Os híbridos plug-in prometeram salvar o planeta, mas as emissões reais já são 4,6 vezes mais altas do que o previsto
Um novo estudo do Conselho Internacional de Transporte Limpo (ICCT), uma organização não-governamental de referência na análise de emissões automóveis, revela uma discrepância “significativa e crescente” entre as emissões de CO2 medidas nos testes oficiais de homologação e as emissões reais dos híbridos plug-in (PHEV) em circulação na Europa. Segundo a análise, que cobre veículos matriculados entre 2021 e 2023, as emissões médias reais foram 3,5 vezes superiores aos valores homologados em 2021, uma diferença que subiu para 4,6 vezes em 2023, o ano mais recente com dados completos disponíveis.
A explicação central do ICCT é direta: estes veículos são “carregados com menos frequência e conduzidos com menos frequência no modo elétrico do que o previsto” pelos cálculos oficiais que servem de base à sua homologação. Um híbrido plug-in só entrega a sua promessa ambiental quando o condutor o carrega regularmente e utiliza predominantemente o modo elétrico no dia a dia; quando isso não acontece, o carro passa a funcionar, na prática, sobretudo como um carro a combustão convencional, mas transportando o peso adicional de uma bateria e de um motor elétrico, o que pode até penalizar ligeiramente a eficiência face a um equivalente puramente a gasolina.
O comparador de elétricos mais completo em Portugal
Autonomia real por clima e trajeto, poupança com preços portugueses e comparação lado a lado até quatro carros.
Abrir o comparador →Este não é o primeiro alerta sobre o tema: já em abril, um estudo do centro de investigação alemão Fraunhofer ISI, e um relatório da própria Comissão Europeia, tinham apontado para um excesso de emissões reais de até 350% face aos valores WLTP homologados, com a organização ambientalista Transport & Environment a chegar a classificar publicamente estes números como “fraude”. O novo estudo do ICCT reforça e atualiza essa mesma conclusão, com dados mais recentes e uma tendência que, em vez de melhorar, está a piorar ano após ano.

O fórum Eletrificados está aberto
Universos por marca, Radar de Entregas, calculadoras de carregamento e a garagem dos membros. Junta-te à conversa.
O momento desta publicação não é indiferente ao debate político em curso: a Comissão Europeia propôs, em dezembro do ano passado, a pedido da Alemanha, o abandono da proibição de venda de novos automóveis a combustão a partir de 2035, substituindo-a por uma exigência de redução de 90% nas emissões face aos níveis de 2021, com os restantes 10% a serem compensados por outras vias. Os híbridos plug-in são precisamente uma das tecnologias que vários fabricantes, sobretudo alemães, querem manter como parte central dessa estratégia de transição. Segundo o próprio ICCT, os híbridos plug-in já representam cerca de 10% de todas as matrículas de automóveis novos na Europa entre janeiro e julho de 2026, contra 9% no mesmo período do ano anterior, enquanto os elétricos puros já atingem uma quota de 22% no mesmo intervalo, dados que já se enquadram no crescimento mais amplo do mercado europeu que temos vindo a acompanhar aqui.
Fontes: Jornal de Notícias, RTP, Jornal Económico, CNN Portugal, DNoticias, GreenSavers, ICCT.
Esta notícia está em discussão no fórumDonos reais, perguntas e respostas, experiências de quem conduz. Junta a tua voz.
Ir para a conversa