Rever um elétrico costuma sair mais barato do que um carro a combustão, mas o ADAC encontrou exceções e sobretaxas nas oficinas
Um elétrico não tem óleo para mudar, nem filtro de óleo, velas ou correia de distribuição, e é por isso que se diz que rever um custa menos. Na maioria dos casos é verdade, mas não em todos, e a fatura depende mais da marca, da oficina e do tipo de revisão do que do motor.
Isto não quer dizer que o carro dispense a oficina. A Repsol, num guia de manutenção, indica que o filtro do habitáculo se muda todos os anos, o líquido dos travões cerca de dois em dois anos, o óleo do redutor entre 80.000 e 120.000 km e o líquido de refrigeração da bateria entre quatro e sete anos, consoante o modelo. Os cabos de alta tensão pedem uma inspeção visual anual, e a mesma fonte avisa que prevalece sempre o plano do fabricante. Os pneus também contam: a Repsol fala em substituições até 30% mais frequentes em certas utilizações, um ponto que já referimos no nosso guia para quem vai comprar o primeiro elétrico.
Em Portugal, o blogue da Caetano indica, num artigo de abril, intervalos de 20.000 a 30.000 km ou de 12 a 24 meses para um elétrico, contra 15.000 a 25.000 km ou 12 meses na gasolina. A revisão padrão de um elétrico começa nos 120 euros, a de um citadino a combustão nos 150 e a de um familiar ou SUV nos 220. Na revisão maior, a que se faz normalmente entre os 60.000 e os 90.000 km ou aos quatro anos, os valores de partida são 300 euros no elétrico, 350 no citadino e 450 no SUV, e a própria página avisa que esta revisão pode duplicar o valor. Noutro artigo, de agosto, a Caetano estima, para um citadino que faça 15.000 km por ano, cerca de 1.500 euros em manutenção e revisões ao longo de cinco anos no elétrico e 2.500 na gasolina, ou seja, cerca de 300 euros por ano contra 500 (conta nossa). Num caso concreto, o Supercarros24 aponta 100 a 150 euros por revisão num BYD Dolphin, em concessionários oficiais, a cada 15.000 km ou 12 meses, e recomenda confirmar o plano com a marca.
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Abrir o comparador →Quando se pedem orçamentos a oficinas reais, o quadro é menos arrumado. O ADAC, o clube automóvel alemão, pediu 120 orçamentos a oficinas de marca de cinco fabricantes (BMW, Dacia, Hyundai, Mercedes-Benz e VW) em Hamburgo, Colónia e Munique, e recebeu 94 respostas. No conjunto, a inspeção do elétrico saiu cerca de um terço mais barata, com diferenças de 58% na BMW, 45% na Mercedes, 44% na VW e 39% na Hyundai. Na Dacia aconteceu o contrário: a revisão do modelo a combustão saiu 43% mais barata. Um BMW i4 em Hamburgo custou em média 527 euros, contra 1.054 euros de um M440i. Em quase metade das oficinas que detalharam o cálculo, a hora de trabalho num elétrico era mais cara, em média cerca de 17%, uma sobretaxa que o ADAC diz não se justificar tecnicamente. As oficinas a menos de 60 km das grandes cidades cobravam, em geral, bastante menos.
No Reino Unido, uma análise da The Car Expert com a Clear Vehicle Data, noticiada pela AM, calculou que um elétrico custa em média 4.022 libras a manter em cinco anos, contra 5.709 libras nos modelos a gasolina, gasóleo ou híbridos. A diferença, de 1.687 libras, ronda os 30%. A amostra cobre mais de 600 modelos, e o elétrico saiu mais barato em 95% das comparações entre versões equivalentes. Ficam de fora o preço de compra, a energia, o seguro e a depreciação.

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No Brasil, onde os preços e os calendários são outros, a Webmotors levantou o custo das revisões até 60.000 km de vários elétricos. No BYD Dolphin, a revisão aos 20.000 km custa 393 reais, a dos 40.000 km custa 1.292 reais e a dos 60.000 km volta aos 393, num total de 2.078 reais. A do meio custa mais de três vezes as outras (conta nossa). Segundo a Garagem 360, nas revisões pares da BYD trocam-se os fluidos dos travões e da transmissão, o que é coerente com o salto, embora não tenhamos confirmado o detalhe da tabela. O Volvo EX30 aparece com a primeira revisão gratuita, aos 30.000 km, e 849 reais aos 60.000 km.
Nota editorial: cautela jornalística.
Confirmámos de forma independente que os elétricos tendem a ser mais baratos de rever, com dois conjuntos de dados distintos: o estudo do ADAC, na Alemanha, e a análise da The Car Expert, no Reino Unido. Não conseguimos confirmar de forma independente, através de fontes públicas e gratuitas: os valores portugueses, que vêm de blogues da Caetano e do Supercarros24, são indicativos, e a página da Caetano contém uma nota ambígua sobre a inclusão da mão de obra, pelo que não consultámos tabelas oficiais de marcas; os intervalos e os prazos de substituição da Repsol, que são indicações gerais e não substituem o plano de cada fabricante; a data do estudo britânico, que a fonte não indica e que serve também o índice de avaliação da própria publicação; e a explicação do salto de preço na revisão intermédia do BYD no Brasil, que é uma inferência nossa. A amostra do ADAC é pequena (94 orçamentos em três cidades alemãs). Não conseguimos abrir o artigo da InsideEVs Brasil que originou este tema, pelo que o texto se baseia nas fontes indicadas.
Imagem criada por IA.
Fontes: ADAC, Caetano (revisão), Caetano (custo total), Repsol, Supercarros24, AM, Webmotors, Garagem 360.
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