A Comissão Europeia quer dar prioridade ao carregamento de camiões e autocarros elétricos nos próximos financiamentos
Eric von Breska, diretor de Investimento, Inovação e Transportes Sustentáveis da Comissão Europeia, anunciou que os fundos do Connecting Europe Facility (CEF) e do Alternative Fuels Infrastructure Facility (AFIF) vão passar a dar prioridade, no futuro, à infraestrutura de carregamento para camiões e autocarros elétricos. A decisão surge num contexto de risco de investimento elevado, bancos cautelosos em relação a este tipo de infraestrutura, e uma procura de carregamento que cresce depressa ao longo das principais rotas de mercadorias, concentrada sobretudo em alguns pontos logísticos.
Um crescimento que triplica a frota
Segundo a Comissão, a frota europeia de camiões elétricos deverá chegar às 45 mil a 50 mil unidades até ao final do ano, praticamente o triplo do que era há apenas dois anos. Apostolos Tzitzikostas, comissário europeu dos Transportes, tem vindo a pedir mais infraestrutura de carregamento para acompanhar este crescimento.
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O AFIF, criado em 2021 como subprograma do CEF, tem sido a principal ferramenta de financiamento europeu para infraestrutura de carregamento público, já com quase 3 mil milhões de euros atribuídos. Em janeiro deste ano, a IRU, a ACEA e a Transport & Environment enviaram uma carta conjunta à Comissão, alertando para um risco de vazio de financiamento em 2026 e 2027, depois de o orçamento original do AFIF se aproximar do esgotamento. Um dos exemplos do impacto do programa é a Milence, operadora de carregamento para camiões, que recebeu 111 milhões de euros para construir 64 parques de carregamento em nove países da UE.

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A resposta que já tinha vindo em junho
A Comissão respondeu, em parte, com um novo concurso do CEF Transport, no valor global de 1,11 mil milhões de euros, dos quais 130 milhões destinados especificamente a infraestrutura de carregamento para veículos pesados, com candidaturas a fechar já a 6 de outubro. Numa fase anterior do mesmo programa, foram financiados mais de 2.000 novos pontos de carregamento com pelo menos 350 kW, e 586 pontos a 1 MW especificamente para veículos pesados, além de 38 estações de abastecimento de hidrogénio, ainda que o terceiro e último corte de financiamento previsto para o AFIF, em março, tenha acabado por ser cancelado por falta de verba.
Em paralelo, a Comissão está também a tentar resolver as limitações de capacidade da rede elétrica através do seu "Network Package" e do "Plano de Eletrificação" apresentado no verão, e pretende trabalhar com a indústria para reduzir melhor o risco associado a este tipo de investimento.
Fontes: electrive.com, ACEA, IRU, IndexBox.
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