Uma fábrica no Kentucky pode ser o elo em falta para os Estados Unidos finalmente competirem nas baterias do futuro
A Anthro Energy, uma empresa de materiais para baterias fundada a partir da Universidade de Stanford, colocou a primeira pedra, a 19 de agosto, daquilo que descreve como a primeira fábrica de eletrólitos avançados totalmente detida e operada por capital norte-americano, em Louisville, no estado do Kentucky. Não é um marco menor: o eletrólito é o material que transporta a carga elétrica entre os dois polos de uma bateria de iões de lítio, e é hoje, em praticamente todas as baterias comerciais, um líquido inflamável importado, em larga medida, de fornecedores ligados à China.
A tecnologia central da Anthro, batizada Anthro Proteus, substitui esse eletrólito líquido convencional por um material que começa em estado líquido, facilitando o fabrico da célula, e depois solidifica dentro dos elétrodos, uma abordagem que a empresa diz tornar as baterias mais seguras, mais densas em energia e mais flexíveis do ponto de vista de engenharia. É também uma tecnologia com aplicação direta no futuro das baterias semissólidas e de estado sólido, o tema que já explorámos aqui em detalhe a propósito da corrida entre a CATL, a BYD, a Toyota e a Samsung SDI.
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Abrir o comparador →Prevista para entrar em funcionamento no final de 2027, a fábrica de Louisville deverá produzir cerca de 12.000 toneladas métricas de eletrólito polimérico avançado por ano, uma quantidade suficiente para suportar até 25 GWh de produção de baterias de iões de lítio anualmente. Para dar dimensão a este número: a própria Anthro Energy diz que essa capacidade chega para equipar mais de 300 mil veículos elétricos por ano. David Mackanic, presidente executivo e cofundador da empresa, sublinhou que 70% da produção atual de baterias nos Estados Unidos está a menos de doze horas de estrada da nova fábrica, o que a coloca no centro geográfico daquilo a que a indústria já chama o “Battery Belt” norte-americano, a região que concentra a maior parte das fábricas de baterias e de veículos elétricos do país.

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O projeto tem sido construído com apoio público substancial: um subsídio de 24,9 milhões de dólares do Departamento de Energia dos Estados Unidos, ao abrigo da Lei de Investimento em Infraestruturas e Empregos, mais 18,4 milhões de dólares em créditos fiscais ao investimento através do programa 48C da Lei de Redução da Inflação, e ainda 2,3 milhões de dólares em incentivos do próprio estado do Kentucky, associados à criação de 110 postos de trabalho permanentes. A construção deverá gerar ainda cerca de 390 empregos temporários. Um dos argumentos centrais da Anthro Energy é a independência face à China: a empresa garante que os materiais usados na fábrica não estarão sujeitos às restrições de “entidade estrangeira preocupante” (FEOC, na sigla em inglês), a designação que pode excluir fornecedores de contratos apoiados pelo governo norte-americano quando têm ligações a determinados países, sobretudo à China.
Este investimento surge num contexto mais amplo de tentativa dos Estados Unidos de reduzir a dependência de fornecedores chineses em toda a cadeia de valor das baterias, desde a extração de matérias-primas até ao fabrico de células. Enquanto a Ásia continua a dominar largamente a produção mundial de baterias de iões de lítio, projetos como o da Anthro Energy representam uma tentativa concreta, ainda modesta em escala global, de construir uma cadeia de fornecimento alternativa em solo americano, com aplicações que vão muito além dos automóveis: a própria empresa aponta a defesa, a eletrónica de consumo, a robótica e o armazenamento de energia como mercados-alvo, para além da mobilidade elétrica.
Fontes: Electrek, Electrive, TechCrunch, Interesting Engineering, PRNewswire/StreetInsider.
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