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BYD e MG pressionam os preços na Europa, mas a NIO recuou e a Xiaomi só chega em 2027

Redação Eletrificados · 12 de outubro de 2026·6 min de leitura
BYD e MG pressionam os preços na Europa, mas a NIO recuou e a Xiaomi só chega em 2027

Em agosto, mais de um em cada nove carros novos registados na Europa vinha de uma marca chinesa. Foram 97.639 unidades, 11,7% do mercado e mais do dobro de há um ano, segundo a Dataforce. A BYD foi a que mais vendeu, com cerca de 26.000 carros no mês e mais de 230.000 desde janeiro.

É neste cenário que se ouve com frequência que BYD, MG, NIO e Xiaomi estão a empurrar os preços para baixo na Europa. A ideia só se aguenta em parte. A pressão existe, e há rivais europeus a admiti-la, mas dois dos quatro nomes ainda não a exercem.

Os que a exercem são, para já, outros e mais numerosos. A MG, do grupo SAIC, vendeu cerca de 21.000 carros em agosto, mais 32% do que um ano antes. O grupo Chery, dono da Omoda e da Jaecoo, mais do que triplicou as vendas, e a Leapmotor, que vende sobretudo pela rede da Stellantis e já passou os mil pontos de venda na Europa, também mais do que triplicou, para cerca de 7.600.

O crescimento passa em boa parte por onde as tarifas não chegam. Os direitos antissubvenção da UE sobre os elétricos fabricados na China, em vigor desde outubro de 2024, vão até 35,3% e somam-se aos 10% habituais, mas não abrangem os híbridos plug-in. Em agosto, as marcas chinesas ficaram com cerca de um em cada quatro híbridos e um em cada três híbridos plug-in vendidos na Europa, e a autoevolution calcula que os plug-in já pesem 34% do volume chinês, contra 37% dos elétricos. A Transport & Environment (T&E) nota que as importações de elétricos da SAIC, com a taxa mais alta, quase caíram para metade entre 2023 e 2025, enquanto as da BYD, com 17%, mais do que duplicaram. Já tínhamos explicado porque é que a taxa da MG é o dobro da da BYD.

Quanto ao preço, a T&E calcula que os elétricos chineses custam, em média, cerca de 21% menos do que os equivalentes feitos na Europa, com a diferença maior nos modelos de entrada, segundo o Motor16 e o Sicurauto, que citam o estudo sem detalhar o método.

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Quem sente o efeito em casa não o esconde. O presidente executivo da Kia, Song Ho-sung, disse num encontro com investidores, em abril, segundo uma gravação a que a Reuters teve acesso, que a diferença de preço para os rivais chineses na Europa encolheu para 15% a 20%, contra 20% a 25% antes, consoante o mercado. Os incentivos às vendas na Europa pesaram nos lucros trimestrais da marca. A Renault, que fechou 2025 com uma margem operacional de 6,3%, aponta para cerca de 5,5% em 2026, e a Reuters liga a descida à pressão de preços das marcas chinesas, a que se soma a ofensiva comercial da Stellantis.

Não encontrámos, porém, nenhum número que meça quanto desceram os preços médios do mercado por causa dos chineses. O caso da Kia é o mais direto. Nos restantes, o que os dados mostram é pressão sobre as margens e uma oferta bem maior: segundo a T&E, os construtores chineses detêm 21% dos modelos elétricos disponíveis na Europa e acrescentaram 11 no primeiro semestre, contra 16 dos europeus.

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A NIO é o nome que menos encaixa. Registou 1.129 carros em 2025 nos sete mercados europeus onde vende. Na Alemanha, o maior deles, foram 325, menos do que os 398 de 2024, e entre janeiro e abril deste ano apenas nove. Depois dos últimos resultados trimestrais, o fundador William Li anunciou que a empresa vai abrandar a expansão no estrangeiro para se concentrar na China, e a electrive escreve que não haverá atualizações de modelos nem novas estações de troca de bateria até ao fim de 2027.

A Xiaomi ainda não vende carros na Europa. A empresa confirmou em agosto de 2025, pela voz do presidente William Lu, que os primeiros chegam em 2027, sem indicar modelos nem mercados. A Euronews escreve que a Alemanha deverá ser o primeiro mercado fora da China, e a marca já tem um centro de investigação e desenvolvimento em Munique, liderado por Rudolf Dittrich, antigo quadro da BMW. Por agora, é uma ameaça futura, não uma causa dos preços de hoje.

Em Portugal, a ACAP regista as marcas chinesas com 9,3% dos ligeiros de passageiros entre janeiro e julho, contra 4,6% um ano antes. A BYD matriculou 4.775 carros e a MG 4.483 nesse período, seguidas da Xpeng, com 1.197, e da Leapmotor, com 891. Os preços já se veem nas tabelas: o MG4 Urban chegou em julho a partir de 23.900 euros, e o Leapmotor B03X custa desde 24.285 euros, valor abaixo do qual a Razão Automóvel espera que fique o B03, estreado em Paris a 12 de outubro.

Os híbridos deverão ser o próximo ponto de atrito. Já tínhamos noticiado que a UE propôs à China limitar voluntariamente as exportações de híbridos para o mercado europeu.

Nota editorial: cautela jornalística.
Confirmámos em duas ou mais fontes a quota de 11,7% e as 97.639 unidades da Dataforce em agosto, o primeiro lugar da BYD, os direitos de até 35,3% sobre os elétricos fabricados na China e a isenção dos híbridos plug-in. Os valores por marca diferem ligeiramente entre fontes (a BYD aparece com 26.007 e 26.103 carros em agosto, a MG com 21.132 e 21.214) e a ordenação de Chery e Geely depende de como cada fonte agrupa marcas como a Volvo, pelo que usámos valores arredondados. Os dados da Dataforce, segundo uma das fontes, não incluem Portugal nem a Croácia. A ACEA, que mede só a UE e cinco grupos chineses, indica uma quota de 10,8% em agosto, pelo que os números não são comparáveis. Não conseguimos confirmar de forma independente o estudo da T&E sobre os 21% de diferença de preço, que lemos através do Motor16 e do Sicurauto sem a metodologia, nem os dados de importações da SAIC e da BYD, que citamos da mesma forma. Os 34% e 37% do volume chinês por tipo de motor constam apenas da autoevolution, e os 1.129 carros da NIO apenas da electrive. As declarações da Kia vêm de uma gravação a que a Reuters teve acesso, e a Kia não respondeu ao pedido de comentário. O plano da Xiaomi assenta em declarações da própria empresa e na Euronews. Não consultámos os relatórios originais da T&E, da Dataforce nem da ACEA.

Imagem criada por IA.

Fontes: autoevolution, ChinaEVHome, TeslAnt, Sicurauto, Motor16, Transport & Environment, Reuters, via TimesLIVE (Kia), Reuters, via TimesLIVE (Renault), Reuters, via TimesLIVE (T&E), electrive, EV Powered, Euronews, Izzycar (dados ACAP), Razão Automóvel.

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