai analisar se esse valor deve descer para 70%, 60%, ou mesmo até 50%, com o processo a decorrer até 23 de outubro.
A meta para este ano, 33% de vendas elétricas por marca, mantém-se inalterada, assim como o objetivo final de acabar com a venda de automóveis a gasolina e gasóleo em 2030 e de eletrificar por completo o mercado até 2035. O que está em causa é o caminho intermédio: sob as regras atuais, os fabricantes teriam de atingir 38% em 2027, 52% em 2028, 66% em 2029, e só depois os 80% de 2030. É esse ritmo de subida que a consulta questiona, num pedido que chega depois de meses de pressão da indústria automóvel britânica.
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Abrir o comparador →Mike Hawes, diretor executivo da Sociedade de Fabricantes e Comerciantes Automóveis (SMMT), foi direto na crítica ao desenho atual do mandato: as metas obrigam os construtores a vender elétricos com descontos muito acentuados, numa pressão que considera insustentável para o setor. Segundo dados da própria SMMT, os híbridos plug-in representaram 14,9% do mercado britânico em julho, com 23.359 unidades matriculadas, e a consulta deverá incluir também uma secção significativa dedicada a aliviar as regras para esta tecnologia. Isto acontece apesar de dados da Comissão Europeia mostrarem que os híbridos plug-in emitem, em condução real, cerca de 3,5 vezes mais CO2 do que os valores oficiais de homologação sugerem, sobretudo porque acabam por não ser carregados nem conduzidos em modo elétrico tantas vezes quanto seria suposto.
O contexto de fundo não deixa de ser paradoxal, e várias publicações britânicas não deixaram de o assinalar: as vendas de elétricos no Reino Unido cresceram 29% este ano, representando já cerca de um quarto de todas as matrículas de automóveis novos nos primeiros sete meses de 2026, um ritmo que, segundo os próprios críticos da política, seria suficiente para cumprir a meta atual sem grande esforço adicional. A consulta surge ainda num ano marcado por temperaturas recorde e incêndios florestais no Reino Unido, incluindo danos observados esta semana nas West Midlands, região que o próprio primeiro-ministro Andy Burnham visitou.

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Heidi Alexander, secretária dos Transportes, defendeu a revisão como uma questão de pragmatismo, não de recuo: sublinhou que o objetivo final de descarbonização se mantém inalterado, mas que é preciso garantir que o caminho até lá continua a ser prático e apoia a indústria britânica. O governo destaca ainda o investimento de 7,5 mil milhões de libras já feito no setor, incluindo o Electric Car Grant, que já ajudou mais de 160 mil pessoas a mudar para um elétrico.
A decisão está longe de ser consensual. Empresas de carregamento, fornecedores de componentes para elétricos e organizações ambientais já manifestaram forte contestação à ideia de recuar nas metas precisamente quando a procura está a acelerar, com receio de que a mensagem enviada aos investidores e aos próprios compradores gere mais incerteza, não menos, sobre o rumo da transição elétrica britânica.
Fontes: Bloomberg, Energy Live News, GREENFLEET, Eastern Eye.
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