O Parlamento Europeu prepara-se para tornar voluntárias as metas de elétricos nas frotas das empresas, segundo a Automobilwoche
O PPE, os Socialistas e Democratas (S&D) e o Renew chegaram a acordo no Parlamento Europeu para que as metas de eletrificação das frotas de empresas deixem de ser obrigatórias, segundo a revista alemã Automobilwoche, que diz ter obtido a informação junto de representantes dos grupos. As metas passam a ser "aspiracionais", sem penalizações para os Estados-membros que as falhem. Jens Gieseke, eurodeputado do PPE e presidente da Comissão dos Transportes, disse à publicação que encontraram "um bom compromisso" com os outros grupos para as frotas empresariais.
A proposta original, que a Comissão Europeia apresentou em dezembro de 2025 no regulamento sobre veículos empresariais limpos, obrigava cada Estado-membro a garantir, a partir de 2030, uma quota mínima de veículos com zero ou baixas emissões nos registos novos das grandes empresas. As metas seriam diferentes de país para país. A nível da União, o texto aponta para um mínimo de 69% de carros de zero ou baixas emissões (com híbridos plug-in), dos quais pelo menos 45% de zero emissões. Segundo a Transport & Environment (T&E), uma empresa é considerada grande se cumprir pelo menos dois de três critérios: 25 milhões de euros de ativo total, 50 milhões de volume de negócios ou mais de 250 trabalhadores.
O peso do segmento explica a discussão. As frotas empresariais representam cerca de 60% dos carros novos matriculados na UE, e as grandes empresas, que são 0,16% do total, respondem por cerca de 37%, segundo a T&E. Em Portugal, a T&E inclui o país entre os sete Estados-membros que eletrificaram depressa o mercado empresarial entre 2021 e 2025, e diz que, com as metas da Comissão, o crescimento exigido seria bastante mais lento do que o dos últimos anos. A Powerdot, que cita dados da T&E, indica que os elétricos rondam os 25% dos registos novos das empresas em Portugal. Não foi possível confirmar a meta fixada para Portugal nos anexos da proposta, porque as tabelas não estavam acessíveis.
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Abrir o comparador →Os carros de empresa chegam ao mercado de usados ao fim de cerca de três anos, argumento que os relatores da proposta no Parlamento, Tiemo Wölken e François Kalfon, usaram para defender as quotas: mais elétricos nas frotas hoje seriam mais elétricos usados e acessíveis amanhã. Em Portugal, os elétricos usados já têm a rotação de stock mais rápida de todas as motorizações. Do outro lado, as empresas de aluguer e os operadores de frotas opuseram-se às quotas. A Sixt chamou-lhes um "Verbrenner-Aus durch die Hintertür", isto é, o fim dos motores de combustão pela porta dos fundos.
O PPE já tinha tentado travar as metas em junho. Segundo a MLex, duas emendas dos eurodeputados Raúl de la Hoz Quintano e Dariusz Joński propunham eliminar as metas vinculativas e substituí-las por planos nacionais, além de reduzir bastante o número de empresas abrangidas. Nessa altura, nove países da UE, entre eles a Polónia, a Itália e a Hungria, mas não Portugal, contestaram o plano de Bruxelas, segundo o Automonitor.

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O acordo surge no mesmo pacote em que os grupos aprovaram em comissão uma redução de 87,5% do CO2 dos carros novos em 2035. Segundo a electrive, que cita a Spiegel, a Comissão do Ambiente deve votar no início de novembro, e a votação em plenário é esperada em dezembro. Depois, o Parlamento terá de negociar o texto final com o Conselho e a Comissão.
Nota editorial: cautela jornalística.
Confirmámos de forma independente: a direção do acordo (metas voluntárias para as frotas, sem sanções), que a Automobilwoche relata e que a Table.Briefings, em artigo de 23 de outubro, também dá como acordado entre PPE, S&D e Liberais (só vimos o título e o resumo, porque o artigo é pago); a proposta da Comissão, nos dados da T&E e no texto da proposta (69% e 45% a nível da UE). Não conseguimos confirmar de forma independente, através de fontes públicas e gratuitas: a posição foi relatada a partir de representantes dos grupos, e não encontrámos um comunicado oficial; a meta que caberia a Portugal, porque os anexos da proposta não estavam acessíveis; e as metas por país que algumas fontes citam para a Alemanha, que divergem entre si e por isso não as incluímos. Os dados sobre os elétricos nos registos das empresas em Portugal são da Powerdot, que cita a T&E. As datas dos votos variam entre fontes (o início de novembro, ou 4 de novembro, e dezembro, ou o fim de dezembro).
Imagem criada por IA.
Fontes: electrive, Echo24 (Automobilwoche), Table.Briefings, Transport & Environment, Comissão Europeia, EU Perspectives, MLex, Automonitor, EUnews.
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