ELETRIFICADOS
Tecnologia

A XPeng conseguiu o que a Tesla tenta há cinco anos: vender a sua condução autónoma a outras marcas

Redação Eletrificados · 20 de setembro de 2026·4 min de leitura
A XPeng conseguiu o que a Tesla tenta há cinco anos: vender a sua condução autónoma a outras marcas

A XPeng está a tentar transformar a sua tecnologia de condução autónoma e de cockpit inteligente num negócio de licenciamento, oferecendo-a a mais fabricantes automóveis, fornecedores e empresas de software para além do acordo já existente com a Volkswagen. A informação foi avançada pela Reuters, que cita duas fontes com conhecimento direto do processo, e confirmada pela própria XPeng, que diz já ter sido contactada por interessados. É exatamente o plano que a Tesla persegue, sem sucesso, desde 2021 com a sua tecnologia Full Self-Driving (FSD).

O que está para licenciar

Segundo a Reuters, o pacote em oferta inclui a arquitetura elétrica e eletrónica dos veículos, o sistema de cockpit inteligente, os chips de inteligência artificial Turing desenvolvidos internamente pela XPeng, e o software de condução assistida e autónoma. A marca chinesa está também a estudar alargar este negócio de licenciamento a robotáxis, robôs humanoides e outras aplicações de "IA física". Os potenciais clientes podem incluir fabricantes automóveis, mas também empresas de software estrangeiras e fornecedores do setor automóvel. Para gerir este processo, a XPeng criou há cerca de seis meses uma equipa dedicada à "comercialização estratégica".

COMPARADOR

O comparador de elétricos mais completo em Portugal

Autonomia real por clima e trajeto, poupança com preços portugueses e comparação lado a lado até quatro carros.

Abrir o comparador →
1383versões
76marcas
Realautonomia por clima
poupança vs combustível

A Volkswagen como prova de conceito

O modelo para este negócio já existe: em 2023, a Volkswagen investiu cerca de 700 milhões de dólares na XPeng, por uma participação de 4,99%, e passou a usar o software e a arquitetura eletrónica da chinesa nos elétricos que desenvolve para o mercado chinês — como já tínhamos referido aqui a propósito do centésimo milésimo elétrico produzido pela Volkswagen Anhui com esta tecnologia. O SUV elétrico ID. UNYX 08, desenvolvido em conjunto pelas duas marcas, entrou em produção em massa em março de 2026 já com a tecnologia da XPeng a bordo. Este acordo já se reflete nas contas da XPeng: a receita de serviços, de margem mais alta, subiu 93,9% em termos homólogos no segundo trimestre de 2026, para cerca de 400 milhões de dólares, e as ações da empresa subiram cerca de 3% na sequência da notícia — ainda que continuem cerca de 47% abaixo do início do ano. "Vemos mais colaborações como a tendência de longo prazo, porque é difícil imaginar os fabricantes tradicionais a desenvolverem tecnologia de condução inteligente rapidamente apenas com as suas próprias capacidades", disse Brian Gu, vice-presidente e presidente da XPeng, em entrevista ao South China Morning Post.

O fórum Eletrificados está aberto

Universos por marca, Radar de Entregas, calculadoras de carregamento e a garagem dos membros. Junta-te à conversa.

46 Universos de marcaRadar de EntregasCalculadorasDonos reais
Entrar no fórum

O mesmo plano que a Tesla tenta há cinco anos, sem sucesso

Elon Musk fala em licenciar o FSD a outros fabricantes desde 2021, quando admitiu "conversas preliminares" com outras marcas. Em 2023, depois de um acordo de carregamento com a Ford, disse que a Tesla estaria "feliz por licenciar" a sua tecnologia, e em abril de 2024 chegou a afirmar que a empresa estava "em conversações com um grande fabricante" sobre o FSD. Nenhuma dessas conversas resultou, até hoje, num contrato assinado. Em novembro do ano passado, Musk acabou por admitir a falta de interesse: "Tentei avisá-los e até me ofereci para licenciar o Tesla FSD, mas eles não o querem! Uma loucura...", escreveu no X. O CEO da Ford, Jim Farley, já tinha sido direto sobre o assunto, ao afirmar publicamente que "o Waymo é melhor".

Porque é que a XPeng está a conseguir o que a Tesla não consegue

Parte da explicação está na responsabilidade em caso de acidente: segundo a Reuters, os fabricantes tradicionais queriam que fosse a Tesla a assumir o risco sempre que um sistema licenciado provocasse um acidente, uma condição que Musk considerou inaceitável. A XPeng, por outro lado, manteve um sistema de segurança redundante — câmaras associadas a radar e sensores de ultrassons, funcionando como uma rede de segurança separada da inteligência artificial de condução — o que torna mais simples calcular e assumir esse risco. A marca chinesa também se mostra disponível para atuar como fornecedora, em vez de exigir ser a plataforma à qual todos os outros se têm de adaptar. Há ainda um fator geopolítico a considerar: um fabricante norte-americano ou europeu a licenciar software de condução autónoma e chips de inteligência artificial chineses é uma escolha difícil de justificar no atual clima de revisões de segurança de dados e tarifas, pelo que os compradores mais prováveis a curto prazo serão outras marcas chinesas, fabricantes de mercados emergentes e fornecedores, e não rivais diretos da Tesla ou da Volkswagen no Ocidente.

Fontes: Reuters (via TechNode), Electrek, South China Morning Post.

Em breve vais poder discutir esta notícia no fórumUm Universo para cada marca, Radar de Entregas e donos reais. Segue-nos e sabe no minuto em que abrir. Seguir a Eletrificados