França e Alemanha acordam uma redução de 90% das emissões dos carros novos em 2035, sem compensar os 10% restantes
Bruxelas, 16 de outubro de 2026. A Alemanha e a França anunciaram uma posição comum para o futuro da indústria automóvel europeia, que inclui exigir aos fabricantes uma redução de 90% das emissões médias dos carros novos em 2035, face a 2021, sem obrigação de compensar os 10% restantes. O chanceler Friedrich Merz e o Presidente Emmanuel Macron comentaram o acordo na rede X, e Merz afirmou em Bruxelas, segundo a dpa, que o fim dos motores de combustão fica assim "história".
O número é de 90%, e não de 80%, como noticiámos a 8 de outubro, com base no Handelsblatt, no FAZ e na Clean Energy Wire. A electrive já tinha escrito que os 80% não se confirmavam, e a Reuters, a dpa e a AFP descrevem agora 90%. A diferença está na compensação. A proposta da Comissão Europeia, de dezembro de 2025, também fala em 90%, mas previa que os 10% restantes fossem compensados com aço de baixo carbono e combustíveis alternativos. Pelo plano franco-alemão, esses 10% ficam sem compensação. Os fabricantes poderiam continuar a vender carros a gasolina, a gasóleo e híbridos, sem multas, desde que a média da frota cumpra o limite, e o aço e o alumínio verdes produzidos na Europa seriam valorizados no cálculo das emissões, segundo a dpa.
O texto inclui também a regra "Made in Europe". Os apoios públicos, como os incentivos à compra de elétricos, ficariam limitados a veículos fabricados na UE, no Reino Unido e nos países do Espaço Económico Europeu, segundo a dpa. A Alemanha defendia um âmbito mais largo, com fornecedores da Turquia e de Marrocos, e aceitou uma interpretação mais restrita. A Reuters tinha descrito de manhã a inclusão do Reino Unido como dependente de reciprocidade total e de alinhamento com as medidas da UE contra os veículos chineses. O documento não detalha o âmbito da regra nem o calendário.
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Abrir o comparador →A Transport & Environment (T&E) classificou o acordo como "catastrófico" para a indústria, o clima e os consumidores, segundo a dpa, e o eurodeputado verde Michael Bloss avisa que a flexibilização atrasa os elétricos acessíveis. Deputados da CDU e do FDP falam de um sinal forte para a indústria. Antes do anúncio, o ministro alemão do Ambiente, do SPD, tinha sugerido 95%, segundo a Reuters.
O plano ainda depende de maioria no Conselho e de um acordo com o Parlamento Europeu. Merz diz ter recebido reações positivas de outros países, e os 27 poderão chegar a uma posição comum até dezembro, segundo a AFP e a Reuters citadas pelo t-online. No Parlamento, as bancadas continuam distantes, e a Comissão de Transportes adiou o voto para novembro. As conclusões do Conselho Europeu de 15 e 16 de outubro pedem aos colegisladores que concluam o pacote automóvel até ao fim do ano.

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Em junho, Portugal integrou, com a Dinamarca, a França, o Luxemburgo, os Países Baixos, a Espanha e a Suécia, um grupo de sete países que rejeitou o enfraquecimento das regras, e que formava uma minoria de bloqueio no Conselho, segundo o Handelsblatt e o Tagesspiegel. Com a mudança da França, essa minoria deixa de existir. Não encontrámos a posição atual do Governo português.
Nota editorial: cautela jornalística.
Confirmámos, com a dpa, a Reuters, a AFP e a electrive, que os Governos alemão e francês anunciaram uma posição comum e que a meta é de 90% sem compensação dos 10% restantes. Não conseguimos ler o comunicado conjunto, por isso os pormenores da regra "Made in Europe", do tratamento do aço verde e dos combustíveis vêm das agências. A própria dpa, numa primeira versão, atribuía a meta de 90% ao Handelsblatt e dizia que o comunicado não a confirmava, e só mais tarde a descreveu como acordada. Ainda segundo o Handelsblatt, a Alemanha tinha de dar a aprovação final ao documento, e não vimos confirmação posterior desse passo. As agências divergem na definição de "Made in Europe": a dpa fala de UE, Reino Unido e EEE, e a Reuters de parceiros que faziam parte do mercado interno a 1 de janeiro de 2020, sujeitos a condições. A citação de Merz vem de uma única fonte e é tradução nossa.
Imagem criada por IA.
Fontes: Tagesspiegel/dpa, dpa/Yahoo Finance, t-online (Reuters e AFP), Reuters/Insurance Journal, electrive, Conselho Europeu
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