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Os elétricos vão ganhar uma garantia oficial de bateria, mas não é bem o que parece

Redação Eletrificados · 18 de setembro de 2026·3 min de leitura
Os elétricos vão ganhar uma garantia oficial de bateria, mas não é bem o que parece

A partir de 29 de novembro deste ano, entram em vigor as primeiras exigências da norma europeia Euro 7, aplicáveis a todos os novos tipos de automóveis de passageiros e comerciais ligeiros ainda não homologados. Pela primeira vez, uma regulamentação europeia vai muito além das emissões de escape, e inclui, entre outras novidades, requisitos mínimos de durabilidade de bateria diretamente relevantes para quem conduz, ou está a pensar comprar, um elétrico.

O número central: 80% de capacidade até aos cinco anos

Segundo o Regulamento (UE) 2024/1257, a bateria de alta tensão de um elétrico ou híbrido plug-in de passageiros terá de conservar pelo menos 80% da sua capacidade energética inicial até aos cinco anos ou 100 mil quilómetros, o que ocorrer primeiro. Depois desse período, e até aos oito anos ou 160 mil quilómetros, a exigência desce para 72%. Nos comerciais ligeiros, os valores são ligeiramente diferentes: pelo menos 75% até aos cinco anos ou 100 mil km, e 67% até aos oito anos ou 160 mil km.

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A parte que muitos títulos deixam de fora: isto não é uma garantia comercial

Aqui está o esclarecimento mais importante desta história, e que já tínhamos identificado, a propósito de outro assunto, como sendo essencial: estes valores são requisitos mínimos de desempenho para efeitos de homologação, não uma garantia comercial automática de oito anos para todos os elétricos vendidos na Europa. As condições concretas de garantia continuam a depender de cada fabricante, que pode, e frequentemente já oferece, condições mais generosas do que este mínimo regulatório. O que a Euro 7 garante é um piso comum abaixo do qual nenhum modelo homologado pode ficar, não o fim das diferenças entre marcas.

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Os travões também entram na conta, e os elétricos não escapam

Pela primeira vez, a legislação europeia estabelece limites para partículas que não vêm do escape, nomeadamente dos travões e dos pneus. Nos automóveis de passageiros, o limite passa a ser de 7 mg/km para veículos a combustão, mas de apenas 3 mg/km para elétricos, uma diferença que se explica, em parte, pelo facto de os elétricos recorrerem muito mais à travagem regenerativa, que já explicámos aqui em detalhe, reduzindo naturalmente o desgaste dos travões mecânicos. Ainda assim, é a confirmação oficial de que mesmo um carro sem qualquer emissão de escape continua a libertar partículas para o ambiente, através de uma fonte diferente.

Um esclarecimento final, para quem já tem carro

A Euro 7 não torna ilegais os carros já em circulação. As novas regras aplicam-se apenas a veículos novos, com uma entrada em vigor faseada: 2026 para os novos tipos de modelos ainda não homologados, 2027 para os restantes automóveis novos dessa mesma categoria, e datas ainda mais tardias para os requisitos específicos de abrasão de pneus, entre 2028 e 2034, consoante a classe. Os veículos pesados, autocarros e camiões só ficam sujeitos a esta norma a partir de maio de 2028.

Fontes: Razão Automóvel, RFM, Postal, EUR-Lex (Regulamento UE 2024/1257).

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