A GM continua a dizer que os elétricos são o "destino final", mesmo depois de sucessivos recuos no calendário
Mary Barra, presidente-executiva da General Motors, reafirmou, numa entrevista recente ao podcast Titans, da revista Fortune, que os veículos 100% elétricos continuam a ser o “destino final” e a “estrela-guia” da marca, apesar de reconhecer que o caminho até lá está a ser “mais longo e mais acidentado” do que a própria empresa tinha planeado inicialmente.
As razões que Barra aponta para o abrandamento
Questionada sobre por que razão a transição elétrica nos Estados Unidos está atrasada face à China e à Europa, Barra apontou primeiro para o ambiente regulatório, citando ainda uma rede de carregamento ainda incompleta e questões práticas do ponto de vista do consumidor. A própria responsável reconheceu que a política pública tem um papel decisivo: segundo Barra, tanto a China como a Europa beneficiaram de regulamentação que incentivou ativamente a adoção de elétricos, complementada por políticas que ajudaram a construir redes de carregamento mais robustas, um contraste direto com o cenário regulatório mais instável nos EUA.
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Apesar da reafirmação pública, Barra confirmou que a GM vai continuar a oferecer múltiplas opções de motorização, incluindo híbridos, em vez de depender exclusivamente de elétricos no curto prazo, projetando que os elétricos representem entre 40% e 50% das vendas totais da marca até 2030. É importante enquadrar esta mensagem no contexto mais amplo da própria trajetória da GM: a marca já tinha adiado, por várias vezes ao longo dos últimos anos, planos concretos como a segunda fábrica de camiões elétricos e o primeiro elétrico da Buick, inicialmente prometido para 2024, sem que a própria empresa tenha ainda avançado uma nova data concreta para esse modelo.
Um sinal de que a economia do mercado usado já está a mudar
Um dado recente da Cox Automotive, citado à parte destas declarações, oferece um contraponto interessante ao discurso de desaceleração: em maio de 2026, os valores grossistas de elétricos usados subiram 11,4% em termos homólogos, contra apenas 3,3% nos equivalentes a combustão, um efeito diretamente ligado à subida dos preços da gasolina nos Estados Unidos. É um sinal de que, mesmo com os incentivos federais mais fracos, a economia de utilização de um elétrico pode continuar a melhorar por razões puramente relacionadas com o preço dos combustíveis fósseis, já sem depender de apoios estatais.
Fontes: Fortune, Automania, Autoevolution, GM Authority, The Truth About Cars.
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