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Quantos quilómetros um elétrico precisa de andar para compensar a sua produção? A resposta pode surpreender

Redação Eletrificados · 2 de outubro de 2026·3 min de leitura
Quantos quilómetros um elétrico precisa de andar para compensar a sua produção? A resposta pode surpreender

É uma das objeções mais ouvidas sobre os carros elétricos: produzir a bateria gera mais emissões do que fabricar um carro a combustão, por isso um elétrico só "compensaria" ao fim de muitos anos de uso. Os números mais recentes, do International Council on Clean Transportation (ICCT), contam uma história bem mais curta do que isso.

Porque é que um elétrico nasce com uma "dívida" de carbono

A diferença está quase toda na bateria. Estudos do próprio ICCT situam as emissões de fabrico de uma bateria entre 56 e 494 kg de CO2 por cada kWh de capacidade, consoante a fábrica e a origem da eletricidade usada no processo, o que se traduz, ao longo da vida do carro, em cerca de 1 a 2 gramas de CO2 por quilómetro, por cada kWh de bateria instalado. É por isso que, como já tínhamos explicado aqui a propósito do tamanho das baterias, um carro elétrico com uma bateria maior nasce com uma "dívida" de carbono inicial maior. No total, fabricar um elétrico gera, em média, cerca de 40% mais emissões do que fabricar um carro equivalente a combustão.

A resposta: cerca de 17 mil quilómetros

Segundo o estudo do ICCT de 2025, essa diferença inicial é compensada, em média, ao fim de cerca de 17 mil quilómetros de condução na União Europeia, o equivalente a apenas um a dois anos de uso normal. É uma fração pequena da vida útil típica de um carro, que ronda os 150 a 200 mil quilómetros.

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E o gasóleo, que muitas vezes se pensa ser mais "limpo"?

Vale a pena desfazer um equívoco comum: segundo o mesmo estudo, um carro a gasóleo emite, ao longo do seu ciclo de vida completo, 234 gramas de CO2 equivalente por quilómetro, praticamente o mesmo que um carro a gasolina, com 235 gramas. A ideia de que o gasóleo é significativamente mais limpo do que a gasolina não se confirma nos números mais recentes.

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O que acontece depois do ponto de equilíbrio

Depois de ultrapassado esse ponto de equilíbrio, a vantagem do elétrico só aumenta: um elétrico ligado à rede elétrica média da UE emite cerca de 63 gramas de CO2 por quilómetro ao longo de todo o seu ciclo de vida, 73% menos do que um carro a gasóleo ou a gasolina equivalente. Usando apenas eletricidade de origem renovável, essa redução sobe para 78%.

Em Portugal, a conta deve ser ainda mais rápida

Estes números baseiam-se na média europeia, mas a eletricidade portuguesa é bastante mais limpa do que essa média: segundo a APREN, a intensidade carbónica da rede elétrica em Portugal continental, no acumulado entre janeiro e maio de 2026, ficou nos 56,8 gramas de CO2 por kWh, um valor muito abaixo da média europeia considerada no estudo do ICCT. Na prática, isto significa que, para quem carrega o seu elétrico em Portugal, o ponto de equilíbrio deverá ser atingido ainda mais depressa do que os 17 mil quilómetros médios europeus.

Nem tudo é fixo: a rede elétrica vai ficando mais limpa

Há ainda uma diferença estrutural a favor do elétrico: enquanto um carro a combustão mantém praticamente as mesmas emissões por quilómetro ao longo de toda a sua vida, a vantagem de um elétrico tende a crescer com o tempo, à medida que a rede elétrica onde carrega se vai tornando mais limpa. Mesmo em países com uma rede elétrica mais dependente de combustíveis fósseis, como a Alemanha, o ICCT garante que o período de recuperação das emissões de fabrico nunca ultrapassa os três anos.

Fontes: ICCT, APREN.

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