Pela primeira vez, a Volkswagen recebe mais encomendas de elétricos do que de carros a combustão na Alemanha
Pela primeira vez, as encomendas de carros elétricos da Volkswagen ultrapassam as de veículos a combustão no mercado alemão, segundo a revista especializada Automobilwoche. Martin Sander, diretor de vendas da marca, descreveu o momento como um verdadeiro "ponto de viragem" na transição elétrica do grupo.
A família que está a mudar tudo
Por trás desta mudança está a chamada "Urban Electric Car Family", quatro elétricos compactos construídos sobre a mesma plataforma MEB+: o Volkswagen ID. Polo, o Cupra Raval, o Škoda Epiq e o Volkswagen ID. Cross. Juntos, os quatro modelos já somam mais de 100 mil reservas, mais de 40 mil só para o ID. Polo, que venceu recentemente a categoria de carros económicos do prémio Car of the Year alemão, à frente do Renault Twingo e do Clio. A versão de entrada do Polo, com bateria de 37 kWh e autonomia WLTP de 334 km, custa a partir de 24.995€, mas os prazos de entrega já se arrastam por vários meses devido à procura.
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Abrir o comparador →Wolfsburg perde turnos, Espanha ganha encomendas
A resposta da Volkswagen à procura foi reorganizar a produção entre fábricas. Em Wolfsburg, onde se fabricam o Golf, o Tiguan e o Tayron a combustão, a marca cancelou os turnos extra que estavam planeados para elevar a produção de 580 mil para mais de 600 mil carros este ano. Em contrapartida, a fábrica de Emden, que produz o elétrico ID.7 em versão liftback e familiar, vai ganhar pelo menos dois turnos adicionais, e a fábrica de Zwickau, que produz o ID.3 Neo, também está a aumentar a produção. A decisão chega apenas três dias depois de o Grupo Volkswagen ter cortado a sua previsão de lucros para o ano.

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Uma vitória agridoce
Nem tudo são boas notícias para a Volkswagen nesta história: os elétricos continuam a dar menos lucro por unidade do que os carros a combustão equivalentes, e como têm menos peças mecânicas, exigem também menos mão de obra para montar. Isso significa que a fábrica alemã de Wolfsburg, mais intensiva em mão de obra, fica de fora da maior parte deste crescimento, já que os elétricos que estão a disparar as encomendas são todos fabricados em Espanha.
O panorama de fundo continua sombrio
Este boom de encomendas não muda, para já, o plano de reestruturação mais amplo da Volkswagen. Segundo um acordo com os trabalhadores fechado no final de 2024, a marca vai reduzir em 35 mil o número de postos de trabalho na Alemanha até 2030, dos quais 16.300 já saíram e 28.800 têm saída já acordada; esse mesmo acordo prevê a mudança da produção do Golf de Wolfsburg para Puebla, no México, a partir de 2027, reduzindo a fábrica alemã de quatro para duas linhas de montagem. O conselho de supervisão da Volkswagen aprovou ainda, a 3 de setembro, mais 50 mil cortes de emprego a nível mundial, num plano que estima um excesso de capacidade de 500 mil veículos na Europa, e que admite não conseguir garantir, para já, produção competitiva nas fábricas de Emden, Zwickau, Hanôver e Neckarsulm entre 2031 e 2034. Daniela Cavallo, presidente da comissão de trabalhadores, disse esperar que os cortes se intensifiquem.
Fontes: Automobilwoche (via Electrek e Motor1), electrive.com, InsideEVs.
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