Carros elétricos com apoio até 80%: Governo promete ajuda a mais de 20 mil famílias carenciadas
O Governo anunciou esta terça-feira um novo programa de apoio à compra de carros elétricos destinado a quem tem menos recursos, que pode cobrir até 80% do preço do veículo. A medida foi avançada pela ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, durante o debate na generalidade da proposta de Orçamento do Estado para 2027, e deverá abranger mais de 20 mil veículos.
É importante não confundir este anúncio com uma regra já em vigor. Foi feito em sede de debate parlamentar, antes de qualquer regulamento publicado, o que significa que ainda não há candidaturas abertas nem critérios definidos sobre quem, na prática, se qualifica como “carenciado”.
Paralelamente, a ministra confirmou que os incentivos à compra de elétricos para a população em geral vão continuar, “com regras semelhantes às do passado”, com uma dotação de 50 milhões de euros. São dois programas distintos: um dirigido especificamente a quem tem menos recursos, outro mantém o apoio mais abrangente que já existia.
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Abrir o comparador →O pacote anunciado inclui ainda apoio a até 9 mil veículos elétricos para microempresas, financiamento para veículos pesados mais sustentáveis e para a rede de carregamento, e cofinanciamento de 700 autocarros elétricos para zonas de baixa densidade populacional, pensados para ligar trabalhadores e estudantes em regiões onde a alternativa de transporte público é escassa.

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Para medir a escala da procura que este tipo de apoio costuma gerar, vale a pena olhar para o programa anterior. Em junho, o Fundo Ambiental abriu candidaturas para um apoio de 4.000 euros por carro 100% elétrico novo, mediante o abate de um veículo a combustão com mais de dez anos, com um teto de preço de 38.500 euros (ou 55.000 euros para viaturas com mais de cinco lugares). A dotação global era de 10 milhões de euros, repartidos por vários segmentos. O resultado: 82% das 2.200 vagas disponíveis para particulares esgotaram nas primeiras duas horas após a abertura, às 10h00.
Esse histórico ajuda a explicar porque é que os detalhes por regulamentar neste novo programa social são tão relevantes. Ainda não se sabe que critério de rendimento vai ser usado para definir quem é elegível, se vai continuar a ser exigido o abate de um carro antigo, se vai haver um preço máximo para o veículo elegível, e, talvez o ponto mais decisivo para quem tem poucas poupanças, se o apoio é descontado no momento da compra ou só reembolsado depois. Essa diferença pode decidir se o programa é, na prática, acessível a quem devia servir.
Só para dar uma ideia do que 80% pode significar em euros, e sem que isto corresponda a qualquer valor oficial: num carro de 20.000 euros, um apoio desta percentagem equivaleria a cerca de 16.000 euros pagos pelo Estado e 4.000 euros a cargo do comprador. É apenas aritmética simples para ilustrar a ordem de grandeza, já que nem o teto de preço do veículo nem a base de cálculo do apoio foram ainda divulgados.
Há também uma variável que não depende do regulamento e que continua a pesar nestas contas: o carregamento. Reduzir o preço de entrada de um elétrico não resolve, por si só, o problema de quem não tem garagem ou lugar de estacionamento privado para carregar em casa a um custo baixo. Para quem vive em apartamento ou depende da rede pública, essa continua a ser a variável que decide se a poupança anunciada se traduz, de facto, em mobilidade mais acessível.
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