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As comissões da Indústria e dos Transportes do Parlamento Europeu aprovaram o compromisso de 87,5% para o CO2 dos carros em 2035

Redação Eletrificados · 22 de outubro de 2026·3 min de leitura
As comissões da Indústria e dos Transportes do Parlamento Europeu aprovaram o compromisso de 87,5% para o CO2 dos carros em 2035

As comissões da Indústria (ITRE) e dos Transportes (TRAN) do Parlamento Europeu aprovaram esta quinta-feira o compromisso negociado pelo Partido Popular Europeu (PPE), pelos Socialistas e Democratas (S&D) e pelo Renew sobre as metas de CO2 dos carros novos. Na comissão da Indústria votaram a favor 49 deputados, 27 contra e 5 abstiveram-se. Na dos Transportes foram 27 votos a favor, 18 contra e uma abstenção, segundo a agência dpa.

O texto fixa em 95% a redução das emissões médias dos carros novos em 2035, face a 2021, mas permite que os fabricantes que usem aço de baixo carbono produzido na UE descontem até 7,5 pontos percentuais. Na prática, o piso passa a ser de 87,5%, como descrevem a Reuters e a AutoNext. A Comissão Europeia tinha proposto em dezembro de 2025 uma redução de 90%, com os 10% restantes compensáveis com aço de baixo carbono (até 7 pontos) e combustíveis alternativos (até 3 pontos). Já a posição franco-alemã, que noticiámos a 16 de outubro, prevê 90% sem compensação. Por comparação, um piso de 87,5% admite mais emissões do que isso (conta nossa).

A Reuters refere ainda uma meta de 80% para as carrinhas em 2035, uma meta de 35% em 2030 (a Comissão propunha 40%) e a manutenção dos 55% para os carros em 2030, com a possibilidade de cumprir os alvos de 2030 pela média de 2029 a 2031. O compromisso prevê também créditos extra para elétricos pequenos e acessíveis ou particularmente eficientes, e abre a porta a que carros que funcionem apenas com combustíveis renováveis sejam reconhecidos como de emissões nulas, em certas condições.

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As reações dividem-se. Manfred Weber, líder do PPE, descreveu o acordo como uma vitória para a indústria e os trabalhadores, segundo a Razão Automóvel, que cita a Bloomberg. Jens Gieseke (PPE) defende flexibilidade e segurança de planeamento para os fabricantes, e Vivien Costanzo (SPD) quer regras estritas de produção na Europa. O verde Michael Bloss criticou o texto, segundo a dpa. A federação europeia do aço, a EUROFER, saudou o mecanismo e pede que o crédito se limite ao aço e que se mantenha a exigência de origem na UE.

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O processo ainda vai a meio. A comissão do Ambiente, que lidera o dossiê, vota no início de novembro, e o plenário está previsto para dezembro, segundo a AutoNext e a dpa. Em 2 de outubro, quando a votação foi adiada, o plenário estava apontado para novembro. Segue-se a negociação com os Estados-membros no Conselho, onde é preciso maioria qualificada, e a AutoNext aponta um texto final no início de 2027. Até lá, continua em vigor a regra de 2023, que exige emissões nulas em 2035 e vale em Portugal como nos outros países. Nas fontes consultadas não há referência à posição portuguesa neste voto.

Nota editorial: cautela jornalística.
Confirmámos de forma independente, com fontes próprias, o desenho do compromisso: 95% com até 7,5 pontos pelo aço europeu, o que dá 87,5% (Reuters, AutoNext, EUROFER via SteelOrbis, dpa e Razão Automóvel). Não conseguimos confirmar de forma independente os resultados das votações de hoje, que só encontrámos na dpa, republicada por outros órgãos de comunicação, e não vimos comunicado do Parlamento Europeu nem o texto aprovado. As fontes divergem em pormenores das metas de 2030 (a Reuters indica a média de 2029 a 2031, a electrive e a Transport & Environment falam em 2030 a 2032, e os valores para as carrinhas variam), pelo que só reportamos os da Reuters, atribuídos. Também não confirmámos se a posição final da comissão do Ambiente seguirá este texto.

Imagem criada por IA.

Fontes: dpa (via AD HOC News e infranken), Reuters (via Global Banking & Finance), Razão Automóvel (que cita a Bloomberg e a Automotive News Europe), electrive, AutoNext, SteelOrbis (EUROFER), Autogear.

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