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Um estudo da ICCT calcula que enfraquecer as metas de CO2 dos carros pode custar até 185.000 empregos na UE até 2035

Redação Eletrificados · 28 de outubro de 2026·4 min de leitura
Um estudo da ICCT calcula que enfraquecer as metas de CO2 dos carros pode custar até 185.000 empregos na UE até 2035

Enfraquecer as metas de CO2 dos carros novos da UE pode custar até 185.000 empregos no setor automóvel europeu até 2035, ou até 6% do emprego de 2025, segundo um estudo da ICCT divulgado a 28 de outubro, intitulado "Powering jobs: employment under the EU's passenger car CO2 standards" (58 páginas). Com as metas atuais, o emprego ficaria cerca de 2% abaixo do nível de 2025. Com as metas atuais mais medidas de política industrial, subiria cerca de 10%, ou cerca de 320.000 empregos. A diferença entre os dois extremos é de cerca de meio milhão de empregos.

O estudo compara três cenários. No primeiro, mantêm-se as metas em vigor, de 55% de redução em 2030 e 100% em 2035 face a 2021. No segundo, somam-se medidas para reforçar a produção na UE, como regras de conteúdo local, do género das previstas na proposta Industrial Accelerator Act, e incentivos à produção. No terceiro, as metas são adiadas cinco anos, a eletrificação é mais lenta e os elétricos só chegam aos 100% das vendas de carros novos em 2040. A ICCT admite que o adiamento de cinco anos é um "pressuposto simplificador", porque um alívio real pode ter outras formas. Nas descrições do estudo a que tivemos acesso, o cenário não inclui o compromisso de 87,5% que os grupos do Parlamento Europeu discutem.

A produção de automóveis explica a maior parte das diferenças entre cenários. As baterias, a reciclagem e a instalação e manutenção de carregadores ganham peso com o tempo, e o seu contributo depende do ritmo da passagem aos elétricos e de quanto dessa produção ficar na UE. Até 2030, as diferenças entre cenários são pequenas. O estudo não avalia a automação, a digitalização, a geopolítica nem as necessidades de requalificação, e analisa apenas o efeito da legislação sobre o CO2.

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Sandra Wappelhorst, autora principal, diz que o enfraquecimento das normas é apresentado como forma de proteger empregos, "mas a nossa análise mostra o contrário". Peter Mock, diretor da ICCT Europa, afirma que manter as normas atuais ajudará os fabricantes europeus a passar para a frente do mercado dos elétricos.

Outras associações chegam a conclusões diferentes. A associação alemã VDA calculou em maio uma perda líquida de cerca de 225.000 empregos na Alemanha até 2035, face a 2019, dos quais cerca de 100.000 já perdidos, e diz que permitir mais híbridos plug-in, carros com extensor de autonomia e motores de combustão reduziria a perda projetada para cerca de 75.000. A CLEPA, que representa os fornecedores europeus, avisou em dezembro de 2025 que até 650.000 empregos podem estar em risco até 2035 por deslocalização das cadeias de abastecimento. Os números não são comparáveis entre si: a VDA fala só da Alemanha, a CLEPA de deslocalização e a ICCT da UE, com pressupostos próprios.

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As descrições do estudo a que tivemos acesso não apresentam números por país, pelo que não é possível estimar o efeito em Portugal. Em junho, Portugal integrou o grupo de sete países que pediu que qualquer flexibilidade adicional fosse "estritamente limitada". Segundo o Portugal Global, o setor automóvel português tinha em 2021 cerca de 49.700 trabalhadores diretos em 1.197 empresas.

O Parlamento Europeu tem em cima da mesa um texto que a Comissão propôs em dezembro de 2025. As comissões da Indústria e dos Transportes já aprovaram o compromisso de 87,5%. Segundo a electrive, que cita a Spiegel, a Comissão do Ambiente deve votar no início de novembro e o plenário em dezembro.

Nota editorial: cautela jornalística.
Confirmámos de forma independente os números do estudo (185.000 empregos, 6%, 320.000, 2% e 10%) em duas fontes que o relatam e que coincidem entre si, a electrive e o Ecomento, e o título do estudo e do comunicado da ICCT, por pesquisa. Não conseguimos confirmar de forma independente, através de fontes públicas e gratuitas: o texto do estudo, porque a página da ICCT não abriu e não o lemos; a ausência de números por país, que se baseia só nas descrições da imprensa; e o enquadramento do cenário de adiamento. Os números da VDA e da CLEPA vêm de comunicados das próprias associações, que representam a indústria. O número de trabalhadores em Portugal é de 2021, o mais recente que encontrámos, e vem do Portugal Global.

Imagem criada por IA.

Fontes: electrive, Ecomento, VDA, CLEPA (via AFIA), Portugal Global.

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