A Volvo admite que exagerou nos ecrãs, e os botões vão mesmo regressar
A Volvo confirmou que vai reintroduzir comandos físicos nos seus próximos modelos, depois de anos a apostar quase tudo em interfaces baseadas em ecrãs táteis. O anúncio foi feito por Thomas Ingenlath, diretor de design da marca, que está de regresso à Volvo depois de ter liderado a Polestar, numa sessão de perguntas e respostas a seguir à apresentação da Strategy Update 2026 da marca esta semana. Já tínhamos noticiado aqui esta mesma tendência a propósito de outras marcas; a Volvo junta-se agora, de forma particularmente franca, a esse movimento mais amplo da indústria.
Uma admissão pouco habitual, vinda de quem ajudou a criar o problema
Ingenlath reconheceu abertamente que colocar praticamente todas as funções atrás de um ecrã pode não ter sido, afinal, uma ideia assim tão brilhante, depois de anos de críticas crescentes por parte de clientes e da imprensa especializada face a interiores demasiado dependentes de ecrãs. É uma autocrítica notável, vinda de uma marca que, há uma década, sob o próprio Ingenlath, tinha sido pioneira precisamente nessa aposta em ecrãs centrais dominantes.
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O responsável foi rápido a gerir expectativas: não vão voltar as “filas e filas” de botões intercambiáveis típicas de carros da marca com duas décadas, como o antigo XC90. Em vez disso, a lógica proposta é mais seletiva: “qualquer função que apareça sempre visível no ecrã não devia estar no ecrã”, explicou Ingenlath, usando o exemplo do controlo de climatização, hoje gerido através do ecrã central em muitos modelos da marca, uma fonte comum de frustração em dias frios, sobretudo quando o próprio ecrã reage mal a baixas temperaturas. Para justificar esta filosofia, Ingenlath recorreu a uma comparação inesperada: uma câmara Leica clássica, onde o valor não está apenas em conseguir operar fisicamente o equipamento, mas na sensação, no som de um clique, e no facto de cada função ter uma forma e um modo de interação distintos.
Parte de uma tendência que já atravessa toda a indústria
Este anúncio da Volvo confirma e reforça uma tendência que já explicámos aqui, a propósito do Skoda Epiq e de vários modelos recentes da Volkswagen: a indústria está, de forma cada vez mais generalizada, a recuar da dependência total de ecrãs táteis. A própria Mercedes-Benz já tinha anunciado um caminho semelhante, começando pelo volante do futuro GLC elétrico, e a nova exigência do Euro NCAP, já em vigor desde janeiro deste ano, que já explicámos aqui, obriga a comandos físicos para funções de segurança essenciais como os piscas, os quatro-piscas, a buzina e os limpa-para-brisas. A Volvo ainda não revelou detalhes técnicos concretos sobre quais as funções que vão receber comandos dedicados, mas confirmou que essa nova filosofia de interação vai ser antecipada por um carro-conceito, ainda no início do próximo ano.
Fontes: Motor1, Auto Express, The Supercar Blog, Motor Illustrated.
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