Se não limitarem, limitamos nós: a UE quer travar os híbridos chineses, como já fez com os elétricos
A União Europeia propôs à China que limite voluntariamente as exportações de automóveis híbridos para o mercado europeu, segundo avançou o Financial Times, citando três fontes conhecedoras das negociações. Bruxelas pretende que Pequim se comprometa a reduzir a quota dos híbridos fabricados na China para cerca de 15% do mercado europeu, uma descida acentuada face aos mais de 33% que representam atualmente. Já tínhamos noticiado aqui a resposta da China a pressões semelhantes vindas da Alemanha; esta proposta mostra que a própria Comissão Europeia já está a preparar uma resposta formal e coordenada.
Um aviso direto, sem grandes rodeios diplomáticos
Um responsável europeu, citado pelo Financial Times, deixou o aviso de forma direta: “se eles não limitarem as exportações para o nosso mercado, então fá-lo-emos nós”, acrescentando que o objetivo é “travar a desindustrialização” e avançar para uma lógica de “comércio gerido”. Esta pressão intensificou-se depois de as importações de híbridos chineses terem atingido um máximo histórico no segundo trimestre deste ano, com mais de 50 mil unidades importadas apenas até julho.
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Abrir o comparador →A explicação técnica: um vazio regulatório que os híbridos exploraram
A raiz do problema está numa lacuna que já explicámos aqui em detalhe: quando a UE impôs, em outubro de 2024, direitos compensatórios até 45% sobre os elétricos fabricados na China, os híbridos e híbridos plug-in ficaram de fora dessa mesma medida, sujeitos apenas à taxa aduaneira normal de 10%. As marcas chinesas perceberam rapidamente essa diferença, e passaram a usar os híbridos plug-in como via de entrada mais fácil no mercado europeu, acelerando o crescimento que já não conseguiam replicar da mesma forma nos elétricos puros.

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Um precedente histórico de quase 40 anos
Bruxelas procura, com esta proposta, replicar um acordo semelhante alcançado com o Japão em 1986, quando Tóquio aceitou limitar voluntariamente as suas exportações de automóveis para a Europa, uma restrição que se manteve até 1999. Esse acordo histórico acabou por levar fabricantes japoneses, como a Toyota e a Nissan, a investir diretamente em fábricas na Europa, ou a estabelecer parcerias locais, precisamente o tipo de resultado que a UE parece agora procurar replicar com as marcas chinesas.
Reuniões decisivas já marcadas para outubro
O comissário europeu do Comércio, Maros Sefcovic, pretende obter resultados concretos até outubro, com uma deslocação a Pequim já prevista para o início desse mês. Para além dos automóveis, Bruxelas apresentou propostas semelhantes de restrição voluntária para outros produtos chineses, incluindo químicos, ao mesmo tempo que pede a Pequim que aumente as compras de bens europeus. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, já tinha sublinhado, no discurso sobre o Estado da União, que o défice comercial da UE com a China, de cerca de mil milhões de euros por dia, atingiu um “ponto de viragem”. A China, por seu lado, já rejeitou publicamente as acusações europeias de excesso de capacidade produtiva, considerando-as protecionistas, tal como já tínhamos noticiado aqui.
Fontes: Financial Times (via Observador, DNotícias, Jornal de Negócios, Dinheiro Vivo, Razão Automóvel, e-Auto, PPLWare).
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