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A Mobi.E prepara o Mobi.hub e o Mobi.charge para ligar operadores de carregamento, mas ainda não há datas nem preços

Redação Eletrificados · 21 de outubro de 2026·4 min de leitura
A Mobi.E prepara o Mobi.hub e o Mobi.charge para ligar operadores de carregamento, mas ainda não há datas nem preços

A Mobi.E está a preparar duas plataformas para o mercado liberalizado do carregamento público. O Mobi.hub liga os operadores de pontos de carregamento aos prestadores de serviços de mobilidade elétrica, e o Mobi.charge destina-se a operadores que não têm sistema próprio. O ECO deu a conhecer as duas a 21 de outubro, e o presidente da empresa, António Veiga Ferrão, disse que a Mobi.E quer ser "uma empresa de tecnologia do Estado, dedicada à mobilidade".

O Mobi.hub é opcional e inclui serviços adicionais, como uma gestão mais automatizada de disputas entre as partes. Veiga Ferrão afirmou que "há muito interesse em estar ligado a nós", mas a administradora Sílvia Amaral admitiu que os operadores ainda não foram concretos quanto aos planos, embora vejam o hub como "uma mais-valia". O Mobi.charge trata do arranque e do fim dos carregamentos, da faturação, da informação de rede e dos alertas, e permite "smart pricing", com tarifas que variam consoante a hora do dia ou a duração do carregamento. O ECO não refere datas de lançamento, preços nem o número de operadores interessados.

As plataformas surgem no novo regime jurídico da mobilidade elétrica, o Decreto-Lei 93/2025, que deixou de exigir que a rede seja gerida de forma centralizada pela Mobi.E. O período de transição foi entretanto prolongado pelo Decreto-Lei 155/2026, de 31 de julho, que passou o prazo de 31 de dezembro de 2026 para 31 de dezembro de 2027. O preâmbulo justifica a prorrogação com a necessidade de rever cerca de 70% dos contratos de concessão de pontos de carregamento. Até lá, a entidade gestora da plataforma mantém a agregação de dados, com uma tarifa fixada todos os anos pela ERSE, e os operadores com pontos já instalados têm de dizer se querem desligá-los da plataforma.

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O ECO escreve que a Mobi.E passará a ser a Entidade Agregadora de Dados para a Mobilidade Elétrica, que recolhe os dados do setor e os entrega ao Instituto da Mobilidade e dos Transportes. O decreto prevê que essa entidade seja designada por despacho do Governo até 31 de dezembro de 2026, mas não a identifica por nome.

A ERSE propôs a 15 de outubro uma redução de 52,1% nas tarifas da entidade gestora para comercializadores e operadores em 2027, que passariam a pesar entre 1% e 2% no preço final pago pelo utilizador. A proposta tem de passar pelo parecer do Conselho Tarifário e as tarifas só entram em vigor a 1 de janeiro. A mesma nota estima cerca de 11,8 milhões de carregamentos em 2026, 79% acima da previsão anterior, o que o eletrificados.pt já acompanhou nos dados mensais da rede.

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A Mobi.E tem também um papel nos transportes públicos. A 30 de setembro assinou, com a CP, o Metropolitano de Lisboa, o Metro do Porto, o Metro Mondego, a Transtejo/Soflusa e os dois organismos de Transportes Metropolitanos, um protocolo para uma plataforma de bilhética nacional, cuja primeira fase é o pagamento direto com cartão bancário contactless nos validadores. O Governo atribuiu à Mobi.E a promoção da interoperabilidade da bilhética a nível nacional. Segundo o ECO, a Mobi.E quer gerir os pagamentos por cartão à escala nacional, para que operadores mais pequenos os possam adotar, e diz que fazê-lo sozinhos exigiria um investimento elevado.

Nota editorial: cautela jornalística.
Confirmámos de forma independente, com fontes oficiais, o enquadramento legal e a prorrogação da transição até 31 de dezembro de 2027 (Diário da República, Decreto-Lei 155/2026), a proposta de tarifas da ERSE para 2027 e o protocolo de 30 de setembro (comunicado do Governo). As características do Mobi.hub e do Mobi.charge, as declarações de Veiga Ferrão e de Sílvia Amaral e a intenção de a Mobi.E ser a entidade agregadora de dados vêm apenas do ECO, e não encontrámos um comunicado da Mobi.E nem outra fonte que os confirme. Não conseguimos confirmar datas de lançamento, preços nem o número de operadores aderentes, que o ECO também não indica. O texto do decreto que consultámos não identifica a Mobi.E como entidade agregadora de dados.

Imagem: Mobi.E.

Fontes: ECO; Diário da República (Decreto-Lei 155/2026); CMS; Decreto-Lei 93/2025; ERSE; Governo.

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