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A China pede "abertura" comercial à UE, mesmo enquanto a Alemanha pressiona por mais tarifas

Redação Eletrificados · 18 de setembro de 2026·3 min de leitura
A China pede "abertura" comercial à UE, mesmo enquanto a Alemanha pressiona por mais tarifas

A China defendeu hoje que a sua indústria de veículos elétricos oferece produtos competitivos aos consumidores mundiais, e instou a União Europeia a manter a “abertura e cooperação”, numa altura de tensões comerciais crescentes no setor. O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, Guo Jiakun, afirmou, em conferência de imprensa, que Pequim respeita as regras da Organização Mundial do Comércio (OMC) e proporciona às empresas de todos os países um ambiente de negócios “justo, equitativo e não discriminatório”.

Uma resposta direta a uma pressão vinda da Alemanha

Estas declarações surgem depois de o ministro alemão das Finanças, Lars Klingbeil, ter instado, na quinta-feira, a União Europeia a alargar aos híbridos plug-in fabricados na China as tarifas já aplicadas aos elétricos, e a endurecer as regras relativas a componentes produzidos localmente para proteger os fabricantes europeus. Já tínhamos noticiado aqui, a propósito de outra notícia, como a quota de mercado dos híbridos plug-in produzidos na China já saltou de 18% para 30% na Europa, precisamente por, até agora, escaparem às tarifas mais pesadas já aplicadas aos elétricos. Klingbeil defendeu uma resposta a “práticas comerciais desleais” e um “tratamento mais firme dos Estados que ameaçam a nossa indústria”, embora tenha feito questão de dizer não ser “um detrator da China”.

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Guo Jiakun não deixou margem para dúvidas sobre a posição de Pequim

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“A essência das relações económicas e comerciais entre a China e a UE é o benefício mútuo, e não uma competição de ‘tudo ou nada’ em que um ganha e outro perde”, afirmou Guo, acrescentando que a resolução das divergências comerciais através do diálogo e de consultas em pé de igualdade corresponde aos interesses comuns das duas partes. O porta-voz deixou ainda um aviso direto: “vamos acompanhar de perto as ações do lado europeu e adotar as medidas necessárias para salvaguardar os direitos e interesses legítimos das empresas chinesas”.

Bruxelas também já reforçou o discurso, com uma nova estrutura anunciada

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, tinha já apresentado, na quarta-feira, no discurso sobre o Estado da União, as principais linhas de ação de Bruxelas para o novo ciclo político, afirmando que a UE vai usar os instrumentos à sua disposição para “reequilibrar” as relações económicas com a China. Von der Leyen anunciou ainda a criação de uma nova Corporação de Matérias-Primas Críticas, uma estrutura destinada a ajudar o bloco comunitário a adquirir e armazenar matérias-primas necessárias à produção de elétricos, semicondutores e equipamento de defesa. Bruxelas tem insistido, nos últimos meses, que as relações económicas com a China são “insustentáveis”, apontando para um défice comercial anual de cerca de 360 mil milhões de euros e para a pressão exercida por setores industriais chineses como os elétricos, as baterias, os painéis solares e os produtos químicos.

Fontes: Jornal Económico (com Lusa), Ministério dos Negócios Estrangeiros da China.

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