Carregar um elétrico em casa também vai ficar mais caro a partir de outubro, e a explicação é a mesma da gasolina
A partir de 1 de outubro, a tarifa de Energia do mercado regulado de eletricidade vai subir 0,005 euros por kWh, um aumento anunciado pela Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE), que se traduz numa subida média de 2,7% na fatura mensal para os cerca de 779 mil clientes ainda neste regime. Já tínhamos noticiado aqui como o gasóleo se preparava para bater um novo recorde histórico; esta subida da eletricidade confirma que o mesmo contexto internacional já não afeta apenas os combustíveis fósseis.
A mesma causa por trás de duas subidas diferentes
A própria ERSE é direta na justificação: “a magnitude desta subida era de difícil previsão aquando da definição das tarifas para 2026, uma vez que se deve em grande parte aos efeitos da guerra entre o Irão e os Estados Unidos, que impulsionou o preço do gás natural e, consequentemente, o da energia elétrica”. É exatamente o mesmo conflito armado que já tínhamos identificado aqui como a explicação central para a escalada dos preços dos combustíveis, agora a propagar-se também à eletricidade, através de um mecanismo menos óbvio, mas igualmente direto: o gás natural continua a ter um papel central na formação do preço grossista da eletricidade europeia.
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Para um agregado familiar de duas pessoas, a ERSE estima um aumento médio de 0,95 euros por mês; para uma família de quatro pessoas, esse valor pode chegar aos 2,7 euros mensais. No caso específico de quem carrega um elétrico em casa, a Razão Automóvel fez as contas: considerando um consumo médio de 18 kWh por cada 100 km e cerca de mil quilómetros percorridos por mês, a subida representa, por si só, um acréscimo de aproximadamente 90 cêntimos mensais, um valor claramente residual quando comparado com a subida equivalente no custo de abastecer um carro a gasóleo ou a gasolina.
Uma subida que não é obrigatória para todos
Vale a pena um esclarecimento importante: esta atualização aplica-se apenas aos clientes do mercado regulado, cerca de 4,6% do consumo total de eletricidade em Portugal. A própria ERSE sublinha que “o mercado livre não é obrigado a acompanhar esta atualização”, já que cada comercializador segue a sua própria estratégia de aprovisionamento e condições comerciais, o que significa que o impacto real para quem está fora do mercado regulado vai depender inteiramente do contrato e do fornecedor escolhido.
Fontes: TSF, Observador, Jornal de Negócios, Razão Automóvel, ERSE (comunicado oficial).
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