A BYD desistiu da sua fábrica própria na Malásia, e a explicação está em condições que "não faziam sentido"
A BYD confirmou que não vai avançar com a construção da sua fábrica de montagem própria em Tanjung Malim, no estado malaio de Perak, anunciada há apenas um ano. Jacob Ma, diretor-geral da BYD Malásia, garantiu, no entanto, que o compromisso da marca com a produção local no país se mantém, através de um parceiro de montagem por contrato, ainda sem nome revelado, com as negociações já numa fase avançada.
As condições impostas pelo governo que travaram o projeto
O projeto original, anunciado em agosto de 2025, previa uma fábrica de montagem CKD (completamente desmontada) inteiramente financiada pela BYD, numa área de 150 acres em Tanjung Malim, com produção prevista para o segundo semestre de 2026. A licença provisória de fabrico foi concedida em setembro de 2025, mas veio com condições reveladas só em março: as vendas domésticas ficariam limitadas a 10 mil veículos por ano, apenas um quinto da capacidade projetada de 50 mil unidades, com o resto obrigatoriamente destinado a exportação, e os carros montados localmente teriam de ter um preço mínimo de estrada de 100 mil ringgit malaios (cerca de 24.600 dólares). Segundo análises do setor, estas exigências de exportação em larga escala obrigariam a BYD a construir toda uma cadeia de fornecimento, logística e sistema de vendas internacional de raiz, tornando o investimento numa fábrica autónoma pouco atrativo face à alternativa de produção por contrato.
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Este recuo não é um caso isolado: a BYD já tinha desistido, este ano, de um plano semelhante para uma fábrica em Manisa, na Turquia, com capacidade prevista para 150 mil veículos. A montagem local por contrato na Malásia seria a quarta linha de produção da marca no Sudeste Asiático, depois das fábricas próprias em Rayong, na Tailândia, e Subang, na Indonésia, esta última aberta este mês, além de uma unidade no Camboja, ainda que, ao contrário dessas, funcione num regime de contrato com um parceiro, não de propriedade total da BYD.
A Malásia continua a ser um mercado relevante para a marca
Apesar do recuo na fábrica própria, os números do mercado malaio continuam a favorecer a BYD: desde a entrada no país em 2022, a marca já vendeu mais de 35 mil veículos, incluindo mais de 7.500 apenas no primeiro semestre de 2026, e terminou 2025 como a marca de veículos de nova energia mais vendida do país. Jacob Ma resumiu a posição da marca de forma direta: “os planos podem evoluir, os locais podem mudar, as estratégias podem ser ajustadas, mas o que se mantém constante é o nosso compromisso com este mercado.”
Fontes: The Star, Free Malaysia Today, ChinaEVHome, Ad-Hoc-News.
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