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Software: porque é que um carro elétrico pode melhorar depois de ser comprado?

Redação Eletrificados · 13 de setembro de 2026·3 min de leitura
Software: porque é que um carro elétrico pode melhorar depois de ser comprado?

Durante décadas, comprar um carro significava aceitar que aquilo que se via no dia da entrega era, essencialmente, aquilo que se ia ter durante os anos seguintes. O motor, a suspensão, o comportamento geral do carro estavam fixos de fábrica, e qualquer melhoria significativa só chegaria com o modelo seguinte. Com os elétricos modernos, essa lógica começou a mudar de forma real.

A ideia central: o carro passou a ser, em parte, um produto de software

Um elétrico moderno já não é definido apenas pelo motor e pela mecânica; é cada vez mais controlado por uma arquitetura de computação centralizada, capaz de gerir baterias, motores, travagem regenerativa e sistemas de condução assistida através de software, não apenas de hardware fixo. Esta abordagem, conhecida no setor como “veículo definido por software” (SDV), permite que um carro receba atualizações remotas (OTA, “over-the-air”) que alteram genuinamente o comportamento do veículo, sem qualquer intervenção física numa oficina.

Exemplos concretos: não é só o ecrã que muda

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A Lucid já reportou, em 2026, atualizações capazes de aumentar a autonomia até 10%, através de otimizações ao sistema de gestão da bateria e a algoritmos de carregamento mais inteligentes. A Cadillac confirma que os seus modelos LYRIQ e Escalade IQ continuam a receber melhorias de desempenho e novas funcionalidades ao longo de toda a vida do carro, sem qualquer visita ao concessionário. Estas atualizações não se limitam a corrigir pequenos erros: podem afinar a resposta da travagem regenerativa, ajustar a suavidade da aceleração, melhorar a precisão dos sistemas de assistência à condução, ou até introduzir novos algoritmos de inteligência artificial capazes de reduzir avisos falsos em sistemas de deteção de colisão.

Porque é que isto é mais fácil num elétrico do que num carro a combustão

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A explicação técnica está na própria natureza de um elétrico: um motor elétrico, ao contrário de um motor a combustão, é controlado quase inteiramente por software, através do inversor que gere a corrente entregue ao motor em tempo real. Isto significa que muitos ajustes de desempenho, eficiência e comportamento, que num carro a combustão exigiriam alterações mecânicas físicas, podem, num elétrico, ser feitos apenas com uma alteração de código. A própria gestão térmica da bateria, que já explicámos aqui ser central para a velocidade de carregamento, é outro exemplo direto: pequenos ajustes de software na forma como a bateria é aquecida ou arrefecida podem melhorar genuinamente a experiência de carregamento, sem qualquer alteração física ao pack.

Uma vantagem que também protege o valor do carro ao longo do tempo

Um efeito menos óbvio, mas real, destas atualizações contínuas é a proteção do valor de revenda: um carro que continua a receber melhorias genuínas ao longo dos anos tende a envelhecer melhor, tecnologicamente, do que um carro “congelado” no dia da compra. Casos como o Kia EV9, que já recebeu atualizações de software para corrigir avisos de luzes de alerta indesejados, mostram ainda outra vantagem prática: muitos problemas que antes exigiriam uma visita obrigatória à oficina já podem, hoje, ser resolvidos remotamente, poupando tempo e incómodo ao proprietário.

O que isto significa, na prática

A conclusão prática para quem está a comparar elétricos é simples de reter: já não basta perguntar “o que é que este carro faz hoje”, vale também a pena perguntar “com que frequência, e com que profundidade, esta marca costuma atualizar os carros que já vendeu”. Já vimos aqui, a propósito de marcas como a Rivian ou a Xpeng, exemplos concretos de atualizações substanciais entregues muito depois da compra original; essa frequência e essa profundidade de atualização estão a tornar-se, cada vez mais, um critério de compra tão relevante como a autonomia ou o preço.

Fontes: Siemens, Stanga, TechTimes, CarsOnDisplay, Cadillac (Loehmann-Blasius).

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