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A Tesla pressionou o regulador holandês para reduzir a análise ao FSD, segundo emails obtidos pela Reuters

Redação Eletrificados · 9 de outubro de 2026·4 min de leitura
A Tesla pressionou o regulador holandês para reduzir a análise ao FSD, segundo emails obtidos pela Reuters

Lisboa, 9 de outubro. A Tesla pressionou o regulador holandês RDW para acelerar e reduzir a análise ao FSD (Supervised), segundo uma investigação da Reuters de 7 de outubro, baseada em centenas de páginas de correspondência entre a empresa e reguladores de sete países europeus, obtidas através de pedidos de acesso a documentos públicos. Este texto apoia-se no Electrek e no Automobile Propre, que citam a investigação. Não conseguimos aceder ao texto original da Reuters.

Em novembro de 2024, um funcionário da Tesla disse ao RDW que começar os testes aos veículos até ao fim do mês era “crítico para a nossa liderança”. Em abril de 2025, a Tesla classificou como “custo extremamente elevado” a fatura de 365.000 euros do RDW por cinco meses de trabalho, reteve o pagamento até receber uma contabilização hora a hora e contestou o pagamento da deslocação de cinco técnicos à fábrica de Berlim. Cerca de uma semana depois, o RDW convidou a Tesla a sugerir formas de reduzir o esforço exigido.

Segundo os emails, o RDW aceitou acompanhar parte dos testes à distância, em vez de enviar um inspetor, evitou entrar em pormenores técnicos das atualizações remotas e concordou em avisar a Tesla com antecedência dos planos de teste e dos nomes dos condutores de segurança. O RDW afirma que o seu envolvimento não compromete a independência da análise, mas apagou grande parte dos emails e recusa publicar os dados dos testes de FSD, invocando segredo comercial da Tesla. A Tesla já tinha dito à Europa que o FSD tem 4,1 vezes menos colisões, como noticiámos aqui. Sete investigadores de segurança rodoviária ouvidos pela Reuters consideram a amostra demasiado pequena para comparações válidas. O estudo mede indicadores indiretos, como buzinadelas e travagens bruscas, em vez de acidentes, e usou condutores de teste profissionais da empresa. A própria Tesla escreve que as comparações não são “estimativas causais”.

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Na assembleia de acionistas de 2025, Elon Musk disse que a pressão dos clientes sobre os reguladores europeus “seria apreciada”. Os reguladores da Suécia e da Noruega receberam muitos emails de proprietários, muitas vezes com os mesmos argumentos. O norueguês Stein-Helge Mundal disse: “Não aprovamos sistemas porque são populares, nem os rejeitamos porque são controversos.”

O FSD (Supervised) é aceite em oito países da UE: Países Baixos, Lituânia, Dinamarca, Bélgica, Estónia, Eslovénia, Chéquia e, mais recentemente, Croácia, segundo o Not a Tesla App. A França disse não em julho, mas o ministro dos Transportes, Philippe Tabarot, descreveu uma “troca construtiva” com Musk. A Alemanha, que também não aprovou, defende agora, pelo ministro Steffen Bilger, uma aprovação rápida a nível da UE. O Drive Tesla Canada e o Invezz noticiam que a Tesla propôs chamar-lhe “Tesla Assisted Driving” na Europa e limitar o sistema a 10% acima do limite de velocidade. A Suécia quer que a UE rejeite o FSD, a menos que a Tesla retire a possibilidade de definir velocidades acima do limite.

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O comité técnico da UE para veículos a motor não votou a 6 de outubro, como a Tesla esperava, e a votação pode acontecer em dezembro, como já tínhamos noticiado. A aprovação exige 15 dos 27 Estados-membros, que representem 65% da população. Portugal não consta da lista de países que aceitam o sistema. A Tesla tinha dito às autoridades portuguesas, como noticiámos a 3 de setembro, que o sistema poderia ter evitado 167 colisões em Portugal entre abril e agosto.

Nota editorial: cautela jornalística.
Confirmámos de forma independente, através do Electrek e do Automobile Propre, os pontos centrais da investigação da Reuters: a fatura de 365.000 euros, as concessões do RDW e a opacidade dos dados. Não conseguimos aceder ao texto original da Reuters, pelo que as citações e os números são atribuídos a estas duas fontes. Não encontrámos, nas fontes consultadas, uma resposta da Tesla à investigação. A posição da Alemanha e a limitação a 10% acima do limite de velocidade vêm do Drive Tesla Canada e do Invezz, e o Automobile Propre diz tratar-se de um entendimento reportado, não de uma decisão formal. Vale a pena um esclarecimento: os emails citados pela Reuters vêm de reguladores de sete países, enquanto os países que aceitam o FSD são oito.

A imagem que ilustra esta notícia foi gerada por inteligência artificial e não corresponde a uma fotografia real.

Fontes: Electrek, Automobile Propre, Drive Tesla Canada, Invezz, Not a Tesla App.

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